Sexta, 18 de Outubro de 2019
   
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Sabedoria nos Relacionamentos

Pastoral

Nossa geração enfrenta uma crise no campo dos relacionamentos. Muitos casais não se entendem e vivem uma verdadeira arena de batalhas em seus lares. Pais e filhos enfrentam graves dificuldades de comunicação. Várias igrejas, locais em que deveriam imperar harmonia e paz, são profundamente afetadas por contendas e divisões entre seus membros. Evidentemente, nem todos experimentam essa realidade, mas não podemos negar que diversas pessoas e instituições sofrem sérios problemas desse tipo. O fato é que, para se relacionar com outras pessoas, é necessário ter sabedoria.

A convivência pode ser satisfatória e repleta de compromissos, mas também pode ser perigosa e frustrante. Há inúmeros livros de autoajuda que se propõem a lidar com o tema. Uma gama gigantesca de autores oferece as mais diversas fórmulas para se ter um relacionamento feliz e duradouro e — pasmem — existe até mesmo aqueles que ensinam como fazer amigos e influenciar pessoas. Na prática, porém, as coisas não são como pressupõem os “gurus” dos nossos dias. As premissas sobre as quais fundamentam suas dicas não são suficientemente fortes para garantir que os relacionamentos sejam, de fato, frutíferos.  

Sabemos que no trato diário sempre haverá conflitos. Afinal de contas, um dos efeitos do pecado foi manchar não somente o convívio entre Deus e o homem, mas também do homem com seus pares. A propósito, um tema recorrente nas Escrituras é a divisão entre o povo de Deus. Todos nós devemos nos lembrar do problema que havia na igreja de Corinto na celebração da ceia do Senhor. Havia ali acentuada divergência e divisão entre os irmãos, um grave problema de relacionamento que implicava até mesmo o desprezo dos mais humildes pelos mais abastados (1Co 11.18-22). Paulo também exorta duas queridas irmãs da igreja de Filipos, Evódia e Síntique, a que vivessem em harmonia (Fp 4.2-3). O próprio apóstolo Paulo enfrentou problemas nesse campo na ocasião em que se desentendeu com seu grande amigo Barnabé (At 15.39). Isso tudo serve para demonstrar que relacionamentos envolvem conflitos.

Contudo, o Senhor não nos deixa à deriva, sem saber como devemos lidar uns com os outros. Ao contrário, encontram-se nas Escrituras preciosas orientações que visam a tornar a convivência entre o povo de Deus mais harmoniosa. Em Colossenses 3.12-16, Paulo dá instruções acerca de como deve ser o relacionamento entre os crentes. É interessante notar que, logo no início do versículo 12, antes de partir para as orientações práticas, o apóstolo chama a atenção para a condição atual de seus leitores, “povo escolhido de Deus, santo e amado”. O que se deve esperar dos relacionamentos em uma comunidade em que indivíduos carregam prerrogativas como essas? Aos que experimentaram o amor genuíno de Deus em Cristo Jesus, espera-se que haja entre eles “profunda compaixão, bondade, humildade, mansidão e paciência” (v.12). Eis as marcas de um relacionamento que glorifica a Deus.

As orientações de Paulo continuam e, no versículo 13, ele toca em dois pontos fundamentais para uma boa convivência: tolerância e perdão. A ideia de “suportar”, presente na passagem, remete ao dever de tolerar irmãos com costumes, atitudes e gestos diferentes dos nossos, com o intuito de preservar a harmonia. Notem que Paulo, de modo algum, está encorajando os crentes de Colossos a serem tolerantes com o pecado. Sua orientação, isso sim, é que o povo de Deus, ao primar pela unidade, deve aturar os irmãos de origem e formação diferentes das deles. E mais: a exortação do apóstolo é que, nos relacionamentos, deve haver genuíno perdão, tendo como referência o perdão de Cristo dispensado sobre seu povo.

Na sequência, Paulo submete todas as virtudes ao amor (v.14). Nesse sentido, compaixão, bondade, humildade, mansidão, paciência, tolerância e perdão estão sob o bojo do amor. É como se o amor fosse um forte onde todas essas virtudes se abrigam. Não se deve perder de vista que a intenção do apóstolo Paulo, desde o início, é propor um estilo de vida marcado por harmonia e paz na comunidade dos santos. No versículo 15 isso fica ainda mais evidente.

Por fim, indivíduos interessados em desfrutar de relacionamentos que glorificam a Deus devem ser habitados pela Palavra, com o objetivo sincero de forjar em seu próximo o caráter de Jesus Cristo. Nesse processo haverá espaço para apoio, consolo, instrução e exortação. Como membros da comunidade da fé, o crente verdadeiro deve ter o compromisso sincero de buscar desenvolver em seus irmãos a imagem de Cristo. Para isso, no versículo 16 Paulo diz: “Ensinem e aconselhem-se uns aos outros”.

Que Deus nos dê sabedoria para viver em comunidade e que nunca percamos de vista que nossos relacionamentos devem ser construídos de modo coerente como a nossa nova condição em Cristo Jesus!

Robson Alves

 

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