Terça, 13 de Novembro de 2018
   
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Antes da Pedrada

Pastoral

“Eles, porém, clamando em alta voz, taparam os ouvidos e, unânimes, arremeteram contra ele. E, lançando-o fora da cidade, o apedrejaram” (Atos 7.27-28a).

O livro de Atos dos Apóstolos, escrito por Lucas, contém uma das mais dramáticas narrativas do Novo Testamento: o apedrejamento cruel de Estêvão, o primeiro mártir da igreja primitiva. Os contornos desse martírio são vívidos e geram apreensão no leitor, pois Lucas constantemente detalha o conteúdo das pregações dos apóstolos e discípulos de Jesus em meio aos acontecimentos, fazendo com que nos identifiquemos intimamente com a narrativa.

É dito que Estêvão, “cheio de graça e poder, fazia prodígios e grandes sinais entre o povo” (At 6.8). Todavia, foi porque os fariseus “não podiam resistir à sabedoria e ao Espírito, pelo qual ele falava” (At 6.10), que Estêvão foi brutalmente arrastado para morrer fora de Jerusalém.

Ainda que hoje, nós, membros da igreja de Cristo, não detenhamos mais a capacidade de “fazer prodígios e grandes sinais entre o povo”, somos, pelo poder do Espírito Santo, capazes de proclamar a mensagem a pessoas que “não podem resistir à sabedoria e ao Espírito”. Semelhantemente a Estêvão, os cristãos que o imitam, mesmo sem fazer prodígios e sinais, estão sob risco de perseguição — e até de morte.

Por isso, é interessante notar, no relato feito por Lucas, que há quatro movimentos que os inimigos de Deus fazem com suas mãos durante a perseguição que levará o cristão à morte: 1) as mãos tapam os ouvidos; 2) as mãos convidam e coordenam o ajuntamento dos inimigos de Deus; 3) as mãos expulsam o cristão; e 4) as mãos, por fim, atiram as pedras fatais.

1. As mãos tapam os ouvidos: a cadeia de movimentos das mãos tem um evento precipitador — a proclamação do evangelho. A mensagem genuína de Deus gera ódio no coração pecaminoso e fadado à perdição. Os ouvidos apenas são tapados, pois, como relata Lucas, “ouvindo eles isto [a pregação de Estevão], enfureciam-se no seu coração e rilhavam os dentes contra ele” (At 7.54). Quando alguém se recusa veementemente a ouvir o evangelho, algo está acontecendo em seu coração. O coração se enfurece, ainda que isso seja, muitas vezes, não explicitamente demonstrado pelo rilhar (ranger) dos dentes.

2. As mãos convidam e coordenam o ajuntamento dos inimigos de Deus: os inimigos de Deus, quando planejam ataques perigosos aos cristãos, geralmente não agem sozinhos. Eles normalmente buscam apoio e endosso para seus planos diabólicos. Quando Lucas diz “e, unânimes, arremeteram contra ele”, é possível perceber que essa é uma ação coordenada com as mãos. O sinal com as mãos que denota o “venham comigo” é universal e compreendido em qualquer cultura. Igualmente compreendido em qualquer cultura é o sinal das mãos e ranger de dentes que ajuntam as pessoas para o linchamento.

3. As mãos expulsam o cristão: de maneira abrupta, os inimigos de Deus, coordenadamente, arremeteram-se contra Estevão e o arrastaram para fora da cidade. Hoje, a expulsão pode tomar outros contornos, seja por meio de “cliques” em um mouse de computador ou taps em uma tela de smartphone — tudo com as mãos! Todavia, o objetivo permanece o mesmo: a remoção da pessoa que proclama a sã doutrina e que não pode ser suportada, cuja pregação gera coceira nos ouvidos de pessoas com coração rebelde (2Tm 4.3).

4. As mãos, por fim, atiram as pedras fatais: as mãos que cumpriram as três etapas anteriores estão plenamente exercitadas para seu derradeiro movimento, o golpe fatal. Quando os inimigos de Deus levantam suas mãos com pedras, todo seu corpo — coração, boca e mãos — está perfeitamente alinhado para a execução cruel. Infelizmente, esse é o destino de muitos de nossos irmãos em todo mundo, em países que perseguem ferozmente o evangelho de Jesus Cristo.

Todavia, há esperança para as mãos e corações de todos que hoje perseguem os cristãos, assim como aconteceu com “um jovem chamado Saulo”, que teve postas aos seus pés as vestes daqueles que apedrejaram Estevão (At 7.58). Nosso Senhor Jesus Cristo, a quem traspassaram as mãos com cravos, pode conceder o perdão ao homem perdido: “Chegai-vos a Deus, e ele se chegará a vós outros. Purificai as mãos, pecadores; e vós que sois de ânimo dobre, limpai o coração” (Tg 4.8).

Ev. Leandro Boer


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