Quarta, 20 de Novembro de 2019
   
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A Grande Responsabilidade dos Pais

Pastoral

Foi dito, certa vez, o seguinte: “Alguns pais são engraçados. Eles se recusam a dar aos filhos jovenzinhos as chaves do carro, pois sentem que eles ainda não têm maturidade suficiente para tomar as decisões apropriadas que são imperativas para dirigir com segurança. Porém, eles se recusam a dirigir a vida religiosa dos filhos porque dizem que eles devem chegar às suas próprias conclusões” (F. D. Elliott).

Frase curiosa essa! Entretanto, bastante eficaz em revelar um sério problema: a negligência dos pais no que diz respeito à educação e à direção dos filhos nos caminhos, no crescimento e na comunhão com o Senhor.

De fato, é sabido que a criação dos filhos exige tempo, esforço e paciência que nem sempre os pais têm. Mesmo assim, isso não torna tais pais maus ou desinteressados, mas pessoas que tentam se adaptar às novas circunstâncias e exigências da vida paterna e das fases pelas quais os filhos passam. Alguns recursos ajudam nesse sentido, como a compra de produtos como videogames, computadores e televisões para que os filhos fiquem entretidos no uso de tais equipamentos enquanto seus pais têm um tempo para si mesmos. Ou, então, a busca por atividades diárias excessivas a fim de ocupar o tempo dos pequenos dividindo com outros e responsabilidade pelo cuidado deles.

Não me entenda mal: essas coisas não são erradas em si e é compreensível a dificuldade dos pais na educação e cuidado dos filhos. Entretanto, há um limite, infelizmente não tão fácil de traçar, entre a lida com as agruras da paternidade em um mundo atarefado e veloz como o nosso e a negligência paterna — entenda-se “paterna e materna” — na criação dos filhos, pequenos e grandes. Mais infeliz ainda é a constatação tardia de que se tomou o caminho da negligência e que resultados tremendamente indesejáveis vieram à tona em caráter permanente, mesmo que depois os pais desejem se empenhar para minimizar os prejuízos.

Por isso, os pais crentes têm de refletir, à luz das Escrituras, qual é o seu papel e quais são as atitudes inapropriadas, apesar de populares hoje em dia, para honrar sua família e a responsabilidade que receberam de Deus.

Em primeiro lugar, a Bíblia ensina desde seu início aos pais a inculcar nos filhos a Palavra de Deus: “Estas palavras que, hoje, te ordeno estarão no teu coração; tu as inculcarás a teus filhos, e delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e ao deitar-te, e ao levantar-te” (Dt 6.6,7). É claro que, para isso, tais palavras têm de estar primeiro “no teu coração”, em uma vida que exemplifica aos filhos os ensinos do Senhor. E, nesse caso, não vale dizer “faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço”. Ensinar o caminho para seguirem significa pegar em suas mãos e fazer com eles o trajeto, o que cansa, mas que tem resultados que perduram por toda a vida: “Ensina a criança no caminho em que deve andar, e, ainda quando for velho, não se desviará dele (Pv 22.6).

Em segundo, as Escrituras orientam pais e mães a trabalhar em conjunto: “Filho meu, ouve o ensino de teu pai e não deixes a instrução de tua mãe” (Pv 1.8). É muito comum ouvir um ou outro dizer “eu não tenho muito jeito com crianças” ou “meu cônjuge faz isso melhor”. Uma educação em que um dos pais ensina algo e o outro desfaz tal ensino nada mais é que uma piada de muito mau gosto. Ambos têm de estar em pleno acordo e esforço na mesma tarefa. Diante dos filhos, o progenitor que der o pior exemplo é quem acaba influenciando-os — infelizmente, com uma influência negativa.

Terceiro, a Palavra de Deus ainda instrui os pais a corrigir e dizer “não” aos filhos: “A estultícia está ligada ao coração da criança, mas a vara da disciplina a afastará dela” (Pv 22.15). Essa estultícia é tanto a razão de os pequenos não poderem dirigir — vide a citação inicial do texto — como não poderem decidir por si mesmo os rumos da sua vida. Eles têm de ser ensinados e corrigidos e, de modo algum, podem fazer o que lhes “der na telha”. A ausência desse tipo de correção, difícil e chato de ser feito — reconheço isso —, produz um mal para os rebentos que nenhum pai planejaria fazer: “O que retém a vara aborrece a seu filho, mas o que o ama, cedo o disciplina” (Pv 13.24).

Diante disso, o que dizer de certas questões e circunstâncias? Os filhos devem decidir sozinhos se querem ou não ir à igreja, ou às reuniões de jovens? Não! Devem se envolver mais com amigos incrédulos que com os irmãos da fé? Não! Podem escolher os lugares em que vão sem que os pais usem os critérios da Palavra de Deus para vetar os ambientes negativos? Não!

E quanto aos pais? Podem deixar que sua vida espiritual enfraqueça e, ao mesmo tempo, desejar ou cobrar que os filhos cresçam espiritualmente? Não! Podem se negar a levar seus filhos aos cultos com a devida frequência? Não! Podem deixar de exigir a postura correta dos filhos, ensinando-os o correto? Não! Podem negligenciar seus deveres paternos quando cansados, ocupados ou distraídos? Não! Podem fazer “vista grossa” aos erros dos filhos para não terem o trabalho que dá exercitar a disciplina? Não! Podem deixar de ser exemplo positivo em tudo? Não!

É um caminho duro, eu sei. Mas faça e faça bem o que deve ser feito agora, pois depois não adianta reclamar de Deus, da vida, da sorte e dos filhos. Dependendo de como os pais agem agora com seus filhos, colherão um ou outro resultado, o qual mudará os rumos de suas vidas e de seus filhos, para bem ou para mal, e de todos ao seu redor: “O filho sábio alegra a seu pai, mas o filho insensato é a tristeza de sua mãe” (Pv 10.1).

Pr. Thomas Tronco

 

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