Quinta, 24 de Outubro de 2019
   
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A Páscoa e seus Significados

Pastoral

É muito difícil ser criativo ao escrever uma pastoral sobre a Páscoa. Tudo que se tem a dizer se relaciona com o significado dessa festa tão importante, na tentativa de manter esse significado vivo na cabeça e no coração das pessoas.

Sendo assim, vamos lá... O que a Páscoa significa? Bom, coelhinhos e ovos de chocolate, é claro, não entram nesta conversa. Não que eu seja contra os coelhinhos e muito menos contra os ovos (especialmente os trufados). O que quero dizer é que essas coisas realmente não lembram em nada o sentido real da Páscoa. Na verdade, às vezes elas até atrapalham. Mesmo assim, não acredito que o remédio seja se abster dos ovos coloridos, mas sim anunciar a verdade de boca cheia (inclusive de chocolate). No cristianismo, a fé não é defendida com o esvaziamento do estômago, mas sim com o preenchimento da cabeça e do coração.

Voltando ao assunto, o que a Páscoa significa, afinal? Bom, para os crentes essa festa tem dois significados: um remoto e um mais recente. Em seu significado remoto, a Páscoa evoca a ideia de livramento. Isso porque foi por ocasião da celebração da primeira Páscoa que os israelitas se livraram da foice do anjo exterminador que passou pelo Egito ceifando a vida dos primogênitos (Êx 12.23). Além disso, o sangue do cordeiro pascal aspergido sobre os umbrais não só fechou as portas para o castigo, mas também abriu as portas da liberdade, obrigando o Faraó a deixar que o povo partisse para a terra santa (Êx 12.29-31).

Foi assim que a Páscoa se conectou à ideia de um duplo livramento — o livramento da pena e o livramento de uma longa e severa opressão, tudo isso feito possível por causa do sangue de uma vítima inocente e por causa da mão forte de um Deus que despojou seus inimigos, tirando o povo escolhido de debaixo do seu jugo. 

Hoje, os cristãos celebram a Páscoa mantendo aceso em seu peito esse significado remoto. Por ocasião da celebração dessa festa, os crentes recordam que, graças ao sangue de Cristo aspergido sobre eles (1Pe 1.2), foram poupados do juízo vingador de Deus. Também recordam que, pela mão poderosa do Senhor, foram libertos dos inimigos que os oprimiam (o mundo, a carne e o diabo), podendo agora viver longe deles, numa nova festa em que não se admite o fermento do pecado, mas somente os asmos da sinceridade e da verdade (1Co 5.7,8). É assim que o cristianismo acolhe o significado remoto da Páscoa.

Conforme dito, porém, a Páscoa tem também um significado mais recente. É um significado estritamente cristão, advindo do que ocorreu numa memorável manhã de domingo, há cerca de 2 mil anos, logo depois da comemoração de uma Páscoa em Jerusalém. Na manhã a que me refiro, o túmulo do Messias recém-crucificado foi encontrado vazio! Em seguida, muitos testemunharam sua ressurreição, sendo tomados de um ímpeto proclamativo que lhes deu ânimo para enfrentar até a morte.

Foi assim que, ao sentido remoto do livramento, foi anexado o sentido mais recente da ressurreição (esta, também, uma forma de livramento: o livramento da sepultura), enriquecendo a importância da Páscoa para todos os que têm fé em Jesus. Sim, pois, segundo as palavras do Mestre, quem nele crê participa da sua vida. De fato, ele disse: “Porque eu vivo, vós também vivereis” (Jo 14.19).

É por isso que hoje, quando comemoramos a Páscoa, os dois sentidos apontados aqui se fundem em nossa alma cheia de gratidão e alegria. O sentido remoto nos desafia a viver em santidade, pois fomos libertos do Egito do pecado e também do castigo devido aos seus cidadãos. O sentido mais recente nos enche de esperança, à medida que sabemos que, quando a morte chegar, ela não será um ponto final no texto da nossa história, mas somente uma vírgula que dará ensejo à frase sem fim da vida ressurreta.

Eis aí os tocantes significados da Páscoa. Celebremos, pois, essa festa tendo-os nítidos em nossa mente. Ovos de chocolate, colombas pascais, almoços especiais e outras coisas podem até ocupar algum espaço como parte de tradições antigas, mas não permitamos que esses costumes vazios nublem a real mensagem de uma das principais festas da nossa fé.

Pr. Marcos Granconato
Soli Deo gloria


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