Terça, 11 de Agosto de 2020
   
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Cloreto de Sódio

Pastoral

“Vós sois o sal da Terra; ora, se o sal vier a ser insípido, como lhe restaurar o sabor? Para nada mais presta senão para, lançado fora, ser pisado pelos homens” (Mt 5.13).

Na Antiguidade, o sal era retirado de regiões alagadas pelo mar que, durante a época de seca, permitiam sua extração. Também era tirado de rochas. Em qualquer dos casos, nem sempre o sal era puro, vindo misturado com outras substâncias que podiam torná-lo insípido ou inútil. Outras vezes, o sal se tornava sem sabor por causa do contato com o solo ou por causa de sua exposição à chuva e ao Sol.

Quando o sal se tornava impróprio para o uso, perdendo o seu sabor, não havia remédio para ele. Isso porque o sal pode salgar os alimentos, mas não há como salgar o próprio sal. Assim, quando perdia o sabor, o sal era simplesmente jogado fora.

Mas, notem bem: o sal inútil não era lançado em qualquer lugar, pois, se fosse jogado em solo cultivável, tal solo perderia a fertilidade. Por isso, o sal insípido era jogado na rua. Ali os transeuntes caminhavam sobre ele, pisando-o sem sequer notar sua existência.

Jesus disse que nós, seus discípulos, somos o sal da Terra, mas que podemos, infelizmente, perder nossas propriedades. O que significam essas coisas?

Na figura do sal está presente a ideia básica de sabor. Levando isso em conta, possivelmente Jesus quis ensinar que o crente é uma pessoa que ajuda o mundo a ser mais saboroso. Como assim? Talvez o significado disso esteja presente em Marcos 9.50 que conecta a figura do sal à pessoa amiga da paz. Se for esse o caso, ser sal é ser alguém sereno, inimigo de intrigas ― alguém dócil, que promove a amizade e a cordialidade, longe de brigas e contendas.

Outra noção transmitida pela figura do sal é a de preservação. Considere-se que, ligado a isso, nos dias de Cristo o sal também era usado como agente de limpeza ou purificação. O sal, portanto, era visto como um elemento que ajudava a retardar o processo de putrefação. Assim, se o discípulo de Jesus é sal, espera-se que sua presença, testemunho, mensagem e influência refreiem um pouco o processo de apodrecimento a que este mundo está sujeito e estimule uma “limpeza” maior no modo como as pessoas vivem, conduzindo-as por caminhos puros e honrosos.

Deve-se ainda levar em conta que os rabinos dos dias de Jesus entendiam o sal como figura de sabedoria. Parece que Paulo adotou esse sentido da ilustração do sal em Colossenses 4.6. Nesse caso, o crente, sendo sal, é alguém cujas palavras revelam entendimento e moderação. Suas frases causam impacto no coração das pessoas (At 2.37). Por isso, para os rabinos, dizer que alguém perdeu o sabor era uma forma de descrever a pessoa que havia se tornado estúpida ou tola. Talvez Jesus tivesse a intenção de ensinar isso também no texto analisado aqui.

Se tudo isso for levado em conta, fica fácil entender como é o discípulo de Cristo que se tornou “insípido”. Trata-se daquele que é amargo e contencioso, que não retarda a putrefação do mundo (talvez até a incentive e participe dela), que não ajuda a sociedade a ser mais pura (levando os homens a uma nova vida) e que não transmite sabedoria em suas palavras, repetindo apenas, sem qualquer recato, as ideias tolas da cultura corrupta que nos cerca.

Jesus diz em sua ilustração que o crente assim não serve para nada (crente?). Como sal insípido, tal discípulo (discípulo?) será posto numa posição em que os homens apenas o pisarão. Isso não significa que o mundo vai desprezá-lo. Não! O desprezo do mundo é dirigido aos discípulos que têm sabor (veja-se Mt 5.11-12, trecho que antecede imediatamente o versículo comentado aqui). O ato de os homens pisarem o sal sem sabor ilustra a realidade de que as pessoas passarão indiferentemente pelo crente insípido. De fato, quando o sal era jogado na rua, os homens simplesmente andavam sobre ele, sem sequer notar que estava ali misturado à poeira.

Assim será com o crente sem sabor. Os homens passarão por ele, mas sem notar quem ele é, sem perceber que há um discípulo de Cristo ali, sem se incomodar com seu testemunho de vida ou de palavras, já que, na verdade, esse testemunho não existirá.

Que vergonha ser um crente assim! Ninguém nota sua existência. Ele não faz diferença nenhuma entre seus familiares incrédulos, nem entre seus amigos do trabalho ou da escola. É como uma rosa murcha e sem perfume. Não presta para nada.

Surge então, diante disso, a pergunta chata, mas fatal: você é sal? Você é pacífico e amigável? Você impede a putrefação deste mundo e evita participar dela? Você trabalha como agente purificador nesta sociedade imunda? Você fala com sabedoria, conduzindo as pessoas à fé e à virtude? Se você é um discípulo que não faz nada disso, lamento, mas sua vida não serve pra nada. Foi Jesus quem disse e ele sempre está certo.

Pr. Marcos Granconato

Non nobis, Domine


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