Quinta, 06 de Agosto de 2020
   
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A Mordida da Lagartixa ‘Banguela’

Pastoral

Na semana passada, minha mãe assistiu a um vídeo no qual uma cobra, aproximando-se de duas lagartixas, dominou uma delas e estava prestes a estrangulá-la. O inusitado nisso tudo foi a reação da outra lagartixa. Em lugar de correr e se salvar, ela ficou e – acredite – lançou-se em uma missão de “resgate”. A pequena lagartixa começou a desferir “bocadas” na cobra, até que a caçadora soltou a vítima indefesa e fugiu rapidamente. Uma pequena lagartixa sem dentes foi capaz de amedrontar uma cobra com presas terríveis e com recursos suficientes para estrangular e matar vítimas maiores que aquela. Quantas surpresas a natureza nos reserva!

Imediatamente, fiz a relação entre essa história e a reação que temos diante de algumas dificuldades. Quando elas surgem, nos assustamos com a dor do problema e com a incerteza do desfecho. Nesse caso, a surpresa e a decepção alteram nossa capacidade de recordar e analisar a verdade. Assim como a cobra que esqueceu que era mais forte e perigosa que a lagartixa “banguela”, nós nos esquecemos do poder e do amor de Deus e de tudo que ele tem feito por nós.

Esse foi o caso do profeta Elias. Depois de testemunhar coisas grandiosas como anunciar da parte de Deus uma longa seca (1Rs 17.1,7), ser sustentado por corvos (1Rs 17.3-6), alimentar uma família que não tinha mais nada o que comer (1Rs 17.8-16), ressuscitar um menino (1Rs 17.17-24), vencer os profetas de Baal vendo Deus consumir com fogo uma pilha de madeira molhada (1Rs 18.20-45) e ser instrumento de Deus para trazer chuva depois de anos de seca (1Rs 18.42-46), viu-se diante de uma incredulidade que talvez nunca tenha imaginado.

Mesmo ficando claras tanto a falsidade da religião pagã como a supremacia do Deus eterno, a incredulidade do povo se viu por meio da ameaça de Jezabel (1Rs 19.2). Isso fez com que ele se esquecesse de tudo que tinha passado ao lado de Deus. Ele se desesperou, abandonou seu posto na função de profeta de Deus, afastou-se de todos e desejou a morte (1Rs 19.3,4). Ao deixar de lado a verdade, ele perdeu as esperanças e só previu desfechos trágicos e infelizes para sua história.

Nesse ponto, Deus, o Deus eterno que ama e se compadece dos seus filhos, mais uma vez agiu para a restauração do filho desiludido e amargurado. Em primeiro lugar, Deus aguardou o momento de tratar o coração de Elias, suprindo-lhe do que carecia de imediato – comida e descanso: “Deitou-se e dormiu debaixo do zimbro; eis que um anjo o tocou e lhe disse: Levanta-te e come. Olhou ele e viu, junto à cabeceira, um pão cozido sobre pedras em brasa e uma botija de água. Comeu, bebeu e tornou a dormir” (1Rs 19.5,6). Em segundo lugar, Deus o guiou até onde pretendia levá-lo: “Levantou-se, pois, comeu e bebeu; e, com a força daquela comida, caminhou quarenta dias e quarenta noites até Horebe, o monte de Deus” (1Rs 19.8).

A terceira atitude de Deus foi ouvir as queixas do profeta: “Ele respondeu: Tenho sido em extremo zeloso pelo Senhor, Deus dos Exércitos, porque os filhos de Israel deixaram a tua aliança, derribaram os teus altares e mataram os teus profetas à espada; e eu fiquei só, e procuram tirar-me a vida” (1Rs 19.14). Feito isso, o Senhor atuou abertamente nele restaurando-o. Para isso, Deus fez o profeta conhecer a “verdade”: “Conservei em Israel sete mil, todos os joelhos que não se dobraram a Baal, e toda boca que o não beijou” (1Rs 19.18). Desse modo, o Senhor colocou Elias novamente no lugar de onde não devia ter saído.

O que mais me chama atenção nisso tudo é o fato de o desconhecimento da verdade fazer com que o problema sempre pareça maior do que é e Deus pareça menor do que é: “Então, disse Elias ao povo: Só eu fiquei dos profetas do Senhor, e os profetas de Baal são quatrocentos e cinquenta homens” (1Rs 18.22). Que o Senhor sempre nos abençoe e restaure com a verdade da sua Palavra! Afinal, foi assim que começou nossa vida com ele: “Conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará” (Jo 8.32).

Pr. Thomas Tronco

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