Quarta, 05 de Agosto de 2020
   
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A Teologia de Acomodação

Pastoral

Certo homem, após longas crises de tosse, resolveu ir ao médico. Fez uma bateria de exames, os quais incluíam um hemograma completo e uma radiografia torácica. Como se não bastasse, ainda lhe foi pedida uma biópsia. Finalmente, foi-lhe dado o diagnóstico (ou o veredito): câncer pulmonar. Imediatamente, o médico o encaminhou a um especialista em oncologia para iniciar o tratamento.

Apesar de o diagnóstico correto ter ocorrido em tempo de se tratar a doença, o paciente ficou muito abatido. O primeiro motivo a lhe trazer imenso desânimo foi saber que ele era um homem doente. Isso era uma novidade para o homem que durante toda sua vida esbanjou saúde e até fez pouco caso de pessoas a quem chamava de “fracas”. A ideia de ser visto pelos outros como uma pessoa doente – apesar de isso fazer parte da experiência humana – era inaceitável.

Em segundo lugar, o tratamento longo e caro, junto com os efeitos colaterais da quimioterapia, fez com que ele perdesse o gosto pela vida. Antes, ele saía quando queria, viajava, jogava bola e ia a festas. Agora, nem sempre poderia fazer o que quisesse – algumas atividades, ele nunca mais poderia pensar em realizar – e todas as semanas atravessava um período difícil com náuseas e dores no corpo. Ele, na verdade, passou a conhecer limitações que o entristeceram muito.

Diante disso tudo, em lugar de se sentir grato – apesar das dificuldades – pelo diagnóstico correto e pela possibilidade de ser tratado a fim de encontrar a cura do seu mal, esse paciente se revoltou com o médico, com o diagnóstico e até com seu plano de saúde. Então, tomou a decisão de discordar de tudo e procurar outro médico em outro hospital. Lá, encontrou o que queria. O novo médico diagnosticou seu problema como uma pneumonia em fase inicial, suspendeu toda a medicação anterior e receitou-lhe um injeção de antibiótico.

O paciente deixou o hospital muito feliz. Sua vida havia retornado. A confiança lhe voltou a correr nas veias. Projetos e planos lhe saltavam à mente outra vez. Infelizmente, uma virada triste nessa situação aconteceu quando ele morreu, dois meses depois, de câncer pulmonar.

Esse relato exemplifica muito bem um problema conhecido das igrejas de hoje – a “teologia de acomodação”. Ela funciona assim: um crente, iludido e atraído pelas armadilhas do mundo perdido, se desvia dos caminhos de Deus e desobedece à sua santa palavra. Então, seu pastor e seus irmãos o alertam quanto ao pecado, mostrando nas Escrituras qual o desejo de Deus para seus filhos. Assim, inicia-se um processo de restauração que envolve disciplina, arrependimento, abandono do pecado, acompanhamento, frequência aos cultos e prestação de contas. Nessa fase, boa parte dos irmãos caídos é recuperada e volta à plena comunhão de Deus e da igreja.

Porém, algumas pessoas não suportam a ideia de serem contrariadas e exortadas. Elas pensam que são uma ofensa e uma desonra completa terem seus pecados apontados. E, pior: não querem nem abandonar o estilo de vida que escolheram, nem entrar em qualquer processo no qual tenham de prestar contas ou se submeter à orientação de outros. Por isso, rejeitando o “diagnóstico” e o “tratamento”, procuram outros lugares que aceitem seus pecados como procedimento normal que não têm de ser corrigidos e que os tratem como crentes sadios e como “bênçãos” no meio da igreja.

Na verdade, o apóstolo Paulo previu esse tipo de atitude: “Pois haverá tempo em que não suportarão a sã doutrina; pelo contrário, cercar-se-ão de mestres segundo as suas próprias cobiças, como que sentindo coceira nos ouvidos” (2Tm 4.3). O fato é que algumas “igrejas” descobriram que essa rebeldia pode ser explorada e fazem propaganda de que são acolhedoras de pessoas “feridas por outras igrejas”, aumentando seus seguidores e “patrocinadores”. Assim, tanto a igreja interesseira como o crente rebelde acomodam sua teologia de modo a cumprir seus interesses pessoais.

Não obstante, as palavras do apóstolo continuam incentivando a igreja verdadeira a chamar de pecado o que de fato é pecado e a exercer sua sagrada função de disciplinadora e protetora dos crentes dos pecados alheios e dos seus próprios pecados: “Prega a palavra, insta, quer seja oportuno, quer não, corrige, repreende, exorta com toda a longanimidade e doutrina” (2Tm 4.2). Afinal, um morto que viveu “alegrinho” na ignorância e na rebeldia é tão morto e pútrido como qualquer outro.

Pr. Thomas Tronco

 

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