Segunda, 23 de Setembro de 2019
   
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Uma Palavra de Esperança

Pastoral

Quando eu era mais jovem e precisava lidar com certas dificuldades típicas da adolescência, meu pai me encorajava, algumas vezes, dizendo em tom imponente e desafiador: “Ponha a faca entre os dentes e vá à luta!”. Esse breve discurso me dava coragem para seguir adiante um pouco mais. De certa forma, eu me sentia entusiasmado e esperançoso com o modo que ele falava.

Dessa maneira, quando novas dificuldades surgiam, eu sempre recorria ao conselho do meu pai. Os anos, porém, passaram-se e meu pai se foi. Os problemas ganharam novas formas e tamanhos e passaram a ser mais difíceis de resolver. Por um momento, eu tentei repetir a mim mesmo o velho jargão, mas o resultado já não era o mesmo. Eu havia me tornado adulto e antigas fórmulas não funcionavam como antes.

Todos nós estamos chocados com as tragédias que temos assistido ultimamente. Homens bomba, crimes “passionais” e suicídios são manchetes todos os dias nos jornais. Como se ainda não bastasse, lidamos com a corrupção da política, epidemias, desemprego e vários problemas pessoais. Diante dessas coisas, muitas vezes nos sentimos cansados e abatidos.

Frases de efeito não são suficientes para abrandar corações angustiados pelas mazelas do mundo. A seção de autoajuda de qualquer livraria está sempre repleta de livros que prometem auxiliar qualquer um a lidar com todos seus problemas, promessas que, na verdade, não podem cumprir. Não basta dizer: “você pode; você consegue; invista em seu sonho”. A resposta que insistem em dar, que consiste apenas de impressões pessoais e insights de seus autores, são como um ópio que ludibria leitores descuidados.

A vida cristã, por sua vez, não é um mar de rosas, como afirmam os proponentes da teologia da prosperidade. Não há saúde perfeita, os negócios nem sempre vão bem e sempre haverá dificuldades nos relacionamentos. Nosso novo modo de ver as coisas nos faz enxergar com maior clareza nossa condição e a do mundo em que vivemos. Podemos notar os contornos assustadores no mal, suas insinuações e sutilezas.

A boa notícia, porém, é que não estamos à deriva. Não cremos no “deus” do Deísmo, que é apresentado com um relojoeiro que cria um relógio mecânico e que, ao dar corda nele, deixa-o trabalhar por conta própria. Não! Nosso Deus não está ausente. Pelo contrário, ele está presente e continua trabalhando (Jo 5.17), de modo que nada escapa da sua vontade (Ef 1. 11). Isso, por si só, deve ser suficiente para nos encher de esperança.

Devemos nos lembrar de que estamos aqui somente de passagem. Somos como forasteiros em terra estranha. Essa não é nossa pátria e não somos daqui (Jo 15.19). Nossos propósitos não são os mesmos dos que pertencem a esse mundo. Aquele que nos comissionou, fez-nos “geração eleita, sacerdócio real, nação santa, povo exclusivo de Deus, para anunciar as grandezas daquele que os chamou das trevas para a sua maravilhosa luz” (1Pe 2.9).

Sendo assim, devemos caminhar a passos firmes com a faca entre os dentes, ou melhor, portando a espada do Espírito, que é a Palavra de Deus (Ef 6.17). O mundo, enquanto sistema, continuará a produzir seus males e nos resta, portanto, apropriar-nos do que disse o apóstolo Paulo, que diante de certas dificuldades que estava enfrentando, exclamou: “De todos os lados somos pressionados, mas não desanimados; ficamos perplexos, mas não desesperados; somos perseguidos, mas não abandonados; abatidos, mas não destruídos” (2Co 4.8-9).

Por fim, devemos manter viva a nossa esperança. Ele virá (Ap 22.20)! Lembremo-nos sempre de que os nossos sofrimentos atuais não podem ser comparados com a glória que em nós será revelada (Rm 8.18).

Robson Maciel Alves

 

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