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Os Crentes que Fizeram Paulo Sorrir

Pastoral

"Sempre damos graças a Deus por todos vocês e os mencionamos constantemente em nossas orações. Quando oramos por vocês diante de nosso Deus e Pai, relembramos seu trabalho fiel, seus atos em amor e sua firme esperança em nosso Senhor Jesus Cristo" (1Ts 1.2-3).

A igreja em Tessalônica era jovem. Praticamente, tinha acabado de ser fundada. Mesmo assim, viu-se na necessidade de se virar sozinha, sem o apoio de líderes maduros, numa cidade totalmente mergulhada na devassidão e fortemente hostil ao evangelho.

Paulo, seu fundador, teve de deixá-la às pressas, juntamente com Silas, por causa dos perseguidores que os acusaram de sedição (At 17.1-10). Em sua fuga, eles foram para Bereia e, dali, para Atenas, de onde Paulo escreveu 1Tessalonicenses, após receber boas notícias da igreja trazidas por Timóteo (3.6).

Isso explica as palavras de satisfação que marcam os versículos transcritos acima. Não foram linhas traçadas por mera formalidade. Em vez disso, expressavam o alívio de um missionário preocupado que, depois de muita angústia e incerteza, fora informado de que seu trabalho árduo não tinha sido feito em vão.

As palavras de Paulo, citadas acima, também não servem apenas para fornecer dados gerais acerca de uma comunidade cristã dos tempos bíblicos. Elas vão além e mostram o tipo de crente que o apóstolo (junto com seus colegas Silas e Timóteo, cf. 1.1) esperava que seus convertidos fossem. Com efeito, ao dizer que dava graças a Deus por eles e que os mencionava em suas súplicas, logo em seguida Paulo revela o conteúdo dessas orações, pintando o retrato do cristão ideal — aquele que alegra de verdade os ministros de Deus e os faz sentir que seu trabalho tem valido a pena.

De acordo com o texto, Paulo se lembrava contente do “trabalho fiel” dos crentes de Tessalônica, dos seus “atos de amor” e de sua “firme esperança”. Essas expressões traduzem corretamente o texto em sua língua original, mas é possível também (e talvez preferível) observá-las como três pares de substantivos, todos presentes no texto grego (trabalho e fé; abnegação e amor; firmeza e esperança), vendo o primeiro substantivo de cada par como procedente do segundo (o trabalho que vem da fé; a abnegação que vem do amor; a firmeza que vem da esperança).

Se for esse o caso, há aqui a indicação de que o crente que fazia o apóstolo sorrir satisfeito era aquele que exibia em sua vida as três principais virtudes cristãs: fé, esperança e amor! E essas virtudes, segundo Paulo, não eram conceitos vagos, etéreos ou meramente sentimentais na vida de seus leitores. Não! A fé, a esperança e o amor de que o apóstolo falava, por serem verdadeiros, ultrapassavam os limites do coração e atingiam as mãos, os pés, os lábios, os olhos, os ouvidos e todo o corpo dos tessalonicenses, gerando trabalho, abnegação e firmeza.

De fato, os crentes de Tessalônica realizavam um trabalho que procedia da fé e da confiança que depositavam em Cristo. Isso significa que eles produziam algo a serviço do Senhor, não sendo infrutíferos, inúteis ou acomodados. A causa do Mestre se robustecia graças ao trabalho deles — um trabalho que fazia diferença, a ponto de torná-los modelos para os crentes de toda a região (1.7).

Eles também revelavam a abnegação que nascia do amor. O termo grego que pode ser traduzido como “abnegação” evoca a noção de desconforto e dificuldade. Por causa de seu amor por Cristo (e pelas pessoas), os destinatários de Paulo se dispunham a realizar obras difíceis, sofrendo prejuízos pelo bem da igreja e em prol do evangelho.

Finalmente, os tessalonicenses demonstravam firmeza, isto é, resistência diante dos ataques da oposição. A resistência indicada aqui pressupõe o ato de permanecer firme por tempo prolongado, mesmo sob o fogo cerrado do inimigo. Era o que faziam os crentes de Tessalônica, vivendo numa sociedade que lhes era hostil (1.6; 2.14; 3.3-4). De onde lhes vinha o encorajamento para prosseguir? Vinha da esperança, ou seja, da expectativa de um evento futuro que, ao se realizar, traria-lhes alívio, livramento, paz e segurança. Esse evento tão esperado era a vinda do Filho de Deus (1.10). Se eles perdessem de vista essa esperança, abandonariam o evangelho tão logo recebessem a primeira pedrada.

A carta de 1Tessalonicenses foi escrita por volta do ano 51. O tipo de crente, porém, apontado por Paulo nas orações a que alude nessa epístola continua sendo o ideal do povo que verdadeiramente conheceu a fé no Filho de Deus. Em tempos de evangelho falso e corrompido, de igrejas mundanas e sujas, de pastores infiéis e mentirosos, de cristãos indecentes e imorais, o modelo que fez Paulo sorrir talvez seja um pouco difícil de ver. Por isso, quem conhece cristãos de fato — gente que tem os mesmos traços dos velhos crentes de Tessalônica — deve, a exemplo do apóstolo, dar graças a Deus por eles e sempre anelar por sua companhia.

Pr. Marcos Granconato

 

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