Segunda, 18 de Março de 2019
   
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Família para Sempre

Pastoral

Meus pais vieram do Nordeste para São Paulo no início dos anos 1980 e, na metade dessa década, eu nasci. Todos os nossos parentes — avós, tios, tias, primos, sobrinhos — permaneceram na terra natal e pouco contato tínhamos com eles, pois os recursos eram escassos para visitá-los e os meios de comunicação se alternavam entre breves e caras ligações telefônicas interestaduais e cartas escritas à mão. Desse modo, éramos apenas nós três: papai, mamãe e este único filho.

Dizem que os laços sanguíneos são os mais resistentes. Mesmo que não tenhamos muito contato com nossos parentes, é por meio deles que traçamos nossa árvore genealógica e descobrimos a quem devemos nosso nome. Em momentos de necessidade, a família pode fazer o papel de um porto seguro devido à afeição natural e senso de preservação de nossos familiares. Além do mais, ainda que tenhamos amigos mais próximos do que alguns parentes, quando as circunstâncias da vida mudam e nos levam a outros lugares, fazemos novos amigos. Trocamos de colegas de trabalho quando mudamos de emprego. Conhecidos e vizinhos vêm e vão.

Nesse cenário, ausentes do contato de nossos parentes distantes, o destino da nossa pequena família parecia estar fadado à calamidade e a privações, sendo nós, solitariamente, três.

Entretanto, uma nova relação de parentesco surpreendentemente surgiu em nossa realidade. Fomos adotados por Deus em sua família (Ef 2.19). Meu pai, que fora adotado nessa santa família aos 16 anos, mas que estava longe da casa do Pai, voltou ao aprisco assim que eu nasci. Minha mãe foi adotada pelo Pai celestial quando eu tinha cerca de 5 anos. Quanto a mim, minha adoção nessa família celeste aconteceu aos 8 anos de idade. Já não éramos mais papai, mamãe e filho, mas irmãos debaixo da autoridade, cuidado e amor de um único Pai.

Por meio desse processo de adoção, recebemos inúmeros privilégios. Quero destacar três deles que a família de sangue não pode dar:

1.  Comunhão (Mt 28.19; At 1.8). Nem sempre podemos levar nossos parentes para onde formos, mas há membros da família de Deus onde quer que estejamos. Os filhos de Deus, por meio da igreja local, reúnem-se em diversos lugares ao redor do planeta a fim de cultuar o Pai e obedecer às suas ordens. Portanto, mesmo distantes dos parentes, encontramos irmãos dispostos a nos acolher (Mt 25.35-40) e sustentar, inclusive, financeiramente (2Co 8.1-4; 11.9), se necessário.

2.  Refúgio espiritual (At 9.31; Ef 4.1-3). Além do amparo material, os irmãos em Cristo prestam suporte espiritual mútuo. Até para quem tem o privilégio de conviver com seus parentes sanguíneos na igreja, a natureza do apoio espiritual acontece em caráter de irmandade na família de Deus. Somos advertidos a servir nossos irmãos em suas necessidades espirituais (Gl 6.2), exortando, consolando e auxiliando em suas fraquezas (Rm 14.13; 1Ts 5.14).

3.  Esperança (1Ts 4.18; 5.10-11). Mesmo passando anos sem vê-los, é possível que o encontro com parentes sanguíneos ocorra em velórios de alguém da família. Dada a distância relacional, trocam-se palavras repetidas e vazias como “ele foi para um lugar melhor” ou “ele descansou”. Contudo, tais declarações só fazem real sentido quando proferidas por membros da família de Deus no momento em que um irmão descansa no Senhor, pois temos a certeza de que nos veremos novamente na ressurreição dos santos (Rm 8.23; 1Co 15.52).

Graças à adoção operada pelo Pai celestial, minha pequena família pôde experimentar essas e outras bênçãos extraordinárias, algo que meus parentes nunca poderiam proporcionar. Além disso, a relação de parentesco termina com a morte (Mt 22.30), mas, na família de Deus, os laços são eternos (Jo 8.35). Ele será para sempre nosso Pai (2Co 6.18) e nós seremos para sempre irmãos (1Jo 3.1-2).

Isaac Araújo Pereira

 

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