Terça, 22 de Outubro de 2019
   
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Deixa prá Lá

Ricardo saiu de casa pra nunca mais voltar. Deixou para trás a sua mãe viúva e uma jovem irmã. Foi para o sul do país. Lá, mergulhou na bebida e ficou vagando sem rumo até que ouviu o Evangelho, aceitou a Cristo, voltou para casa e evangelizou sua mãe. Ela se converteu e ambos passaram a freqüentar a igreja em que eu trabalhava na época.

Um dia fui fazer uma ligação num telefone público e de onde eu estava pude ver o Ricardo dentro de uma lanchonete. Ele estava sozinho, com uma lata de cerveja na mão. Fiquei preocupado. “Esse moço já teve problemas com a bebida”, pensei,“Se começar de novo a coisa vai ficar difícil”. Porém, ao invés de, como irmão, ir procurá-lo, resolvi que seria mais cômodo deixar pra lá. Afinal de contas era só uma cervejinha e eu não queria deixá-lo constrangido nem criar problemas com ninguém.

O tempo passou e fui trabalhar em outra igreja. Não vi mais o Ricardo nem tive mais notícias dele, até que um dia encontrei sua mãe. Mais de dois anos haviam passado e ela foi logo contando as novidades. “Por favor, Pr. Marcos, ore pelo Ricardo”, disse ela,“Ele está bebendo muito; chega em casa de madrugada, sempre embriagado; passa as noites em mesas de jogo e eu não sei mais o que fazer...” Eu fiquei em silêncio. Faltou-me coragem para contar-lhe que seu filho estava naquela situação em parte por culpa minha.

Eu havia deixado de fazer o que, como crente, era meu dever fazer; eu escolhera o caminho mais fácil, livre de problemas e que me fazia ter a simpatia de todo mundo. Sim, uma grande parcela de culpa era minha, minha, minha!

Hoje há um jovem sofrendo debaixo do jugo da bebida. Hoje há uma mãe sem dormir noites a fio, chorando, suplicando, adoecendo. Hoje há um pastor gastando tempo precioso na difícil recuperação de um jovem que poderia ter abandonado a bebida bem depressa caso eu tivesse saído do telefone e ido em sua direção para exortá-lo com amor.

Qual será o fim da história do Ricardo? Não sei. Também não há nada agora que eu possa fazer. É muito tarde. Deixa pra lá.

Pr. Marcos Granconato
Soli Deo gloria
(Hb 3.13)

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