Quarta, 05 de Agosto de 2020
   
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Hierarquia e Violência

Pastoral

Na semana que passou assisti a uma reportagem sobre violência doméstica. A matéria apontava para homens que espancam suas mulheres e mostrava as medidas que o Estado tem tomado para mudar a mentalidade desses agressores. Entrevistando uma psicóloga que trabalha num projeto de conscientização dos maridos violentos, o repórter colheu dela uma resposta mais ou menos assim: “A violência está ligada à hierarquia. A noção de superioridade hierárquica é que faz com que uma pessoa cometa violência contra outra”. Pra mim, a mensagem da psicóloga não poderia ter sido mais clara: noções de hierarquia devem ser rejeitadas se o homem quiser construir um lar pacífico ou, quem sabe, um país pacífico.

Confesso que essa declaração me pegou de surpresa. Eu nunca imaginei que o flexível e multiforme (ou disforme!) raciocínio humano, longe dos moldes da Palavra de Deus, pudesse assumir um formato tão longe da realidade. E não somente longe da realidade, mas também perigoso, pois a hierarquia é, na verdade, a estrutura em que funciona a autoridade. Sem hierarquia não há chefes, não há líderes, não há nenhuma voz de comando que possa ordenar sequer que os agressores de mulheres frequentem as sessões de orientação que aquela psicóloga ministra.

A verdade é que, sem noções de hierarquia, a força da autoridade desaparece e caímos na anarquia. Aí, sim, a violência emerge. Basta olhar ao nosso redor. Será que toda a violência que invade lares, escolas e ruas procede em parte de noções de hierarquia nutridas pelos agressores? Ora, por favor! É exatamente o contrário que ocorre. É a falta de uma visão hierárquica, com o consequente respeito às autoridades e o temor devido a elas, que faz com que pessoas pratiquem violência contra os mais fracos. Remova a estrutura piramidal de qualquer grupo, apague essa visão da cabeça de seus componentes e você verá o que é desrespeito e violência. De fato, a tal psicóloga precisa rever suas conclusões.

Como já seria de se esperar, a raiz do conceito errado daquela moça está na ignorância (ou desprezo) da Palavra de Deus. Na Bíblia aprendemos que o Deus trino se relaciona em si mesmo dentro de uma estrutura hierárquica. Com efeito, o intercâmbio trinitário se realiza de modo que o Filho se sujeita ao Pai (Jo 5.19; 8.28,29; 10.18) e o Espírito se sujeita ao Pai e ao Filho (At 2.33), numa pirâmide funcional perfeita, pacífica e harmoniosa. Isso não significa que um é superior ao outro como ser divino. Não! Todos participam da mesma divindade, sendo iguais em essência. A diferença está no plano que ocupam em suas relações entre si. Nesse plano existe hierarquia e, sendo o Deus trino o criador do universo, traços dessa realidade foram impressos em sua criação e em tudo que ele instituiu.

É por isso que a realidade está repleta de vestígios hierárquicos. Vemos hierarquia entre as formigas, entre as abelhas e entre inúmeras espécies de animais. Vemos ainda que Deus fixou uma hierarquia no lar, na igreja e na sociedade em geral. Percebemos, além disso, que qualquer que seja o tamanho ou o grau de complexidade de organização de um grupo, seus componentes sempre verão a necessidade de certa hierarquia em sua estrutura e escolherão um coordenador, um supervisor ou outro tipo de representante maior. Isso acontece porque Deus, o supremo criador, é um Deus hierárquico em seu “funcionamento” e ele deixou suas digitais em tudo que fez, o que leva muitas coisas a depender de alguma estrutura hierárquica para existir. É por isso que, se a estrutura hierárquica for deixada de lado num formigueiro, numa colmeia, numa matilha, num lar, numa igreja, numa empresa ou num país, o resultado será o caos completo, o prejuízo, a frustração e, na pior das hipóteses, o sofrimento seguido de extinção total.  

Isso é tão óbvio que está na cara que aquela jovem doutora confundiu as coisas. Ela devia ter notado, até pela prática de sua profissão, que é a falta de noções de hierarquia que faz com que o desrespeito cresça e, então, alunos ofendam professores, jovens xinguem policiais em manifestações de rua, empregados furtem patrões, filhos agridam seus pais, esposas desrespeitem maridos e maridos não se sujeitem às leis de Deus e do Estado, praticando ações violentas até contra familiares.

Finalmente, para completar minha crítica à frase da tal doutora, quero destacar que os abusos que alguns “chefes de família” cometem não anulam o valor da hierarquia doméstica. Esses abusos somente mostram como a maldade humana é capaz de desfigurar e fazer uso indevido de tudo que Deus criou para a segurança e a felicidade de suas criaturas neste mundo. De fato, quando o funcionamento de qualquer hierarquia promove injustiças e sofrimento, a causa disso não está na hierarquia em si (como sugeriu a psicóloga), mas no coração perverso de quem detém alguma parcela de poder e o exerce promovendo a dor alheia. A existência de maridos, chefes e governantes assim comprova, portanto, a profunda malignidade da alma humana, mas não detrata o valor da estrutura ordenada que o Senhor imprime no mundo e ensina aos seus servos.

Pr. Marcos Granconato
Soli Deo gloria

 

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