Segunda, 10 de Agosto de 2020
   
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Pós-Verdade

Pastoral

Uma das principais estratégias do mundo para acabar com o cristianismo é a desconstrução daquilo que sempre se teve como verdade. E, originado nas proposições do humanismo renascentista seguido pelos ideais iluministas, o progressismo dos dias atuais cunhou a figura da “pós-verdade”, nos mesmos moldes do perspectivismo moral de Nietzsche, seguindo a assertiva de que “não há fatos, apenas interpretações”.

A pós-verdade é um termo que serve para designar o modo como os meios de comunicação tratam a verdade factual. Aliás, os fatos têm pouca ou quase nenhuma relevância na hora de modelar a notícia e torná-la pública. A ênfase pretendida está no apelo às emoções e crenças com o fim de fomentar um pensamento, podendo até mesmo desconstituir a verdade em si. A informação dos fatos é sobreposta pela interpretação deles com o fim de apresentar e defender uma ideia, seja ela pouco condizente ou absolutamente desconexa com a verdade.

Se você acha que essa é uma discussão ou preocupação somente para filósofos ou críticos do pensamento, está muito enganado. A pós-verdade entra na nossa casa pelo jornal, notícias, redes sociais e delineou, infelizmente, nossa comunicação. Quer um exemplo? Tente encontrar nos jornais uma notícia que elogia ou exalta policiais ao invés de apontá-los como vilões truculentos. Longe disso, pintam os bandidos como vítimas da sociedade.

Não foi à toa que o termo pós-verdade foi escolhido como a palavra do ano de 2016 pelo dicionário Oxford e, nesse mesmo período, viu as ocorrências da expressão no Google subirem 2.000%.

De maneira inconcebível, as igrejas deram lugar à pós-verdade. Expoentes do meio evangélico têm defendido, por exemplo, que o autor bíblico errou ao afirmar ser Deus o autor de determinadas ações no Antigo Testamento (Êx 9.12; 2Sm 2.25), quando, segundo eles, foi o diabo. Crescem aqueles que negam as questões mais basilares da fé sob o argumento de ser matéria de interpretação pessoal. Inventaram, por assim dizer, um “pós-evangelho” que retira de Deus o protagonismo e autoria, pondo o homem no lugar de preeminência, assim como sugere o progressismo e o liberalismo teológico. Parafraseando o filósofo alemão, “não há verdades bíblicas absolutas, apenas interpretações pessoais”.

Para acabar com esse veneno que contaminou a sociedade e a igreja, o cristão deve tomar o antídoto em duas doses. A primeira dose é a verdade. O crente deve primar sempre por falar, relatar e promulgar a verdade (Pv 12.22; 23.23; Jo 17.17). No mundo da pós-verdade, esse mandamento tem perdido sua obviedade, pois utilizamos os mais diversos expedientes para substituir a verdade por aquilo que gostaríamos que fosse verdade. Desde inflar nossas qualidades ou bens em uma conversa com os amigos, até publicar uma notícia falsa (ou com meia verdade) nas redes sociais, tudo isso destoa da obrigação moral e espiritual que o cristão tem em falar a verdade. Sejamos verdadeiros e criteriosos.

Quando escreveu aos coríntios, o apóstolo Paulo rogou-lhes que não interpretassem erroneamente os fatos dando ocasião ao engano, mas que tão somente a verdade fosse enfrentada e resguardada (2Co 13.7-8).

A segunda dose é a clareza. As palavras proferidas pelo crente, por qualquer meio, devem trazer uma mensagem evidente, transparente e compreensível (1Co 2.1,4). Sem rodeios ou meandros, o crente não pode deixar pontas soltas em seu discurso a fim de se safar em eventual confrontação. A frase “não foi isso que eu quis dizer” tem se tornado um instrumento ardiloso para aqueles que não assumem a responsabilidade pelo que falam e escrevem. Sob o argumento de que “essa é a sua interpretação”, querem se livrar do peso e da consequência de suas afirmações mentirosas.

A pós-verdade nada mais é do que uma mentira maquiada com o objetivo de fomentar o sistema enganoso deste mundo. Esta era já estava prevista (2Ts 2.11; 2Tm 4.4) e se tornou uma excelente oportunidade para o cristão se destacar como um pequeno farol que defende, compartilha e expõe com clareza a verdade factual (Ef 4.25).

Pr. Isaac Pereira


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