Segunda, 23 de Setembro de 2019
   
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Pão e Água no Sótão

Pastoral

Wilbur Nelson contou, certa vez, uma história interessante. Certo pai disse ao filho que, caso quebrasse novamente as regras da casa, iria dormir no sótão da casa e teria de jantar apenas pão e água. Não demorou muito para que o garoto desobedecesse e recebesse a pena. Quando o menino já estava no seu “claustro”, a mãe olhou para o pai e disse: “Eu sei o que você está pensando. Mas você não pode trazê-lo de volta ou ele não respeitará mais a sua palavra. Você não pode quebrar sua promessa”. O pai respondeu: “Você está certa. Eu não vou quebrar minha palavra para que meu filho não perca o respeito por ela. Mas ele está tão sozinho lá em cima...”. Ele deu um beijo na esposa e subiu ao sótão, comeu pão e água com o garoto e, quando o filho dormiu, seus braços o envolviam.

Não pude ler essa história sem notar certas semelhanças com o tratamento que Deus rendeu a mim. Eu também desobedeci às regras do Pai celeste por meio do meu pecado: “Eis o que tão-somente achei: que Deus fez o homem reto, mas ele se meteu em muitas astúcias” (Ec 7.29). Assim como aquele menino, eu também sofri a punição pela desobediência. Entretanto, para combinar com o tamanho da minha maldade – o pecado contra Deus – a punição foi mais severa: a morte. Por morte me refiro a um afastamento tal de Deus, marcado pela condenação, que, mesmo estando eu vivo, nenhuma palavra se aplica melhor à condição que eu vivia que a palavra “morte”: “Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e, pelo pecado, a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porque todos pecaram” (Rm 5.12).

Mas nem tudo é semelhante entre a minha realidade e a daquele menino, pois, no dia seguinte, ele sairia do castigo e poderia se comportar melhor para evitar novas sanções. No meu caso, o estado em que eu vivia não podia ser evitado por mim, nem melhorado. Minha depravação tornou-me inútil para solucionar eu mesmo meu problema: “Como está escrito: Não há justo, nem um sequer, não há quem entenda, não há quem busque a Deus; todos se extraviaram, a uma se fizeram inúteis; não há quem faça o bem, não há nem um sequer” (Rm 3.10-12).

Assim como no relato de Nelson, o Pai celestial me condenou pelo meu pecado, mas não sentiu alegria nisso, já que diz em sua Palavra: “Tão certo como eu vivo, diz o Senhor Deus, não tenho prazer na morte do perverso, mas em que o perverso se converta do seu caminho e viva” (Ez 33.11). A justiça de Deus é necessária porque ele é um Deus justo (Sl 119.137) e santo (1Pe 1.16) que não pode deixar o mal sem punição. Entretanto, ele “não aflige, nem entristece de bom grado os filhos dos homens” (Lm 3.33). Nem, por isso, deixa de executar o merecido juízo que meu pecado requer.

Outra semelhança é o fato de Deus ter se compadecido de mim. Mesmo sabendo que eu merecia o castigo, ele escolheu me amar. Mas assim como o pai do menino desobediente, ele não podia quebrar sua palavra quanto ao castigo. Por isso, O Deus Filho resolveu vir ao mundo na mesma condição humana em que eu vivo a fim de assumir meu lugar na condenação: “Nisto consiste o amor: não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou e enviou o seu Filho como propiciação pelos nossos pecados” (1Jo 4.10). Nesse ponto, as histórias de Cristo e do pai compassivo divergem. Aquele pai compartilhou o castigo “junto” com o filho. O Senhor Jesus “assumiu totalmente meu lugar” na condenação, sendo morto por mim em uma cruz. Foi mais amor do que jamais pensei que existisse, pois agora, por esse sacrifício e por meio da fé nele, fui liberto da totalmente da condenação (Rm 8.1) e me tornei “filho de Deus” (Jo 1.12).

Esse tão grande amor demonstrado no processo da minha salvação é algo que não posso ignorar quando, na época natalina, tanto falo sobre o nascimento de Jesus. Isso porque tal nascimento não foi um ato teatral de Deus, nem o envio de uma simples mensagem de paz ao mundo. O Pai, em amor, enviou seu próprio Filho para me salvar daquele terrível castigo. O Filho se dispôs a assumir meu lugar na pena gerada por causa minha maldade e desobediência. O Espírito Santo trabalhou em meu coração duro a fim de me fazer perceber meu pecado e buscar, pela fé em Cristo, a salvação e a vida eterna. Tudo isso por mim... é muito amor!

Se isso é uma realidade para mim, é também para muita gente. Aliás, essa é a história de todas as pessoas que foram redimidas pela fé em Cristo. Essas são as pessoas que conhecem o verdadeiro sentido do Natal, a saber, que Deus nos amou e fez seu Filho nascer a fim de por nós morrer (Jo 3.16). Apesar de as festas natalinas serem marcadas por ceias e alegres reuniões familiares, nós, os crentes em Cristo, comemoramos a vinda do Filho que morreu para nos salvar do sótão da condenação e que nos faz dormir seguros e aquecidos em seus braços.

Pr. Thomas Tronco

 

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