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Desertos Aguados

Pastoral

“Muito tempo atrás esse deserto era um imenso lago!”  

Essa é uma frase comum de muitos guias turísticos que trabalham nos cinturões secos (regiões desérticas e muito quentes) em torno das latitudes 30° S e 30° N. Entre essas latitudes está um cinturão de chuva de cada lado do Equador muito conhecido pelos brasileiros que residem no Amazonas. É uma área de forte precipitação e florestas tropicais, incluindo a área do rio Amazonas na América do Sul, Norte da Austrália, Sul da Ásia e África central. 

Todavia, evidências geológicas mostram que durante a Era do Gelo, o clima em torno de 30° S e 30° N era muito diferente do que é hoje. Esses desertos que já foram muito úmidos são extremamente difíceis para a ciência uniformitarianista porque seus modelos da Era do Gelo requerem um clima muito frio e, portanto, muito mais seco do que temos hoje. O uniformitarismo é a posição de que todas as rochas, fósseis e clima do passado podem ser explicados por processos muito “lentos e graduais”, negando, consequentemente, que o dilúvio de Gênesis tenha ocorrido. 

Para haver gelo, deve haver água. E para haver uma “Era do Gelo”, é preciso uma “Era de Águas”. Logo, a Era do Gelo requer uma precipitação abundante (condensação da umidade do ar) para formar as camadas de gelo e encher os lagos desse período. O problema é que, quanto mais frio o ar, menos umidade ele pode reter — e isso gera uma “sinuca de bico” para o uniformitarianismo: como ter, simultaneamente, por um longo período, baixas temperaturas e muita umidade para uma “Era do Gelo”? 

Segundo o meteorologista criacionista Mike Oard, o dilúvio de Gênesis traz pressupostos bastante razoáveis para a existência desse paradoxo meteorológico. Em todos os modelos realistas de dilúvio, os oceanos eram necessariamente muito mais quentes do que são hoje, e as rochas mostram que vulcões submarinos massivos continuaram a entrar em erupção por algum tempo depois. A evaporação desses oceanos mais quentes ocorreu naturalmente em um ritmo mais rápido do que hoje. 

A maior quantidade de evaporação após o dilúvio ocorreria nas latitudes médias e altas, pois é nesses locais que a diferença de temperatura entre a superfície do mar e o ar teria sido maior. A umidade do oceano quente teria então colidido com o ar frio que vinha dos continentes, gerando tempestades contínuas com nevascas maciças depositando gelo rapidamente na superfície da Terra.

Essas condições continuariam até que os oceanos esfriassem o suficiente para encerrar o excesso de evaporação, pondo fim ao acúmulo de gelo na Terra e a alta pluviosidade em outros lugares. No final da Era do Gelo, que durou vários séculos, o clima tornou-se ainda mais seco, ventoso e frio no inverno do que é hoje. Essas mudanças nas condições climáticas predispuseram os lagos que existiam no início da Era do Gelo para que evaporassem gradualmente revelando os desertos que outrora foram lagos. 

Os desertos de hoje têm guias turísticos e turistas, mas houve um tempo em que um deserto abrigou um profeta — João Batista — e dezenas de pessoas com a alma ressequida buscando o arrependimento de seus pecados: “[João Batista] Disse: Eu sou a voz do que clama no deserto: Endireitai o caminho do Senhor, como disse o profeta Isaías” (João 1.23).

Os lagos da Era do Gelo desapareceram, mas a voz que clama do deserto ainda ecoa em todas as latitudes de nosso planeta, chamando todos ao arrependimento e à submissão a Cristo, aquele que pode transformar qualquer coração desértico em uma fonte de água viva para a vida eterna: “Mas aquele que beber da água que eu [Jesus] lhe der nunca terá sede, porque a água que eu lhe der se fará nele uma fonte de água que salte para a vida eterna” (João 4.14). 

Ev. Leandro Boer  

 

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