Quarta, 20 de Novembro de 2019
   
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Você não Sabe o que É Passar Fome!

Pastoral

Sou o quinto filho de uma família pouco abastada. Não havia regalias na casa dos meus pais. Tudo era muito bem contado, mas nunca tive falta de nada. Lembro de eles se esforçando para não deixar faltar o essencial a mim e a meus irmãos. Diante dessas limitações, não era necessário muito para enfurecer meu pai. Bastava desperdiçar alimento, por exemplo. Era bronca na certa. Ele esbravejava: “Menino, você sabe quanta gente queria ter um prato de comida e não tem? Você faz isso porque não sabe o que é passar fome”. Apesar de tudo, meu pai tinha razão. Os tempos eram difíceis e não podíamos desperdiçar.

Quando lembro dessas experiências da minha infância e observo o modo leviano como alguns crentes lidam com suas igrejas, vem-me à mente a repreensão do meu pai. Suspeito que tais pessoas se comportem dessa maneira por não saberem o que é sentir fome da exposição séria das Escrituras e, também, por não serem privados da oportunidade de desfrutar de um convívio santo com o povo de Deus. Como o pecado é tolo! Uma espécie de cegueira afeta aqueles que se deixam guiar pelo sentimento de autossuficiência. O desprezo pelos irmãos, pela pregação e pelas coisas de Deus revela muito acerca de onde está o coração desses indivíduos. 

O apóstolo Paulo teve de lidar com problemas semelhantes em Corinto. Os crentes daquela cidade desfrutavam do privilégio de terem sido enriquecidos na Palavra e em todo conhecimento, de modo que não lhes faltava nenhum dom espiritual (1Co 1.5-7). Mesmo assim, as divisões e o desprezo pela verdade eram predominantes entre eles (1Co 1.10-11; 5.1-2; 11.18-22). Foi preciso que Paulo os confrontasse com o objetivo de resgatá-los do engano (2Co 7.8-11).

Sabemos, é claro, que há igrejas defraudadas por líderes mentirosos. Vivemos dias em que a popularidade é hipervalorizada. Sendo assim, não é de admirar que discursos bajuladores se apresentam como a marca registrada dos falsos mestres. Eles dizem o que for necessário para fazer seus fiéis se sentirem confortáveis consigo mesmos. Eles não denunciam o erro, não apontam as falhas e não se ocupam da pregação da Palavra, tão essencial para a conversão dos perdidos (Rm 10.17; 1Co 1.21). Simplesmente, adulam seus ouvintes com vistas a subtrair deles o máximo que puderem.

Mas eu ainda gostaria de falar de um outro grupo. Não o dos pseudopastores, mas o das pseudo-ovelhas. Quero me referir àqueles que, dizendo-se irmãos, são impuros, avarentos, idólatras, maldizentes, beberrões ou ainda roubadores (1Co 5.11). Quero me concentrar por um instante naqueles que buscam desviar o foco dos crentes verdadeiros, tirando deles o apetite pelo alimento sólido da Palavra de Deus. Eles desprezam a verdade porque nunca sentiram falta dela. Não pensem que estou falando de incrédulos que estão fora dos muros da igreja. Os que retrato aqui muitas vezes circulam em nosso meio. Eles nos rodeiam e tramam contra nós, estando sempre à espreita, prontos para nos atacar. O comportamento deles não é diferente do modo de agir do próprio diabo (1Pe 5.8). Quanto a esse tipo de pseudo-ovelha, Paulo nos exorta: “Com esse tal, nem sequer comais” (1Co 5.11).

Portanto, devemos valorizar a comunhão santa entre os irmãos, esforçando-nos diligentemente por preservar a unidade do Espírito pelo vínculo da paz (Ef 4.3). Temos de nos apegar à Sagrada Escritura e valorizá-la. Nada pode ser mais caro a nós, pois somente as Sagradas Letras podem nos tornar sábios para a salvação pela fé em Cristo Jesus (2Tm 3.15). Agindo assim, glorificaremos a Deus e contribuiremos para a edificação do corpo de Cristo.

Que Deus nos ajude!

Robson Maciel Alves

 

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