Segunda, 23 de Setembro de 2019
   
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Sente e Espere

Pastoral

“Disse então Noemi: ‘Agora espere, minha filha, até saber o que acontecerá’” (Rt 3.18a).

Atribui-se a Jean Cocteau (1889-1963), um poeta francês, a frase “não sabendo que era impossível, foi lá e fez”. A frase se popularizou nas redes sociais, especialmente naquelas especializadas em mercado de trabalho (ex.: LinkedIn), como um lema de pessoas realizadoras e proativas. Logo, há pouco espaço para que a passividade seja considerada uma virtude no mercado de trabalho.

Até mesmo para o agricultor que lança sua semente e precisa esperar pela colheita, a passividade completa não é aconselhável. Enquanto espera, ele se mantém ainda ativo, extremamente atento às condições meteorológicas, aos problemas com a irrigação, aos animais que possam invadir o campo para se alimentar das sementes e até mesmo aos preços praticados pelos mercados a fim de comercializar sua colheita.

Todavia, há vários momentos em nossa vida em que somos colocados em situações nas quais a espera é exatamente o que precisamos praticar a fim de obter o alívio e resolução dos problemas. São aquelas situações em que dizemos “não havia mais nada para eu fazer senão esperar”, assim como o que aconteceu com Rute. Ela já havia feito tudo que estava ao seu alcance para sinalizar a Boaz seu interesse no matrimônio, mas o próximo passo, evidentemente, só poderia ser dado por ele mesmo.

Será que Boaz manteria uma disposição favorável com Rute caso Noemi a tivesse aconselhado de modo diferente? Com relação a isso, até mesmo constatações seculares, como a de Ernest Hemingway — “não confunda ação com movimento” —, mostram que o conceito de ação é mais amplo do que imaginamos e também abrange a espera. Há muita ação no ato de esperar, a começar pelo esforço de conter nossos próprios impulsos de “fazer algo a respeito”. Muitas vezes, o esforço de contenção é doloroso e, no caso dos cristãos, é também o momento em a fé e a confiança no Senhor são claramente exercitadas. Logo, há diferença entre aquele que é passivo e aquele que espera: o passivo é o preguiçoso, o qual não sente dor e angústia até que algo lhe aconteça (Pv 19.15).

Infelizmente, o meio evangélico está insensível aos conceitos expostos acima e tem mergulhado de cabeça no modo de pensar do mundo atual. Vemos a atitude de líderes evangélicos que ensinam o rebanho a não esperar pelo livramento de Deus quando tudo o que está ao nosso alcance já foi esgotado. Para tanto, o rebanho é estimulado a insistir diante do trono de Deus durante o “culto da vitória”, na quarta-feira, para depois retornar para o “culto do triunfo”, da sexta-feira, semana após semana, mês após mês. Sobre isso, Jesus ensinou que “quando orarem, não fiquem sempre repetindo a mesma coisa, como fazem os pagãos. Eles pensam que por muito falarem serão ouvidos” (Mt 6.7).

Quando os judeus estavam para ser invadidos pelos exércitos da Assíria, eles não souberam esperar pelo Senhor que havia claramente proibido qualquer pedido de ajuda ao faraó do Egito. E foi exatamente por não saberem esperar em Deus que a ruína lhes sobreveio. O próprio Senhor disse, por meio do profeta Isaías, que “no arrependimento e no descanso está a salvação de vocês, na quietude e na confiança está o seu vigor, mas vocês não quiseram. Vocês disseram: ‘não, vamos fugir a cavalo’. E fugirão!” (Is 30.15,16a).

Em tempos de “cultos poderosos” e de “técnicas infalíveis” de pessoas que não sabem mais harmonizar suor, trabalho e espera, é ainda mais necessário exercitarmos a espera santa que Deus nos ensina: “Aquietai-vos e sabei que eu sou Deus; serei exaltado entre os gentios; serei exaltado sobre a terra” (Sl 46.10). Você já orou e fez tudo que estava ao seu alcance? Agora descanse e espere no Senhor.

Ev. Leandro Boer

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