Quinta, 06 de Agosto de 2020
   
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Torcer para Quem?

Pastoral

Nesse semana, deu-se na Argentina o primeiro jogo da final da Copa Libertadores da América. De um lado, o Club Atlético Boca Juniors. De outro, o Sport Club Corinthians Paulista. Como meu time não chegou à final, eu tinha de escolher um dos dois para torcer. Sendo um “anticorinthiano” convicto, a escolha parecia óbvia. Entretanto, assim que começou o jogo, mesmo que eu tivesse decidido torcer pela derrota do Corinthians, eu não estava nada feliz de torcer por um time argentino – dada a rivalidade histórica entre o futebol dos dois países. Desse modo, fiquei com o conflito de não querer ver o Corinthians campeão, mas desejando que o título ficasse com um time brasileiro e não argentino. Acho que nem vou assistir ao último jogo!

Esse tipo de conflito não pertence apenas à esfera esportiva. Nessa semana, duas pessoas me relataram lutas que têm na esfera espiritual. Uma delas confessou grande dificuldade de ler as Escrituras apesar de saber a necessidade que temos, como servos de Deus, e os benefícios da leitura constante. Outra pessoa, em plena adolescência, me relatou em meio a prantos a vergonha que sentia diante de Deus por saber que teve oportunidades de testemunhar do amor de Cristo e as desperdiçou por temer os amigos. Quem dera tais conflitos fossem restritos a essas duas pessoas! Na verdade, todos os crentes vivenciam a luta de desejar servir a Deus e serem, ao mesmo tempo, impulsionados a cumprir os desejos da carne.

O apóstolo Paulo relatou uma experiência do mesmo tipo: “Porque nem mesmo compreendo o meu próprio modo de agir, pois não faço o que prefiro, e sim o que detesto. Ora, se faço o que não quero, consinto com a lei, que é boa. Neste caso, quem faz isto já não sou eu, mas o pecado que habita em mim. Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem nenhum, pois o querer o bem está em mim; não, porém, o efetuá-lo. Porque não faço o bem que prefiro, mas o mal que não quero esse faço. Mas, se eu faço o que não quero, já não sou eu quem o faz, e sim o pecado que habita em mim” (Rm 7.15-20). Quando ele diz “já não sou eu, mas o pecado que habita em mim”, sua intenção não é se isentar do erro, mas afirmar a presença da sua natureza pecaminosa e sua inclinação para a carne, ainda que fosse uma nova criatura com os melhores desejos de se santificar e de servir ao Senhor.

Saber que essa é uma experiência normal na vida dos crentes não basta, nem traz alívio ao coração. Em lugar disso, os crentes são orientados pelo próprio apóstolo a se posicionar de tal maneira que essa realidade não sobrepuje a nova condição espiritual (2Co 5.17), nem nossa cidadania celestial (Fp 3.20). Nesse sentido, a primeira providência é não tomar como pretexto a graça de Deus: “Que diremos, pois? Permaneceremos no pecado, para que seja a graça mais abundante? De modo nenhum! Como viveremos ainda no pecado, nós os que para ele morremos?” (Rm 6.1,2). De maneira alguma o perdão de Deus deve ser uma desculpa para se viver despreocupadamente em pecado e em postura de insensibilidade para com as orientações divinas. Assim, nenhum crente pode simplesmente dizer “a carne é fraca” e se tranquilizar quanto à convivência com o mal.

A segunda providência é travar uma batalha para subjugar a velha natureza: “No sentido de que, quanto ao trato passado, vos despojeis do velho homem, que se corrompe segundo as concupiscências do engano [...] e vos revistais do novo homem, criado segundo Deus, em justiça e retidão procedentes da verdade” (Ef 4.22,24). Caim recebeu a ordem de lutar e ter domínio sobre os desejos maus (Gn 4.7) – no que ele falhou, nós devemos ter êxito. Nesse caso, faz-se mais que necessária a submissão dos nossos desejos e pensamentos ao nosso Deus por meio da substituição pela meditação na sua palavra e pela luta por se parecer com nosso Salvador: “Não mintais uns aos outros, uma vez que vos despistes do velho homem com os seus feitos e vos revestistes do novo homem que se refaz para o pleno conhecimento, segundo a imagem daquele que o criou” (Cl 3.9,10).

A terceira é considerar essa uma luta permanente: “Uma coisa faço: esquecendo-me das coisas que para trás ficam e avançando para as que diante de mim estão, prossigo para o alvo, para o prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus” (Fp 3.13,14). Nenhuma vitória deve tornar os crentes relapsos por acharem que já progrediram o suficiente. Nenhum crescimento deve ser o bastante para nós. Assim como o apóstolo, que estava preso e diante da possibilidade de ser condenado à morte, devemos olhar para frente e traçar novas metas de crescimento espiritual e trabalhar por isso – obviamente, na inteira dependência de Deus para tanto (Fp 2.12,13).

Apesar do que o futebol representa na cultura brasileira, realmente não me importo com quem vencerá a Libertadores da América – isso é apenas diversão e não me sinto obrigado a torcer por ninguém. Mas no campo espiritual, tenho uma torcida bastante definida: quero ver minha velha natureza derrotada e minha nova condição espiritual prevalecendo a fim de combinar com minha realidade futura, na presença de Cristo, erguendo a taça da vida eterna.

Pr. Thomas Tronco

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