Domingo, 27 de Maio de 2018
   
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Livres em Cristo ou Servos de Jesus?

Pastoral

Assim como quase tudo na sociedade moderna, a teologia e a vida eclesiástica também são marcadas por extremos. Um dos campos em que isso ocorre é no tema da liberdade cristã. Para certo setor da igreja, ser livre em Cristo significa que não há mais nada que o crente não possa fazer, independente da natureza da ação. Ele foi perdoado, recebeu a graça de Cristo e deve, então, viver “livre, leve e solto”, totalmente despreocupado com erros e pecados. No outro extremo, por sua vez, estão aqueles que defendem a servidão do crente ao seu Salvador, de modo a ser obrigado a seguir um legalismo rígido a fim de agradar seu Senhor e Rei. Mas, afinal, qual desses extremos estará certo? Somos livres em Cristo ou servos de Jesus?

Na verdade, a resposta correta está no meio do caminho entre esses extremos, englobando as duas realidades. A ideia da “liberdade cristã” não pressupõe a ausência de um senhor, mas a mudança do senhorio: em lugar de servir ao mundo, ao diabo e à carne (Ef 2.2,3), o crente passa a servir a Cristo: “E, uma vez libertados do pecado, fostes feitos servos da justiça” (1Co 6.18). Ser “servo da justiça” significa que o crente não está livre de servir, mas que agora ele serve em obediência ao Senhor conforme o novo padrão de conduta que lhe é ensinado: “Mas graças a Deus porque, outrora, escravos do pecado, contudo, viestes a obedecer de coração à forma de doutrina a que fostes entregues” (1Co 6.17). Por fim, a liberdade cristã faz com que sejamos escravos — em um sentido positivo do conceito de servidão — daquele que morreu na cruz para nos libertar do pecado e das suas consequências mortais: “Porque o que foi chamado no Senhor, sendo escravo, é liberto do Senhor; semelhantemente, o que foi chamado, sendo livre, é escravo de Cristo” (1Co 7.22).

A resposta acima nem é tão complicada de entender e perceber, por meio da Palavra de Deus, como os dois lados da questão estão intimamente ligados. O problema costuma ser o modo como os crentes lidam com isso na prática. As pessoas acabam se dividindo em termos de “reação” a essa nova condição de “libertos do pecado a fim de servir a Cristo”. Quando descobrem que ser livre em Cristo não significa que podem fazer tudo que quiserem, alguns murmuram por não poder mais viver como antigamente, enquanto outros são gratos a Deus por não ser mais obrigados pela carne a viver no pecado. Para os primeiros, o cristianismo é um tipo de prisão em que os carcereiros — os líderes eclesiásticos — se ocupam de dizer aos seus seguidores o que não fazer, castrando e vigiando dia após dia as pessoas para julgá-las e puni-las sem misericórdia. Para o segundo grupo, a vida cristã é uma jornada na qual se luta, com a ajuda de Deus, para subir a lugares cada vez mais altos e visualizar paisagens cada vez mais belas.

Mas o que a Bíblia diz sobre isso? Sobre a “murmuração”, ela a associa a contendas e à falsidade características do mundo: “Fazei tudo sem murmurações nem contendas, para que vos torneis irrepreensíveis e sinceros, filhos de Deus inculpáveis no meio de uma geração pervertida e corrupta, na qual resplandeceis como luzeiros no mundo” (Fp 2.14,15). O apóstolo Pedro contrapõe a murmuração à hospitalidade, mostrando que a boa vontade, presteza e educação do homem hospitaleiro não se veem no homem murmurador: “Sede, mutuamente, hospitaleiros, sem murmuração” (1Pe 4.9). Se alguém cumpre seus deveres cristãos murmurando, nem seus atos bondosos são tidos como valiosos, mas como um peso sem valor: “Nada, porém, quis fazer sem o teu consentimento, para que a tua bondade não venha a ser como que por obrigação, mas de livre vontade” (Fm 14). Nem mesmo as ofertas financeiras atingem seu objetivo de glorificar o Senhor se, em lugar de ocasião alegre, tais ofertas são feitas por constrangimento ou interesse, com uma triste atitude murmurante: “Cada um contribua segundo tiver proposto no coração, não com tristeza ou por necessidade; porque Deus ama a quem dá com alegria” (2Co 9.7). Porém, a pior área para quem vive murmurando é o relacionamento com os irmãos, visto que ninguém é tido como razão de alegria, mas apenas de motivo de reclamações: “Irmãos, não vos queixeis uns dos outros, para não serdes julgados. Eis que o juiz está às portas” (Tg 5.9).

Porém, sobre a “gratidão”, as Escrituras a associam ao conhecimento da Palavra de Deus, à comunhão dos irmãos e a um culto agradável ao nosso Senhor: “Habite, ricamente, em vós a palavra de Cristo; instruí-vos e aconselhai-vos mutuamente em toda a sabedoria, louvando a Deus, com salmos, e hinos, e cânticos espirituais, com gratidão, em vosso coração” (Cl 3.16). Em lugar de reclamar e de viver incomodado com os irmãos, o homem grato fica feliz ao ver sua existência e seu progresso: “Sempre dou graças a meu Deus a vosso respeito, a propósito da sua graça, que vos foi dada em Cristo Jesus” (1Co 1.4). Essa gratidão a Deus se deve também ao fato de ter sido chamado a integrar um exército que anuncia o evangelho pelo mundo: “Sou grato para com aquele que me fortaleceu, Cristo Jesus, nosso Senhor, que me considerou fiel, designando-me para o ministério” (1Tm 1.12). Também, gratidão por tudo que Deus tem dado graciosamente aos seus: “De fato, grande fonte de lucro é a piedade com o contentamento” (1Tm 6.6). Na verdade, o apóstolo aponta a gratidão como o terreno em que todas as situações devem ser vividas e como a condição da qual Deus se agrada: “Em tudo, dai graças, porque esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco” (1Ts 5.18).

E então? Como você vive a liberdade cristã na qual você é escravo de Cristo? Vive murmurando como se a igreja fosse uma prisão e os irmãos, carcereiros? Ou vive grato a Deus por ter sido liberto da prisão do pecado e da condenação eterna, buscando ser um exemplo verdadeiro do que significa ser livre? Nem é preciso responder a essas perguntas, pois sua atitude, seja de murmuração ou de gratidão, responde diariamente por você.

Pr. Thomas Tronco

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