Terça, 11 de Agosto de 2020
   
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O Líder Aprovado por Deus

Pastoral

Os institutos de pesquisas dizem que a igreja evangélica brasileira está em plena ascensão. Estudos indicam que os evangélicos compõem 1/3 da população do nosso país, ficando atrás somente de católicos. As estimativas são de que, até o ano de 2032, esse grupo se torne maioria no Brasil. De fato, uma simples caminhada pelos bairros da cidade é suficiente para perceber que muitas igrejas foram abertas nos últimos anos. Até mesmo uma bancada evangélica foi estabelecida no Congresso Nacional para advogar a favor de temas específicos. Algumas denominações se tornaram verdadeiros impérios que contam com canais de TV, produtoras, além de centenas de congregações espalhadas pelo mundo. Isso mostra que as pesquisas e previsões dos institutos talvez estejam realmente corretas.

Todavia, se por um lado, notamos esse aumento numérico dos evangélicos, por outro, vemos seu declino teológico e moral devido ao afastamento da Palavra de Deus. Muitíssimos desvios são vistos em comunidades que carregam o nome de igreja, mas que, na verdade, estão muito distantes de ser “coluna e baluarte da verdade” (1Tm 3.15). Aliás, o que se veem em várias dessas organizações são movimentos estranhos que mais se assemelham aos cultos pagãos do baixo espiritismo. Muitos desses grupos substituíram as Escrituras por meras palestras motivacionais. Não se opõem ao pecado, não zelam pela pureza da igreja e não estimulam a comunhão santa entre seus membros. Prezam, isso sim, por manter as aparências. Seus salões de culto — que costumam chamar de “templos” — são suntuosos. O linguajar deles é sempre recheado de termos que causam bem-estar nas pessoas. Nesses lugares não há espaço para pregação acerca do juízo eterno, mas tudo é muito bem pensado para que o grande público se sinta confortável.

Apesar dessas aberrações, opor-se a essas comunidades é arriscado. Muitos de seus membros são hostis e, ao serem contrariados, armam-se com palavreados chulos e indecorosos, algo que jamais seria visto em homens santos que dão mostras da sua eleição por meio de uma postura reta (Ef 5.3-4; 1Ts 1.3-4; Tt 1.16). Até mesmo ameaças veladas são feitas aos que denunciam seus desvios. Tal conduta se assemelha à dos inimigos da fé que atacaram os servos de Deus no passado. Em Atos 6.8-15, lemos que Estevão foi vítima de religiosos sem escrúpulos que não hesitaram em tentar contra sua vida, o que de fato conseguiram (At 7.58-59).

Diante disso, o que deve ser feito? Pastores fiéis a Deus devem cruzar os braços e assistir a esse show de horrores? Enquanto os falsos mestres vociferam suas blasfêmias, os homens de Deus emudecem? Parece-me que a resposta a essas perguntas se encontra em Tito 1.10-11: “Pois há muitos insubordinados, que não passam de faladores e enganadores, especialmente os do grupo da circuncisão. É necessário que eles sejam silenciados, pois estão arruinando famílias inteiras, ensinando coisas que não devem, e tudo por ganância”.

Não quero estimular ninguém a sair por aí discutindo com quem quer que seja. Mas pretendo chamar atenção acerca do papel dos líderes que o Senhor instituiu sobre seu povo. Em primeiro lugar, aos bispos foi dado a incumbência de pastorear a preciosa igreja de Deus e de estar sempre alerta contra os falsos mestres que tentam dissuadir o rebanho (At 20.28-31).  Não cumprir tal tarefa está fora de cogitação, especialmente porque pastores negligentes nesse campo foram severamente exortados pelo Senhor (Ap 2.20-23). Em segundo lugar, os pastores fiéis à sua missão devem estar engajados na tarefa de alimentar e oferecer refrigério ao rebanho. A orientação de Paulo a Timóteo foi a de que ele pregasse a Palavra e estivesse preparado a todo tempo. Com base na sã doutrina, o jovem pastor deveria corrigir, repreender, e encorajar com toda paciência aqueles a quem Deus os confiou, oferecendo assim não somente conhecimento da Palavra, mas também consolo (2Tm 4.1-2; Tg 5.14-15; Ap 7.17).

Por fim, os pastores verdadeiros devem realizar sua tarefa movidos pelo amor ao Senhor e nunca por ambições egoístas (Jo 21.17). Em sua primeira epístola, o apóstolo Pedro se dirige aos presbíteros dizendo: “Pastoreiem o rebanho de Deus que está aos seus cuidados. Olhem por ele, não por obrigação, mas de livre vontade, como Deus quer. Não façam isso por ganância, mas com o desejo de servir” (1Pe 5.2). Fica claro que o modelo de liderança eclesiástica que se encontra na Bíblia não se enquadra na figura do pastor omisso que evita indisposição com os falsos mestres. Os ministros de Deus, responsáveis pela tarefa de pastorear o povo santo do Senhor, opõem-se ao erro, mesmo que isso lhes custe a popularidade. Trata-se de homens que devem estar sempre alerta, empenhados em promover a verdade e movidos pela disposição sincera de glorificar ao Deus que os comissionou e à quem amam com sinceridade.

Que Deus levante mais homens assim em nossos dias!

Robson Alves

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