Quinta, 06 de Agosto de 2020
   
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O Medo do Amanhã

Pastoral

Vivemos dias inéditos para esta geração. O novo coronavírus (Sars-CoV-2) tomou o planeta por refém gerando medo e caos globalizados. Governantes de todo o mundo bloquearam suas fronteiras, decretaram o fechamento de escolas, universidades, comércio, shopping centers, restaurantes, cinemas, igrejas e qualquer outra atividade que julgam não ser essencial.

Shows musicais, apresentações teatrais e congressos foram cancelados, eventos esportivos estão suspensos, até mesmo os Jogos Olímpicos, em Tóquio, marcados originalmente para o final de julho deste ano, tiveram de ser adiados para o ano que vem por conta das medidas para contenção do contágio. O mundo, ou boa parte dele, parou!

A incerteza acerca dos detalhes sobre o novo coronavírus, aliada à velocidade e facilidade de transmissão, levou países a enclausurar as pessoas em casa a fim de evitar o contágio e a disseminação. Estima-se que, aproximadamente, 2,6 bilhões de pessoas — algo em torno de 30% da população mundial — encontra-se em isolamento, anelando ansiosamente pela cura, vacina ou remédio que nos proteja do sofrimento e da morte.

Como consequência de tais medidas, os analistas financeiros começaram a rever suas projeções para a economia global e as previsões são tão alarmantes quanto às da pandemia. A interrupção de parte dos três setores da economia já está gerando efeitos drásticos como demissões em massa, inadimplência de fornecedores e falta de pagamento de salários.

Diante do ineditismo das circunstâncias, muitas pessoas estão sucumbindo ao desespero e, consequentemente, sendo acometidas por ansiedade, pânico e depressão, seja por causa do medo da pandemia no curto prazo ou pelo receio do desemprego e falta de dinheiro no curto e médio prazos.

Ainda não temos a vacina contra o Sars-Cov-2, mas a Bíblia detém uma boa dose de verdades capazes de remediar nossos medos e incertezas com relação ao amanhã. A primeira dose é que as crises não duram para sempre. Eventualmente, Deus faz pesar sua mão sobre a humanidade com o objetivo de se fazer conhecido, demonstrar sua ira e poder e disciplinar seus filhos (Gn 6.7; Nm 21.5-7; 2Co 12.7-9), mas ele é compassivo e não conserva para sempre sua ira (Sl 103.8-9).

O novo coronavírus pode transformar nossa vida em longas e densas noites de insegurança, pavor e dúvida, mas quando o primeiro raio da fulgente misericórdia de Deus despontar na alvorada, veremos a alegria e o perene favor do Pai, que é pródigo em nos abençoar. “O choro pode durar uma noite, mas a alegria vem pela manhã” (Sl 30.5)

A segunda dose de verdade é que não precisamos nos preocupar com o amanhã. O Deus que proveu o maná no deserto para os filhos de Israel, provando-lhes a confiança diariamente (Êx 16.20), é o mesmo Deus que nos dá o pão de cada dia (Mt 6.11). Não somos desestimulados a fazer provisões para os dias maus, mas nossa segurança deve residir exclusivamente em Deus e não em celeiros — ou contas correntes — abarrotados. Nossa segurança jamais pode estar naquilo que podemos perder.

Deus nos deu o “hoje” para viver. Não sabemos o que sucederá amanhã, e o novo coronavírus está aí para provar isso (Tg 4.14). Trazer as preocupações de amanhã para hoje é desconfiar da provisão divina e afligir-se desnecessariamente, pois basta a cada dia o seu próprio mal (Mt 6.34). O “amanhã” nos será dado somente amanhã e, ainda assim, só se Deus quiser (Tg 4.16).

A última dose do remédio bíblico contra o pecado da ansiedade, pânico e insegurança é que não importa o que nos sobrevenha em nossos dias sobre a Terra, a esperança do cristão está além desta vida. Ao passo que é pecado viver obcecado com o dia de amanhã, podemos anelar ardentemente pelas promessas garantidas do futuro.

O reino do Senhor Jesus (Zc 14.9), a ressurreição e glorificação do corpo (1Co 15.52-54) e o banimento da morte e do sofrimento (2Co 5.4) são excelentes promessas que nos ajudam a manter o foco no que é eterno (Cl 3.1-3), além de impedir que desanimemos diante de um mundo tão mau e cheio de dores. É atribuída ao matemático e físico Blaise Pascal (1623-1662) a seguinte reflexão acerca das enfermidades: “A doença nos devolve ao lugar de onde nunca deveríamos ter saído: na dependência de Deus e à espera do céu”.

Pr. Isaac Pereira


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