Quinta, 17 de Outubro de 2019
   
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Provérbios 20.26

  

Provérbios 20.26

“O rei sábio abana os ímpios, e passa sobre eles a roda de debulhar” (Pv 20.26 NVI). 

Quando eu era pequeno, meu avô plantava feijão em nossa chácara na época das chuvas. Na maturação das vagens, ele fazia uma colheita grossa que não tirava apenas as vagens que continham os grãos de feijão, mas parte das próprias plantas, as quais ele deixava vários dias secando. Então, eu recebia dele um cabo de vassoura e tinha a missão de bater o quando eu pudesse em todo aquele monte até que as vagens se abrissem e o feijão caísse no chão. O resto dos caules e das folhas era retirado e todo o conteúdo do chão ia para uma peneira a fim de ser lançado para cima, em meio ao vento. Nessa manobra, o vento levava embora toda a palha e o feijão voltava limpo para a peneira, podendo ser guardado e utilizado.

Salomão utiliza uma figura semelhante para descrever a obrigação de um bom rei no tocante aos injustos. Ele também se vale da figura da debulha, mas faz referência ao produto que seus leitores primários estavam acostumados a plantar e beneficiar: o trigo. Por isso, ao dizer que “o rei sábio abana os ímpios”, ele se refere à separação inicial da palha de modo a deixar apenas as espigas. Depois dessa parte, vinha a trituração dos grãos para separar o que viraria farinha daquilo que lhe servia apenas de invólucro, sendo inútil para fazer os alimentos. Desse modo, ao dizer que ele “passa sobre eles a roda de debulhar”, aponta o ato do agricultor, no final da sua produção, de utilizar um instrumento que fizesse a debulha fina, deixando apenas o que era bom e útil. Nada que não fosse a própria farinha devia permanecer depois de cada parte separada umas das outras e passadas por uma peneiras. Assim, desde o começo o processo descrito descarta o que é palha inútil e reserva apenas o produto nutritivo e saboroso.

O homem sábio — não apenas o rei — olha para os seus e faz o mesmo. Ele sabe que o que importa não é a quantidade, mas a qualidade das pessoas. Por isso, como um agricultor, ele também inicia o processo da separação, mas não da palha e sim dos “ímpios”. Como a palha pode estragar um bolo, a presença de um ímpio entre os santos também pode lhes macular e lhes fazer desviarem do bem. O agricultor usa instrumentos na sua tarefa, de modo que o sábio lhe imita a técnica. Só que nesse caso, os instrumentos são a Bíblia, a disciplina e a obediência a Deus. O sábio sabe que se ele, seus irmãos, seus filhos ou seus amigos andarem próximos demais de pecadores insensatos, podem acabar perdendo a noção da retidão e do temor do Senhor, passando a imitar os atos rebeldes dos injustos. Assim, ele evita más companhias e maus ambientes. É melhor cortar o mal pela raiz e jogar a palha fora, bem longe, para que a limpeza e a pureza reinem e não tragam gosto amargo à boca dos filhos de Deus.

Pr. Thomas Tronco

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