Quinta, 18 de Outubro de 2018
   
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O que É Legalismo?

Pastoral

Há algumas semanas, uma das minhas filhas publicou uma postagem no Facebook dizendo que estava feliz por poder passar o dia arrumando o apartamento em que mora. Ela disse que vibrava em poder “treinar” para, no futuro, ser uma mulher bíblica, que soubesse cuidar da casa, seguindo o modelo proposto em Tito 2.3-5. Curiosamente, essa postagem causou alguns desconfortos e teve até uma pessoa que chamou minha filha de “legalista”.

A acusação de “legalismo” formulada pelos evangélicos em geral tem sido muito comum nos dias de hoje. Se um crente vai à igreja todos os domingos, se evita a aproximação muito forte de incrédulos de vida torta, se foge de vícios e de excessos, se procura uma comunidade de fé que zele pela decência e pela ordem, se evita ter a boca suja, se condena o namoro promíscuo ou mesmo se repudia a prática homossexual, logo surge alguém apontando o dedo e dizendo: “Esse crente é um fanático legalista. Ele ainda não sabe que estamos na época da graça!”.

Quando vemos essa postura difundida entre os cristãos por aí afora, parece que a única conclusão a que podemos chegar é que uma grande parcela do evangelicalismo moderno proclamou uma espécie de independência. Sim, uma independência em que as pessoas se dão o direito de não se submeter a Cristo e à sua Palavra nas esferas que julgam pesadas demais. E, pior: Essa gente proclamou a tal independência usando como base um conceito equivocado da graça, definindo-a como a liberdade concedida por Deus para que vivamos da forma como achamos melhor.

Assim, imitando os falsos mestres condenados na Epístola de Judas, muitos crentes de hoje “transformam em libertinagem a graça de nosso Deus” e, como consequência prática disso, rejeitam a soberania única do nosso Senhor Jesus Cristo sobre as suas vidas (Jd 4). Tendo se afastado das lições que ouviram no início da vida cristã, eles começaram a pensar que a graça divina confere a todos uma carta branca para que vivam como bem entendem, livres de quaisquer princípios que, porventura, os restrinja ou os condene em algum sentido (Jd 4).

Com a cabeça cheia dessas ideias e jamais sendo corrigidos (uma vez que nada de proveitoso emana dos púlpitos a que assistem), taxam, enfim, de legalismo qualquer forma de zelo ou de obediência cristãos, acreditando que, caso acolham modelos rigidamente bíblicos de vida, serão oprimidos pela necessidade de negar suas ideias e desejos pessoais.

É triste, mas proclamando sua independência, esses crentes perderam de vista a figura de “servo humilde do Senhor” que deve caracterizar a jornada de todo crente nesse mundo. De fato, esqueceram-se de que não são senhores de suas vidas, não tendo o direito de criar seus próprios princípios, valores e modos de vida. Esqueceram-se de que, estando submetidos a uma vontade celeste soberana, precisam acolher tudo que ela ordena em termos de como devem pensar, falar e agir.

Sinceramente, eu prefiro pensar que as pessoas que se incomodaram com a postagem da minha filha não se encaixam em nada disso. Prefiro pensar que elas simplesmente tiveram uma reação impensada, movida por qualquer detalhe que as tenha chateado. Prefiro, sim, pensar que elas são zelosas de cada detalhe das Escrituras, exatamente como ensinaram os crentes antigos, aqueles que conhecemos quando criança. Prefiro acreditar, enfim, que o cristianismo sem senhorio, desfigurado pelos conceitos seculares que fazem barulho por aí (como o feminismo que odeia a figura da dona de casa “oprimida”), jamais tenham se infiltrado em seus corações, pois quando o crente descuidado acolhe tais coisas, tudo que recebe em troca é frieza espiritual, insatisfação no coração, vazio na alma e, muitas vezes, vergonha e escândalos na vida.

Ah, eu escrevi, escrevi, escrevi e não respondi à pergunta que encabeça este texto. Bom, segue aqui a resposta: Legalismo é a visão teológica que atribui a salvação eterna à estrita observância de regras. Por outro lado, viver como crente zeloso, sujeito aos ensinos e princípios da Palavra de Deus tem outro nome: “Obediência”.

Pr. Marcos Granconato

Soli Deo gloria

 

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