Quinta, 13 de Agosto de 2020
   
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Esperança em Meio ao Sofrimento

Pastoral

Talvez, nem todas as pessoas próximas a mim saibam, mas durante certo tempo meu esporte predileto foi a corrida. Em dias de “longão”, como é chamada a ocasião em que os corredores percorrem distâncias maiores, eu chegava a completar 21 quilômetros de percurso. Para um corredor amador, como era o meu caso, isso exigia grandes esforços. Contudo, fazer deslocamentos maiores era necessário, pois me auxiliava no desenvolvimento de resistência e fortalecimento muscular e mental, além de servir como um belo exercício para definir ritmo e estratégia de prova. Mas nem tudo era tão fácil como pode parecer. Era comum, durante a corrida, eu me sentir abatido. Por diversas vezes, já próximo de completar um trajeto, sentia-me tentado a desistir. Afinal, as dores musculares eram constantes e, muitas vezes, o clima seco e poluído prejudicava meu desempenho. Em momentos assim, para manter o foco, eu buscava me concentrar no destino ao qual eu me propusera a chegar.

Em circunstâncias adversas, é comum que as pessoas se sintam tristes e angustiadas. Isso faz parte do drama humano. O Senhor Jesus, já próximo da sua crucificação, deu mostras de sua humanidade fazendo declarações extremamente comoventes que demonstram sua dor e aflição, dizendo: “A minha alma está profundamente triste até a morte” (Mt 26.38) e, ainda: “Deus meu, Deus meu, por que me desamparastes?” (Mt 27.46). É difícil mensurar a angústia do Salvador diante das situações dificílimas em que estava vivendo. Mesmo assim, é possível concluir que seu sofrimento foi terrível. Dietrich Bonhoeffer, um famoso teólogo alemão encarcerado pelo regime nazista, em abril de 1943, escreveu diversos textos durante sua prisão. Entre seus escritos, o poema Quem sou eu ganha destaque pela sinceridade com que relata seu sofrimento. Um dos trechos:

Sou mesmo o que os outros dizem a meu respeito?

Ou sou apenas o que eu sei a respeito de mim mesmo?

Inquieto, saudoso, doente, como um pássaro na gaiola,

respirando com dificuldade, como se me apertassem a garganta,

faminto de cores, de flores, do canto dos pássaros,

sedento de palavras boas, de proximidade humana,

tremendo de ira por causa da arbitrariedade e ofensa mesquinha,

irrequieto à espera de grandes coisas,

em angústia impotente pela sorte de amigos distantes,

cansado e vazio até para orar, para pensar, para criar,

desanimado e pronto para me despedir de tudo?

Em dias como os que estamos vivendo, em que uma crise mundial se descortina diante de nós, muitos irmãos se sentem fracos e preocupados, sem enxergar uma saída para a situação adversa em que estão. Contudo, por mais complexa que seja sua condição, é necessário recordar que o Senhor reina soberano sobre todas as coisas. Deus, que é Todo-poderoso, não é surpreendido por nada do que aconteceu, está acontecendo ou ainda acontecerá. Ele tem domínio pleno sobre todas as coisas (1Cr 29.12; Jó 42.2). Diante disso, preocupação excessiva e desespero servem apenas para causar males desnecessários. Em Filipenses 4.6 está escrito: “Não andeis ansiosos por coisa alguma; em tudo, porém, sejam conhecidas, diante de Deus, as vossas petições, pela oração e pela súplica, com ações de graças”.

Nossa súplica a Deus é que essa crise passe logo para que, enfim, possamos dar sequência às nossas rotinas. Contudo, é necessário que saibamos que, infelizmente, outras crises virão, seja no âmbito global ou individual, podendo nos causar danos irreparáveis, gerando dor e sofrimento. Infelizmente, os crentes não estão livres dessas coisas. Afinal, “sabemos que toda a criação, a um só tempo, geme e suporta angústias até agora. E não somente ela, mas também nós, que temos as primícias do Espírito, igualmente gememos em nosso íntimo, aguardando a adoção de filhos, a redenção do nosso corpo” (Rm 8.22-23). O que deve nos trazer consolo, porém, é que servimos a um Deus Todo-poderoso, que escreveu a história do mundo desde a eternidade, e que, portanto, nada escapa aos seus desígnios (Ef 1.11). Estejamos todos certos ainda de que não devemos andar ansiosos, sendo consumidos pelas preocupações dessa vida (Mt 6.27). Devemos, isso sim, nutrir a real esperança de que um dia, enfim, habitaremos em um novo céu e nova Terra, a nova Jerusalém, onde não haverá luto, nem pranto, nem dor. Lá gozaremos a eternidade na presença do nosso Rei Soberano (Ap 21.2,4; 22.5).

Amém! Vem, Senhor Jesus!

Robson Alves

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