Segunda, 18 de Dezembro de 2017
   
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Cessacionismo, o Remédio

Pastoral

O que é cessacionismo? Grosso modo, o cessacionismo é a concepção doutrinária que afirma que os chamados “dons espetaculares”, mencionados no Novo Testamento (NT), deixaram de existir ao fim da era apostólica. Esses dons abrangiam, especialmente, línguas, profecias, curas e milagres. Uma ressalva importante é que o cessacionismo não nega que Deus, ainda hoje, realiza obras grandiosas, seja no campo da comunicação ou da saúde, interferindo na ordem natural das coisas. Porém, os cessacionistas ensinam que isso não decorre do exercício de dons especiais dados a este ou aquele indivíduo em particular, mas sim das orações do povo de Deus em geral.

Os cessacionistas também ensinam que mesmo os milagres atuais são bastante raros, o que não era o caso nos tempos em que os dons mencionados existiam. De fato, na época em que esses dons estavam em vigor, os milagres eram extremamente numerosos (At 5.12-16; 8.4-8; 28.7-10) e não se sabe de nenhum caso em que, ao ministrar a cura, o servo de Deus tenha falhado ― algo bem diferente daquilo que se vê hoje em dia, quando supostos detentores desses dons constantemente determinam curas que não acontecem.

Em que se baseia o cessacionismo? Em primeiro lugar, o cessacionismo se baseia nas Escrituras. A Palavra de Deus mostra que as eras de milagres foram poucas ao longo da história bíblica, abrangendo apenas os tempos do Êxodo, os dias de Elias e Eliseu e os tempos de Jesus e dos apóstolos. Todas essas épocas tiveram duração limitada e serviram a propósitos específicos que, quando atingidos, puseram fim ao tempo de constantes intervenções divinas sobrenaturais. No caso dos sinais existentes no período apostólico, o autor de Hebreus ensina que seu propósito foi autenticar a mensagem do evangelho ao tempo do seu surgimento, provando a todos que ela era verdadeira (Hb 2.3-4). Tendo sido feita essa autenticação, o propósito central dos milagres foi alcançado e sua frequência começou a cair. Na verdade, o NT mostra que já nos primeiros anos da década de 60 AD os milagres eram raros e o dom de curas não existia mais (Fp 2.26-27; 1Tm 5.23; 2Tm 4.20).

O cessacionismo também se baseia na observação inteligente dos fatos. Com efeito, basta o crente olhar à sua volta para perceber que, hoje, ninguém mais tem os dons de línguas, profecias ou curas. Tudo que se vê na atualidade são arremedos grosseiros desses dons ― teatros cuja artificialidade pode ser percebida por qualquer criança e que só servem para prejudicar a causa do evangelho, lançando-a em total descrédito.

A vertente que se opõe ao cessacionismo é chamada “continuísmo”. Assim, os continuístas acreditam que todos os dons espetaculares ainda estão em vigor, da mesma forma como funcionavam nos dias dos apóstolos. Porém, se você pedir para um continuísta mostrar alguém que tenha tais dons, ou mesmo uma igreja em que esses dons estejam em pleno funcionamento, você ouvirá respostas incríveis e, talvez, seja acusado de incredulidade. Recentemente fiz perguntas nas redes sociais relativas à existência desses dons e obtive as seguintes explicações: “O dom de línguas existe, mas só o dom de línguas angélicas. Línguas humanas cessaram”; “os dons de sinais só aparecem em períodos de avivamento”; “Deus é invisível e, mesmo assim, cremos nele. Com os dons de sinais ocorre a mesma coisa”; “você pediu um endereço onde há alguém com o dom de curas. Tome aqui o meu endereço, mas saiba que eu nunca curei ninguém” (!!??).

Você também se surpreenderá se começar a procurar alguém que tenha sido curado milagrosamente pela ação de um crente que tenha o dom de curas. Em um país com igrejas pentecostais espalhadas por cada esquina, todas continuístas, você ficará perplexo ao ver que não há um cego sequer que tenha sido curado nelas, mesmo naquelas que estão funcionando há décadas. Na prática, portanto, o continuísmo é uma piada de mau gosto ― uma crendice ingênua sem qualquer relação com os fatos.

Desse modo, os danos causados à igreja pelo continuísmo são incalculáveis. Essa concepção abriu as portas para todo tipo de charlatanismo, curandeirismo, superstição, desvios doutrinários e escândalos que se vê agora no meio evangélico. Na verdade, parte da tarefa dos cessacionistas é limpar a sujeira produzida pelos continuístas, abrindo os olhos das pessoas e socorrendo aqueles que, acreditando em promessas vazias de curas e em profecias falsas, caíram em frustração, apostasia e desgraça.

Tendo em vista o impacto danoso que o continuísmo tem sobre o nosso povo, é certo que a saúde e o sucesso da igreja no futuro dependerão do trabalho dos cessacionistas que, mesmo debaixo de ataques, calúnias e rancores da maioria, estiverem dispostos a desmascarar fábulas insanas, proclamando a todos o evangelho puro, centrado na salvação e na santificação do pecador, bem longe de sonhos, visões e curas imaginárias.

Pr. Marcos Granconato

Non nobis, Domine

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