Quarta, 18 de Julho de 2018
   
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Onde Deus Está quando Você Chora?

Pastoral

“Filha, cuidado na hora que te abordarem. Se alguém te chamar na porta de um carro, você não vai. Se tentarem te pegar, você corre, você grita. Mas se ainda te pegarem, filha, você clama a Deus, que Deus vai cuidar de você”.

Estes conselhos foram dados por Rosana à sua filha, a menina Vitória, de apenas doze anos, alguns dias antes do seu desaparecimento. Na última vez que a viram, a adolescente brincava de patins perto de sua casa, em Araçariguama (SP). Vitoria só foi encontrada dias depois... morta.

O País inteiro tem acompanhado esse triste episódio de violência. Eu poderia mencionar inúmeros casos desumanos que envolvem jovens e crianças que sequer tinham condições de defender de seus agressores. Senti-me chocado, dias atrás, quando vi uma multidão de mulheres irlandesas chorando de alegria após receberem a notícia de que o aborto seria uma prática legalizada na Irlanda. Em uma consulta popular, cerca de 1,4 milhão de pessoas se posicionaram a favor do assassinato de bebês indefesos, enquanto apenas 724 mil votaram contra.  

Diante disso tudo, alguns dizem: onde está Deus quando o mal nos sobrevem? Se Deus é bom, por que o mal existe? Deus não atende as orações que são feitas a ele? Deus não se importa com os que sofrem? Bem, ao longo dos anos essa questão foi largamente discutida, mas, mesmo assim, o debate continua acalorado até os dias de hoje. No afã de encontrar uma resposta que se enquadre na realidade da coexistência do mal e de um Deus justo, bom e todo-poderoso, vários eruditos, até mesmo alguns teólogos renomados, têm feito declarações confusas que não se ajustam com as doutrinas bíblicas.

A resposta mais popular entre os evangélicos diz respeito àquilo que os estudiosos chamam de permissivismo. Os adeptos dessa linha argumentativa dizem que Deus apenas permite que o mal suceda, respeitando o livre-arbítrio do homem. O Senhor não decreta o mal, mas apenas age de modo permissivo, dando curso às decisões de suas criaturas. Com essa justificativa, os adeptos do permissivismo buscam “inocentar” Deus da acusação de ter criado e decretado o mal.

Por mais difícil que seja admitir, o fato é que Deus não apenas permite que o mal ocorra, mas também o decreta e ordena. Em Jó 42.11, a Palavra de Deus diz: “Então, vieram a ele todos os seus irmãos, e todas as suas irmãs, e todos quantos dantes o conheceram, e comeram com ele em sua casa, e se condoeram dele, e o consolaram de todo o mal que o Senhor lhe havia enviado; cada um lhe deu dinheiro e um anel de ouro”.

O mal que sobreveio a Jó foi enviado por Deus. Isso pode parecer chocante aos que não conhecem o poder que o Senhor dos exércitos tem. O nosso Deus é quem controla as tempestades e os ventos que destroem cidades inteiras (Sl 148.8). Nosso Pai celeste destruiu o mundo por meio do dilúvio. Foi ele quem endureceu o coração de Faraó e enviou as pragas do Egito. O Senhor elegeu alguns para salvação e outros para a destruição eterna. Todas essas coisas se deram de conformidade com os desígnios daquele a quem as Escrituras chamam de justo, bom e misericordioso (Sl 145.8-9).

“Que diremos pois”, indaga Paulo, “há injustiça da parte de Deus?”. A resposta que ele oferece coloca-nos de joelhos. O apóstolo, que sofreu terríveis agruras por causa do evangelho, diz: “De modo nenhum! [...] Logo, tem ele misericórdia de quem quer e também endurece a quem lhe apraz” (Rm 9.14,18).

Assim, entendemos que nem sempre nossas orações serão respondidas. E nossas petições poderão não ser atendidas mesmo depois de muitas súplicas. As lágrimas que eventualmente lavam nosso rosto podem não ser enxugadas. Contudo, do seu alto e sublime trono, Deus governa soberano sobre tudo. E ele continuará sendo nosso refúgio, fortaleza e socorro na hora da angústia.

Robson Maciel Alves

IBR Pinheiros


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