Domingo, 11 de Abril de 2021
   
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O Cimento Romano

Depois da água, o cimento é o elemento mais utilizado pela humanidade — e o Brasil é um dos cinco maiores produtores de cimento no mundo! Todavia, menos de 5% de todo cimento produzido no mundo é exportado. Como o transporte impacta muito nos custos de comercialização, raramente essa mercadoria viaja mais de 300 quilômetros por nossas estradas. Dito isso, o cimento acaba sendo produzido em grandes fábricas, estrategicamente próximas das minas de calcário (principal matéria-prima) e dos mercados consumidores.

O cimento pode ser definido como um pó fino com propriedades aglutinantes (ou ligantes) que endurece em contato com a água. Na forma de concreto, torna-se uma pedra artificial que pode ganhar formas e volumes de acordo com as necessidades de cada obra. O Brasil possui oito tipos de cimento Portland comum e o CP III (cimento Portland de alto-forno) é o que possui maior impermeabilidade e durabilidade, além de baixo calor de hidratação e alta resistência à expansão e a sulfatos. É particularmente usado em barragens, tubos para condução de líquidos agressivos, esgotos, pavimentação de estradas, pistas de aeroportos e obras submersas.

Os romanos antigos usavam um tipo de concreto que é muito mais durável em aplicações à beira-mar em comparação com o concreto moderno comum. O material era resistente como uma rocha!  Surpreendentemente, dois cais e quebra-mares romanos de dois milênios estão preservados até hoje! Por sua vez, o cimento moderno comum, em constante contato com o mar, acaba enfraquecendo e o reforço de aço em seu interior enferruja quando a água salgada infiltra nas fendas da estrutura. Dessa forma, leva apenas algumas décadas para que o concreto comece a fragmentar e desmoronar.

Tal durabilidade, muito bem descrita por Plínio, o Velho — que já havia feito a correlação entre o concreto romano e as rochas naturais —, chamou a atenção de cientistas que estudaram o processo de endurecimento do concreto em rocha (litificação). A receita romana de cal, cinzas vulcânicas e agregado rochoso, misturada à água do mar, produziu um concreto que, ao microscópio, se parece com rocha natural!

Posto isso, o concreto marítimo romano fornece uma evidência razoável de como os depósitos de inundação do mundo durante o dilúvio, relatado em Gênesis, endureceram rapidamente nas formas sedimentares duradouras que vemos hoje. Durante o dilúvio global dos dias de Noé, Deus fez o mar subir e cobrir toda a Terra. O dilúvio durou um ano e teve intensa atividade tectônica, com rompimento da crosta terrestre, erosão e sedimentação em grande escala. O vulcanismo foi intenso em alguns lugares, como podemos constatar hoje em várias formações geológicas. Os sedimentos transmitidos pela água e as cinzas vulcânicas acumulam-se em bacias sedimentares por toda a Terra. Há também evidências geológicas de que grandes quantidades de minerais de cal estavam presentes durante o dilúvio, provavelmente dissolvidas em águas subterrâneas que subiram à superfície da Terra. Esses elementos em contato com a água do mar foram a receita perfeita para a rápida formação de rochas sedimentares.

Há outro elemento que possui a característica de se endurecer muito rapidamente como o concreto romano: o coração humano. O coração humano, perverso e descrente, afasta-se de Deus e muito rapidamente se endurece pelo engano do pecado. A Palavra de Deus diz que a comunhão dos santos, com admoestação e encorajamento santo, é eficaz para evitar que a “litificação” do coração ocorra pelo pecado. A igreja deve estar atenta a esse fenômeno e, sob a orientação e exortação bíblica, evitar que corações humanos petrifiquem em nosso meio.  

“Cuidado, irmãos, para que nenhum de vocês tenha coração perverso e incrédulo, que se afaste do Deus vivo. Pelo contrário, encorajem-se uns aos outros todos os dias, durante o tempo que se chama ‘hoje’, de modo que nenhum de vocês seja endurecido pelo engano do pecado” (Hebreus 3.12-13).

Ev. Leandro Boer

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