Segunda, 18 de Dezembro de 2017
   
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Qual é o Segredo?

Pastoral

Certa vez, um pastor me mostrou, animadíssimo, um livro que comprou em um retiro. Segundo me contou, ele havia descoberto o “segredo” para uma igreja forte e vibrante. Fiquei muito curioso ao ver o ânimo dele e resolvi ler o livro. Na verdade, fiquei decepcionado ao ver que o segredo não passava de estratégias de marketing, técnicas de administração, dinâmicas de grupo e uma aparência impecável de um império bem organizado. Por outro lado, pouquíssima base bíblica havia nesse “segredo do sucesso”. Como esse, há dezenas de livros com fórmulas secretas para a igreja.

Paulo também escreveu livros sobre a igreja. Mas não havia muitos segredos... Apenas o velho ensino bíblico que já existia muito antes do apóstolo, o qual apontava para o estudo da Palavra, para a submissão a Deus e para o zelo com o caráter.

Segundo a orientação paulina, os pastores deveriam ser capacitados a ensinar corretamente as Escrituras: “Tu, porém, fala o que convém à sã doutrina” (Tt 2.1). Tais homens não deveriam ter carta branca para fazerem o que quisessem, mas deveriam, junto com todos os irmãos, manter uma conduta santa e exemplar: “Torna-te, pessoalmente, padrão de boas obras” (Tt 2.7a). Não deviam pregar a Palavra de Deus despreparados ou munidos de insolência. Assim, Paulo escreve a Tito: “No ensino, mostra integridade, reverência, linguagem sadia e irrepreensível” (Tt 2.7b,8a). Isso mostra que a igreja sadia começa com um ensino bíblico sadio, já que um corpo sem alimento adequado é um corpo fraco e raquítico, não importa que tamanho ele tenha.

Sobre os homens, Paulo se dirige aos idosos – os homens que deveriam ser sustentáculos da igreja – e diz: “Sejam temperantes, respeitáveis, sensatos, sadios na fé, no amor e na constância” (Tt 2.2). Isso quer dizer que o caráter desse grupo não podia ser questionável. Deviam ser homens controlados tanto nas ações como nas palavras. Precisavam ser os defensores da verdade e da fé cristã, com sensatez e não com estultícia. Deveriam ser exemplos de amor na igreja e em tudo constantes, não suscetíveis a humores variados e modismos teológicos ou eclesiológicos. Tinham de ser os pilares sólidos da igreja.

As mulheres também recebem a atenção de Paulo na orientação sobre a igreja sadia. Entre um bom número de ordens dadas no texto de Tito 2.3-5, o apóstolo afirma que elas deveriam ser “sérias em seu proceder”. De modo algum deveriam ser fofoqueiras, mentirosas ou dissolutas: “Que sejam não caluniadoras, não escravizadas a muito vinho”. Em lugar disso, “sejam mestras do bem”, diz o apóstolo. No seu relacionamento familiar, Paulo as orientou a “amarem ao marido e a seus filhos”. Deviam também ser “sensatas, honestas, boas donas de casa, bondosas, sujeitas ao marido”. Desse modo, em lugar de causarem escândalo na igreja e na sociedade, as mulheres deviam – e ainda devem – agir de tal modo “que a Palavra de Deus não seja difamada”.

Os jovens da igreja são um grupo valorizado por Paulo e influente no que tange aos rumos e à saúde da igreja. Por isso, orienta-lhes a agirem com sabedoria e não de maneira afoita e irrefletida. O apóstolo pede que haja critério nas suas ações e decisões: “Quanto aos moços, de igual modo, exorta-os para que, em todas as coisas, sejam criteriosos” (Tt 2.6). Muito importante é notar, aqui, o uso da expressão “em todas as coisas”. Essa preocupação revela o risco de os jovens agirem do modo exatamente contrário, pelo que o apóstolo os “exorta” a serem controlados e avaliarem tudo criteriosamente.

Ao que tudo indica, tais procedimentos não deveriam ter lugar somente na igreja, já que Paulo aconselha os servos – trabalhadores escravos ou assalariados – a terem atitudes cristãs também no trato com seus patrões. Nesse sentido, o texto de Tito 2.9,10 diz que eles deviam ser “motivo de satisfação” para seus senhores e não de desgosto. Ao tratar com os patrões, não podiam ser “respondões”. Agir como ladrões era a última coisa que deviam fazer, pelo que lhes diz: “Não furtem; pelo contrário, deem prova de toda a fidelidade”. Tal fidelidade seria um enfeite sobre o ensino santo do Senhor: “A fim de ornarem, em todas as coisas, a doutrina de Deus, nosso Salvador”.

No final das contas, o mesmo caráter pessoal, a mesma humildade e dependência da graça de Deus e o mesmo apego e amor pelo ensino bíblico ordenado no Antigo Testamento são o modo de agir da igreja sadia indicado por Paulo no Novo Testamento. Portanto, não há nenhum segredo para uma igreja forte e vibrante. Só há fé, estudo, obediência, dependência e serviço.

Pr. Thomas Tronco

 

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