Domingo, 05 de Julho de 2020
   
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As Emoções das Olimpíadas

Pastoral

O ano de 2020 será cheio de emoções. Além de ser ano eleitoral (atualmente, mais recheado de emoções que de costume), haverá os Jogos Olímpicos de Verão, em Tóquio, no Japão, durante o período que vai do final de julho até o começo de agosto. Os atletas de toda parte do mundo estão em pleno preparo, lutando para quebrar seus limites e alcançar marcas inéditas que lhes garantam um lugar no pódio e, quem sabe, a tão sonhada medalha de ouro, alvo máximo da maioria dos atletas ao redor do planeta. Como sempre, as emoções irão aflorar durante as competições, tocando, juntamente, o coração dos torcedores. Três sentimentos são frequentes. Um deles é a “tensão” que surge antes das competições e que, por muitas vezes, levam os atletas a erros que lhes custam todo tempo de preparo. Outro sentimento é a “decepção” diante de derrotas inesperadas e de performances bem aquém do usual. Por fim, há também o sentimento mais almejado pelos atletas: a “alegria” de ser condecorado no pódio.

Do mesmo modo, a luta da vida cristã produz sentimentos semelhantes. Em primeiro lugar, há a tensão diante das dificuldades. Não é fácil se ver na responsabilidade de desenvolver a salvação (Fp 2.12), de renovar a mente (Rm 12.1,2), de mortificar a carne (Rm 8.13; Cl 3.5) e de se negar a si mesmo para seguir a Cristo (Mt 16.24). Desse modo, assim como um atleta demonstra tensão diante da responsabilidade da prova, não sabendo se obterá o resultado para o qual treinou, a responsabilidade cristã de seguir o Mestre contra todas as imperfeições dessa vida faz com que essa luta seja travada diante da possibilidade real dos “tropeços”, pelo que Pedro nos orienta a sermos “diligentes”: “Por isso, irmãos, procurai, com diligência cada vez maior, confirmar a vossa vocação e eleição; porquanto, procedendo assim, não tropeçareis em tempo algum” (2Pe 1.10). Paulo, pensando na mesma realidade, afirma que travava uma batalha pessoal a fim de não ser “desqualificado” como servo útil de Deus: “Assim corro também eu, não sem meta; assim luto, não como desferindo golpes no ar. Mas esmurro o meu corpo e o reduzo à escravidão, para que, tendo pregado a outros, não venha eu mesmo a ser desqualificado” (1Co 9.26,27).

Em segundo lugar, há a decepção diante das falhas e fraquezas. Certo escritor escreveu: “Ninguém sabe o quanto é mau até ter tentado seriamente ser bom”. Ele tinha razão! A luta pela santificação irá revelar a cada um que nela entrar o quão distante ele está de ser a pessoa que desejava. É claro que há avanços, mas cada derrota é sentida com dor. E isso vale para todos, visto que o próprio apóstolo Paulo, exemplo de vida e dedicação para todos os cristãos, conhecia sua fraqueza e a lamentava: “Fiel é a palavra e digna de toda aceitação: que Cristo Jesus veio ao mundo para salvar os pecadores, dos quais eu sou o principal” (1Tm 1.15). Além disso, havia a tristeza pelas derrotas passadas: “Porque eu sou o menor dos apóstolos, que mesmo não sou digno de ser chamado apóstolo, pois persegui a igreja de Deus” (1Co 15.9). Como não ver em tais palavras a desilusão e a dor de saber que ele lutou contra o que agora defendia? (At 26.10,11). É possível que Paulo muitas vezes fosse se deitar pensando nos erros que cometeu e que vinha cometendo e passava parte da noite clamando a Deus por consolo e por forças para vencer as próximas batalhas. Ainda bem que os textos de 1Tm 1.15 e 1Co 15.9 são seguidos pela contraposição da graça e da misericórdia de Deus que sustentava Paulo e o ajudava a seguir sua vocação. Mesmo assim, não é possível ignorar a dor de não ser plenamente aquilo que se deseja (Rm 7.24).

Em terceiro lugar, há a alegria de se alcançar a vitória. Paulo, apesar de lutar contra as dificuldades, também contabilizou vitórias que obteve pela pura graça de Deus. Ele, dirigindo-se aos crentes da cidade de Filipos, lhes chama “minha alegria e coroa” (Fp 4.1). Ele diz o mesmo aos irmãos de Tessalônica: “Pois quem é a nossa esperança, ou alegria, ou coroa em que exultamos, na presença de nosso Senhor Jesus em sua vinda não sois vós? Sim, vós sois realmente a nossa glória e a nossa alegria!” (1Ts 2.19,20). Para o apóstolo, testemunhar a salvação das pessoas a quem pregou era como receber uma medalha, sabendo que poderia dizer: “Não corri em vão, nem me esforcei inutilmente” (Fp 2.16). Se a salvação de pessoas a quem pregou era para ele motivo de comemoração e alegria, o desenvolvimento e crescimento espiritual deles também eram (Ef 1.15,16; Fp 1.3-5; Cl 1.3,4; 1Ts 1.2,3; 2Ts 1.3; Fm 4,5). Por isso, com a consciência tranquila de ter cumprido sua tarefa e com a sensação de vitória, ele proclama, próximo ao final da vida: “Combati o bom combate, completei a carreira, guardei a fé. Já agora a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, reto juiz, me dará naquele Dia; e não somente a mim, mas também a todos quantos amam a sua vinda” (2Tm 4.7,8).

Portanto, queridos irmãos, não nos deixemos abater com a dureza desse tempo. Antes, arrependamo-nos dos erros (2Co 7.9), busquemos o perdão do Mestre e a restauração (1Jo 1.9), oremos diariamente clamando por consolo e forças para seguir (Lc 22.46), avancemos para o alvo de servirmos positivamente nosso Deus (Fp 3.12-14) e nutramos a esperança baseada nas vitórias que o Senhor já nos deu (1Co 15.10) e na premiação que ainda nos dará (Tg 1.12; 1Pe 1.3-5).

Pr. Thomas Tronco

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