Domingo, 19 de Maio de 2019
   
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O Intérprete Trapalhão

Pastoral

Todas as seitas ensinam doutrinas absurdas. E todas as doutrinas absurdas procedem das percepções de algum sujeito “iluminado” que foi capaz de ver o que ninguém, em toda a história, jamais teve condições mentais, intelectuais ou espirituais para perceber.

Com o Adventismo do Sétimo Dia não foi diferente. Todos sabem que essa seita, apesar de se autodenominar cristã, ensina uma série de bobagens que não tem amparo nenhum nas Escrituras (a não ser que se leia a Bíblia do jeito deles). De fato, cansa ver os falsos mestres desse movimento adotarem uma postura professoral (como se fossem grandes doutores da teologia cristã) e ensinarem que a guarda do domingo é a marca da besta, que o arcanjo Miguel era Jesus, que tomar café é inaceitável para um cristão, que existem planetas habitados por ET’s sem pecado e que o verdadeiro servo de Deus não come presunto nem peixe sem escamas.

De todas as invenções dessa seita, porém, existe uma que é de doer. Trata-se da doutrina do “juízo investigativo”. Já ouviram falar? Pois bem! Essa doutrina ensina que, no dia 22 de outubro de 1844, Jesus entrou no Santo dos Santos celestial e iniciou um trabalho de purificação desse santuário, fazendo expiação pelos pecados praticados pelos justos e que estão registrados nos livros celestes. Segundo os criadores desse falso ensino, quando Cristo terminar esse serviço, o tempo de prova do ser humano vai acabar e a Segunda Vinda poderá ocorrer.

Essas declarações se constituem em bizarrices tão grandes que a gente fica imaginando de onde esse povo tira fôlego pra inventar tanta tolice. Para início de conversa, basta ler dois textos bíblicos para ver que a tal doutrina adventista é somente mais uma criação do diabo. Vejam:

“... a qual temos por âncora da alma segura e firme e que penetra além do véu, onde Jesus, como precursor, entrou por nós, tendo-se tornado sumo sacerdote para sempre, segundo a ordem de Melquisedeque” (Hb 6.19-20).

Quando, porém, veio Cristo como sumo sacerdote dos bens já realizados, mediante o maior e mais perfeito tabernáculo, não feito por mãos, quer dizer, não desta criação, não por meio de sangue de bodes e de bezerros, mas pelo seu próprio sangue, entrou no Santo dos Santos, uma vez por todas, tendo obtido eterna redenção” (Hb 9.11-12).

Como qualquer criança pode perceber, esses textos ensinam que: 1) Quando a Carta aos Hebreus foi escrita (ano 68 AD), Cristo já havia entrado no Santos dos Santos celestial. Logo, não há sentido em dizer que ele só fez isso em 1844; 2) Quando Cristo entrou no santuário celeste para fazer expiação por meio do seu próprio sangue, ele fez isso “uma vez por todas”, ou seja, de forma final e definitiva, de modo que negar isso é desprezar a eficiência de toda sua obra redentora exposta no Novo Testamento; 3) Essa obra de Cristo, realizada há cerca de 2 mil anos, obteve “eterna redenção”, o que significa que seu alvo final foi plenamente atingido, não havendo necessidade de nenhuma outra ação expiatória para que os crentes sejam redimidos.

Não precisa ser muito inteligente pra perceber essas coisas nos textos transcritos acima. Então, surge a pergunta: como os fundadores do Adventismo puderam inventar uma doutrina tão absurda como a do juízo investigativo? Bem, a resposta está na história deles, que envolve a ação de um intérprete trapalhão e de uma mulher que se dizia profetiza.

O intérprete trapalhão se chamava William Miller. Ele era batista, mas rompeu com esse movimento por causa de suas ideias. Por que ele foi um intérprete trapalhão? Porque ele leu o texto de Daniel 8.14 e entendeu que os 2.300 dias mencionados ali eram anos. Então ele tomou a data em que Esdras chegou em Jerusalém (457 a.C.) e somou 2.300 anos a partir daí, chegando a 1843/1844. Depois, adotou outros critérios de cálculo usando o sistema sacrificial levítico e chegou a 22 de outubro de 1844, marcando a volta de Cristo para esse dia. Dá pra acreditar em tanta criatividade?

Obviamente, Cristo não voltou naquele dia. Então, para não passar mais vergonha, os seguidores de Miller disseram que Cristo havia, sim, voltado, mas sua vinda tinha sido celeste! Ele tinha “vindo” para o Santo dos Santos celestial a fim de fazer o tal juízo investigativo. Assim, tudo havia ocorrido no céu. Por essa razão é que eles não viram nada acontecer.

É claro que tinha de ser muito bobo pra acreditar nessa desculpa. Aliás, o próprio Miller a rejeitou! Porém, para azar dos adventistas, a superprofetiza deles, Ellen G. White, endossou esse conto de fadas e, agora, os coitados têm de dar mil cambalhotas pra tentar provar na Bíblia que ela estava certa.

Hoje, por causa desses delírios todos, um monte de gente vive sob o jugo de uma seita que poda a liberdade dos crentes e nega a suficiência expiatória da cruz, levando o povo a acreditar no esforço próprio para ser salvo e no ritualismo morto para ser santificado.

E vejam como tudo começou: com um homem que não sabia ler direito! Miller, o intérprete trapalhão, devia ter lido com cuidado o texto todo de Daniel 8. Se tivesse feito isso, chegaria à explicação do anjo Gabriel que diz que tudo que está registrado naquele capítulo era referente aos feitos dos impérios Medo-Persa e Grego (Dn 8.20-21), não tendo nada a ver com supostas ações celestes de Jesus em 1844. Ademais, o versículo 14 fala de 2.300 tardes e manhãs e até um cantor de funk tem inteligência suficiente para saber que tarde e manhã são termos que descrevem dias e não anos.

Da mesma forma, a dona Ellen, se tivesse lido direito o texto bíblico, veria que o santuário mencionado em Daniel 8.14 é o templo de Jerusalém que foi violado pelos gregos e não o templo celeste que sequer é mencionado por Daniel. Bastava ela ter lido os vv.8-13 e toda essa confusão e aglomerado de lorotas teriam sido evitados.

Fica, assim, um alerta para os crentes de verdade: cuidado com os intérpretes trapalhões e seus profetas (e profetizas) enrolados. A Palavra de Deus tem de ser ensinada em toda sua integridade e pureza. Ideias criativas unidas à Bíblia só trazem problemas.

Pr. Marcos Granconato

Soli Deo gloria

 

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