Segunda, 18 de Novembro de 2019
   
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Reagindo às Provocações dos Incrédulos

Pastoral

A Bíblia diz que o mundo não gosta dos crentes (1Jo 3.13). Chega a afirmar que o mundo nos odeia! Ao dizer isso, as Escrituras explicam que as coisas são assim porque não somos deste mundo. Se fôssemos, o mundo amaria o que é seu (Jo 15.18-19). Diz também que o mundo despreza nosso Rei, de modo que, se ele despreza o Rei, como tratará os súditos (Jo 15.20)?

Tudo isso é óbvio para nós. Experimentamos oposição e hostilidades constantemente. O lado tragicômico é que a mídia vive denunciando a violência e o preconceito contra os negros, contra os nordestinos, contra os homossexuais e contra os muçulmanos, mas nunca diz absolutamente NADA sobre a violência e o preconceito contra os crentes. Isso realmente espanta, pois de todos os ataques motivados por ódio religioso, 75% é perpetrado contra os cristãos — um percentual que representa cerca de cem mil vítimas fatais por ano (dados da AIS — Fundação Pontifícia Ajuda à Igreja que Sofre).

Por toda parte, igrejas são saqueadas, crentes são queimados vivos, mulheres cristãs são estupradas e assassinadas, filhos de evangélicos são sequestrados, pastores e líderes eclesiásticos são presos e torturados, e por aí vai... No entanto, o que a mídia diz? Ah, ela denuncia quase exclusivamente a homofobia e o racismo! E isso diariamente! Basta um homossexual espirrar e você não dizer “saúde” e aí está uma evidência clara de preconceito contra a “orientação sexual” da pessoa. Também esbraveja às vezes contra a “islamofobia”, a “nordestinofobia” e qualquer outra fobia (algumas até imaginárias), sem jamais dar atenção ao drama dos cristãos — pessoas que realmente sofrem ataques variados todos os dias nas famílias, nas escolas, nas empresas e em qualquer lugar onde colocam os pés.

No Brasil, felizmente, a oposição aos crentes (a “cristofobia”) não é marcada predominantemente por violência física, ainda que existam, sim, casos de agressão desse tipo. Em nosso país, as hostilidades assumem geralmente a forma de ataques morais. Aqui os crentes são alvo de contínuo e incessante desprezo e zombaria. Eles têm que enfrentar golpes diários contra seu sentimento religioso, golpes que partem de professores, colegas de trabalho e familiares. E quando os agressores fazem isso, escondem-se covardemente sob o lindo título da “liberdade constitucional de expressão”. Segundo o entender deles, os atos de ofender, ferir, ridicularizar e desrespeitar é protegido por lei (exceto, é claro, se esses atos forem dirigidos contra eles).

Tudo isso nos deixa indignados e, às vezes, muito bravos. Como cristãos, porém, não devemos nos vingar, nem promover o mal dessas pessoas. Se de um lado há religiões que pune quem as critica ou despreza, conosco não é assim. Cremos que essa tarefa pertence a Deus e que ele, um dia, fará justiça aos seus escolhidos (Lc 18.7; Rm 12.19). Como, então, conviver com esse problema e reagir a ele?

Bem, primeiramente temos de orar pelos nossos perseguidores e também amá-los, lembrando que são cegos e não sabem o que estão fazendo (Mt 5.44-47). Temos também que ajudá-los quando precisarem de nós (Rm 12.20-21), sempre com uma disposição sincera, demonstrando a diferença que Cristo fez em nossa vida.

Há, porém, uma conduta específica que quero destacar aqui. É o proceder exposto em Provérbios 26.4-5: “Não respondas ao tolo segundo a sua estultícia; para que também não te faças semelhante a ele. Responde ao tolo segundo a sua estultícia, para que não seja sábio aos seus próprios olhos”. Esse texto parece contraditório, mas não é. O que o autor bíblico na verdade ensina é que não devemos responder ao tolo segundo o seu método de ataque (zombaria, mentiras, desprezo, etc.), mas que devemos lhes responder segundo o conteúdo de seus ataques.

Em outras palavras: se os tolos zombarem de você, não zombe deles; se mentirem, não minta; enfim, não faça o jogo sujo deles. Por outro lado, preste atenção no que falam e responda de conformidade com esse conteúdo, dizendo: “Isso é mentira. Nós não agimos assim, nem ensinamos essas coisas. Você inventa absurdos e os atribui a nós, mas tudo o que diz é fruto somente da sua maldade e ignorância. Seu pai é o diabo e ele é mentiroso. Logo, é natural que você minta, assim como seu pai. Se você conhecesse a verdade e o Deus da verdade, teria vergonha de dizer as calúnias que diz. Você também blasfema contra minha fé e o meu Deus, mas sobre isso não vou me pronunciar. Meu Deus não precisa de defensores. Ele sabe como tratar seus inimigos. Tudo o que vou fazer é orar por você para que haja arrependimento em seu coração, antes que seja tarde demais”.

É claro que um discurso desse tipo deve vir na hora certa, quando o ataque assume certa proporção. Mesmo assim, depois de pronunciá-lo, mostre que não guarda rancores e faça o possível para tratar a pessoa com paciência, respeito e afeto.

Até onde posso ver, em termos gerais, a “tática” de não seguir o método do insensato, mas observar e responder segundo o conteúdo do que ele diz foi adotado pelo próprio Jesus (Jo 8.38-59; 1Pe 2.23). Ora, se somos discípulos dele, imitá-lo em tudo é nosso dever. Seja como for, é bom destacar que a “tática” aqui descrita não promete resultados. Por isso, se ao usá-la as coisas piorarem, não se assuste. Na Bíblia só aprendemos a lidar com os lobos, sem nenhuma garantia de que eles vão parar de rosnar.

Pr. Marcos Granconato
Força e Fé
Soli Deo gloria

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