Quarta, 05 de Agosto de 2020
   
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A Certeza da Premiação

Pastoral

O famoso atleta norte-americano de origem indígena, Jim Thorpe, conseguiu, na Olimpíada de 1912, o incrível e sem precedentes feito de ganhar duas medalhas de ouro, uma no pentatlo e outra no decatlo. Algum tempo depois, foi descoberto que, em 1910, ele jogou partidas semiprofissionais de basebol recebendo cerca de 25 dólares por semana, sendo, assim, tratado pelo comitê olímpico como um atleta profissional. Como as Olimpíadas só podiam ser disputadas por atletas amadores, suas medalhas lhe foram tomadas. Essa injustiça e a dor decorrente dela acompanharam Thorpe por toda a vida até seu falecimento em 1953, aos 64 anos de idade. Sua família nunca aceitou esse fato e continuou lutando para que seus títulos fossem considerados e suas medalhas lhe fossem devolvidas. Em 1983, na presença de seis dos sete filhos de Thorpe, o presidente do Comitê Olímpico Internacional, Juan Antonio Samaranch, deu fim à injustiça e validou os títulos de Jim Thorpe entregando réplicas das medalhas que ele ganhou aos familiares.

Temos de concordar que é reconfortante ver o justo reconhecimento de feitos tão fantásticos, além de saber o quanto isso foi importante para a família. Entretanto, olhando pelo lado do atleta, nada valeu essa homenagem póstuma. Até o momento da sua morte, ele se sentiu frustrado por ter seus feitos desconsiderados e seu nome desprezado, fora do rol dos campeões olímpicos. Receber suas medalhas trinta anos depois da sua morte não pode amenizar a dor da sua vida.

Felizmente, o cristianismo não é assim. Em certo sentido, ele guarda semelhanças com essa história, já que não é incomum que servos de Deus trabalhem por toda uma vida sem ver os resultados de muitos dos seus esforços, além de terem de conviver com todo tipo de críticas, desprezo e falta de consideração. Muitos deles até se afastam dos seus ofícios para nunca mais retomá-los, tamanha a decepção que lhes causaram. Entretanto, diferente de Jim Thorpe que faleceu sem ter ideia de que seria um dia reconhecido e premiado, todo servo de Cristo tem certas garantias, dadas pelas Escrituras, que lhe dão forças para prosseguir sabendo que seus frutos terão valor e que sua coroa lhe será atribuída.

Em primeiro lugar, o cristão sabe que suas obras fazem parte de um plano previamente traçado por Deus: “Pois somos feitura dele, criados em Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus de antemão preparou para que andássemos nelas” (Ef 2.10). Não estamos perdidos, sem rumo, tentando descobrir o que fazer para servir nosso Mestre. Ele mesmo, em sua soberania, nos preparou um caminho e nos instruiu por sua palavra acerca do modo de o trilharmos.

Em segundo lugar, o cristão sabe que suas obras existem para agradar e glorificar a Deus: “A fim de viverdes de modo digno do Senhor, para o seu inteiro agrado, frutificando em toda boa obra e crescendo no pleno conhecimento de Deus” (Cl 1.10). Se nossas obras agora, no sentido de cumprir a Palavra de Deus, não agradam a todos, devemos nos lembrar que, antes de tudo, elas são feitas para o nosso Deus. Longe de ser egoísta, maldizente e crítico, ele nos ensina a agir de modo digno do seu nome e, por sua graça, se agrada de nós.

Em terceiro lugar, o cristão sabe que suas obras são fruto de um crescimento espiritual genuíno: “Assim, pois, se alguém a si mesmo se purificar destes erros, será utensílio para honra, santificado e útil ao seu possuidor, estando preparado para toda boa obra” (2Tm 2.21). Uma vida de serviço ao Senhor, por si só, é algo que tem o valor de uma medalha recebida sobre o pódio, já que revela o crescimento que o crente tem. É o coroar de uma luta pela santificação.

Por fim, o cristão sabe que suas obras serão completamente premiadas no futuro: “Por isso, estou sofrendo estas coisas; todavia, não me envergonho, porque sei em quem tenho crido e estou certo de que ele é poderoso para guardar o meu depósito até aquele Dia (2Tm 1.12). Se agora enfrentamos um desprezo incompatível com nossos esforços de servir a Deus e à igreja de Cristo, temos uma premiação garantida a ser recebida nos céus.

Portanto, ninguém tem como desculpa para negligenciar a obra de Cristo o fato de que os irmãos não reconhecem seu trabalho. Na verdade, você nem deve buscar esse tipo de gratificação humana, mas a celestial, para a glória do nosso Senhor. É no céu que herdaremos o que nos foi prometido e comemoraremos a vitória final: “Bem-aventurado o homem que suporta, com perseverança, a provação; porque, depois de ter sido aprovado, receberá a coroa da vida, a qual o Senhor prometeu aos que o amam” (Tg 1.12).

Pr. Thomas Tronco

 

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