Domingo, 05 de Julho de 2020
   
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Idosos, Deixem de Teimosia!

Pastoral

A terceira idade é um dos grupos mais sensíveis ao novo coronavírus e as mortes, dentro e fora do País, atestam isso. É difícil trazer qualquer estatística a respeito do assunto, já que os números crescem diariamente ao redor do mundo, mas, a título de exemplo, dos primeiros 34 óbitos no Brasil, causados pela Covid-19, 31 eram de pessoas com mais de 60 anos. Ainda assim, uma das queixas mais frequentes em grupos de WhatsApp e no Facebook diz respeito à teimosia dos idosos quanto às orientações de isolamento. Filhos e netos têm sofrido com a falta de bom senso da terceira idade que, obstinadamente, resolve sair de casa, ir à feira, jogar conversa fora com os vizinhos, dar “uma passadinha” no posto de saúde e por aí vai.

É evidente que muitos idosos não podem viver sem um nível mínimo de exposição ao mundo externo, mas também é preciso reconhecer que a higienização das calçadas da vizinhança, às seis da manhã, não depende da mangueira e da vassoura da vovó. Além do mais, o problema não é a exposição inevitável a outras pessoas, mas sim os perigos desnecessários que esse grupo corre por mera teimosia e orgulho.

Portanto, a fim de combater essa postura descabida, são listadas abaixo três razões pelas quais os mais velhos devem atender às orientações das autoridades públicas, bem como de seus familiares e amigos mais jovens.

Em primeiro lugar, Paulo ordena que os idosos sejam exemplo para os mais novos, expressando, dentre outras coisas, moderação e autocontrole (Tt 2.2-5). Portanto, os mais velhos devem zelar por seu testemunho às novas gerações, obedecendo de pronto às recomendações das autoridades e colocando-se fora de riscos desnecessários. O domínio próprio também se manifesta em abnegação pessoal, que deve levar os idosos a adaptar um pouco da sagrada rotina em prol do bem coletivo.

Em segundo lugar, a Escritura descreve os efeitos da passagem do tempo sobre o homem e mostra que limitações são inevitáveis. Não é por acaso que os planos de saúde para a terceira idade têm preços exorbitantes, pois, além da sabedoria adquirida a partir de uma vida de temor ao Senhor (Pv 16.31), a idade avançada traz, também, a deterioração acelerada da saúde (Ec 12.1-7), razão pela qual os idosos devem ter especial cuidado em cenários como o que o mundo tem vivido.

Por fim, em terceiro lugar, os idosos devem deixar a teimosia de lado e ouvir os mais novos por humildade. A Escritura fala que um jovem pode ser mais sábio que um idoso quando guarda as instruções do Senhor (Sl 119.100). Além disso, há diversas orientações bíblicas para que os filhos acudam seus pais durante a velhice (Dt 5.16; Mc 7.10-13; 1Tm 5.4), demonstrando que o plano de Deus para a família inclui certo grau de dependência dos idosos em relação aos mais novos. Não há nada de vergonhoso ou desrespeitoso nisso.

Vale destacar, porém, que os filhos e netos devem tratar questões como essa com paciência e brandura, exortando e orientando os mais velhos com profundo respeito e consideração (1Tm 5.1-2). Em seus relacionamentos, especialmente com os idosos, a humildade deve ser a marca de grife do jovem cristão (1Pe 5.5)

Portanto, idosos, deixem de teimosia e aceitem que seus filhos peguem seus remédios no postinho de saúde; permitam que seus netos façam as compras da semana; deixem que as conversas do bairro corram sem participar delas; ajustem a rotina; ouçam as autoridades e, mais ainda, seus filhos e netos. Além de uma questão de saúde pública, trata-se também de uma pauta de saúde espiritual.

Pr. Níckolas Ramos

Coram Deo

 

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