Domingo, 16 de Dezembro de 2018
   
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Sou Evangélico, mas Não me Confunda!

Pastoral

Recentemente, uma senhora não crente se aproximou de mim e, demonstrando certa empolgação, perguntou: “Você quer ser pastor evangélico?”. Eu não tive chance de responder, pois, logo em seguida, ela exclamou eufórica: “Meu filho é!”. E, de súbito, me mostrou um vídeo em que um jovem rapaz aparecia aos berros, aparentemente pregando em uma igreja, enquanto seus ouvintes gritavam histéricos: “Aleluia! Oh Glória!”.

À medida que eu, meio encabulado, tentava desviar o olhar, percebi um ar de normalidade no semblante da mulher, como se aquilo fosse comum a mim. Sem dúvida, foram os vinte segundos mais constrangedores pelos quais passei ultimamente.

Aquela senhora não me conhecia bem. Não conhecia minha igreja, meus pastores, meus irmãos e muito menos o que a Bíblia diz sobre como deve ser o comportamento dos crentes no culto a Deus. Talvez, para ela, seja normal pensar em pregação como gritaria e histeria como poder de Deus.

Essa experiência me fez pensar sobre como as pessoas veem os evangélicos de hoje em dia. Minha conclusão não poderia ser diferente: o evangelicalismo tem se tornado motivo de chacota, isso para dizer o mínimo.

Para muitos, cristão evangélico é sinônimo de ladroagem, ignorância e alienação. As pessoas ligam a televisão e veem pseudopastores extorquindo multidões — que entregam o que têm esperando receber o dobro em troca — e isso é suficiente para formularem as ideias mais estapafúrdias a respeito do povo de Deus. Para os mal-intencionados, todo pastor é como um abutre prestes a devorar presas vulneráveis.

A métrica usada pelo mundo para avaliar os crentes normalmente são os cantores gospel que imitam animais em seus shows, pregadores que substituem exposição bíblica por piadas, líderes que se limitam a organizar eventos e abandonam a Palavra, pastores que se autointitulam apóstolos e falsos evangélicos que cometem toda espécie de exagero e que vivem uma vida totalmente à parte do evangelho.

Em meio a isso tudo, o texto de 2Timóteo 4.3 parece ganhar forma quando diz: “Pois virá o tempo em que não suportarão a sã doutrina; pelo contrário, sentindo coceira nos ouvidos, segundo os seus próprios desejos juntarão mestres para si mesmos. Eles se recusarão a dar ouvidos à verdade, voltando-se para os mitos”.

Vivemos nesse tempo anunciado pelo apóstolo Paulo. Sabendo disso, temos de fugir do estereótipo do evangélico moderno. Essas pessoas, com seus discursos vazios e atitudes frouxas, não nos representam. Não somos como os baderneiros da Marcha pra Jesus, do funk e da balada gospel. Nem de longe nos aparentamos com alguns desequilibrados que chamam de unção aquilo que um umbandista chamaria de incorporação.

Devemos, isso sim, ser moderados, dignos de respeito, sensatos e sadios na fé, no amor e na perseverança (Tt 2.2). Não podemos ser levados pelas ondas do momento, pois nosso padrão é Cristo.

Prossigamos, portanto, rumo à maturidade e não sejamos mais como crianças, levados de um lado para o outro pelas ondas, nem jogados para cá e para lá por todo vento de doutrina e pela astúcia e esperteza de homens que induzem ao erro (Ef 4.14).

Que nossa vida seja profundamente marcada pela Palavra da Verdade de modo que nosso modo de vida reflita essa realidade. Que haja em nossos cultos ordem e decência. Por fim, que as pessoas saibam que somos, sim, evangélicos, mas que não nos confundam.

Robson Maciel Alves

IBR Pinheiros

 

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