Domingo, 06 de Dezembro de 2020
   
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Coronavírus, Palestina e Escatologia

Pastoral

“Ninguém, de nenhum modo, vos engane, porque isto não acontecerá sem que primeiro venha a apostasia e seja revelado o homem da iniquidade, o filho da perdição” (2Ts 2.3).

Os noticiários das últimas semanas têm sido tomados por pautas preocupantes: em tempo recorde, a China construiu um hospital para atender aos milhares de casos registrados do Coronavírus, uma ameaça biológica que tem alertado não apenas o Oriente, mas também a Europa e a América; os conflitos no Oriente Médio, envolvendo intervenções dos Estados Unidos na região, geraram até boatos de uma guerra nuclear; recentemente, as disputas por território que sacodem o Oriente Médio levaram os Estados Unidos a propor um acordo de paz entre Israel e Palestina, distribuindo as terras de forma a apaziguar uma batalha sem fim.

Na verdade, já faz muito tempo que as notícias nacionais e internacionais são chocantes: familiares que assassinam seus parentes, conflitos sanguinários que obrigam povos inteiros a abandonar seus países, governos totalitários que causam a morte da própria nação e até mesmo crianças com pouquíssima idade sendo declaradas transgêneros. O mundo parece estar totalmente ao avesso e o povo de Deus clama cada vez mais intensamente para que o Senhor Jesus volte (Ap 22.20).

Não é de surpreender que, nesse ambiente alarmante, muitos comecem a divulgar fake news e elevem ainda mais o pavor das pessoas menos informadas. No meio evangélico, a desinformação a respeito do mundo e a falta de conhecimento teológico produzem publicações nas redes sociais alegando que “os sinais da vinda de Jesus estão se cumprindo”. Imagens falsas ou fora de contexto vêm acompanhadas de versículos como “ouvireis falar de guerras e rumores de guerras... porquanto se levantará nação contra nação... e haverá fomes e terremotos em vários lugares...” (Mt 24.6-8), tudo com o objetivo de “provar” que a volta de Jesus está próxima. De fato, a Bíblia diz que nem o Filho sabe dizer o dia da sua volta (Mt 24.36; At 1.6-7), mas as “tias do WhatsApp” conseguem predizer isso só de bater o olho em uma notificação no celular... Tempos modernos!

Seja por maldade ou por ignorância, as tragédias do mundo sempre são catalisadoras do interesse pela Escatologia, a doutrina bíblica a respeito das últimas coisas. O texto que abre esta pastoral mostra que, desde o primeiro século, o povo de Deus sofre com distorções escatológicas. Para corrigir os problemas na igreja de Tessalônica, Paulo relembrou àqueles irmãos o cronograma bíblico para os eventos futuros, de modo que eles se acalmassem e seguissem a vida cristã em santidade e produtividade. Da mesma forma, hoje, os crentes devem ler os eventos do mundo a partir de uma lente bíblica saudável e fazer uso responsável das redes sociais, de modo a propagar a verdade e não achismos fantasiosos e sensacionalistas. Para isso, são listadas a seguir três orientações ao povo de Deus:

Em primeiro lugar, estude a Escritura e tenha um panorama escatológico em mente. Sem conhecimento será impossível se manter longe do engano. A visão pré-tribulacionista, por exemplo, defende que o próximo evento escatológico será o arrebatamento da igreja (1Ts 4.15-17), de modo que todos os feitos do Anticristo e os acontecimentos da Tribulação acontecerão apenas depois que a Igreja for levada aos céus. Portanto, notícias do “Sol vermelho” em Jerusalém ou um vídeo das “trombetas do apocalipse no céu de Israel” não são sinais reais da volta iminente de Jesus. Sabendo disso, abandone as fake news teológicas, tranquilize o seu coração e preocupe-se em viver em santidade (2Pe 3.10-13).

Em segundo lugar, conheça a história do mundo. O Coronavírus e o terrorismo no Oriente Médio são realmente alarmantes, mas ainda não são mensageiros inegáveis do apocalipse. Outras grandes tragédias já ocorreram no passado e não eram concretizações de profecias bíblicas. A Peste Negra, por exemplo, dizimou quase um terço da Europa no século 14. As guerras mundiais somam milhões de mortes em batalha ou por extermínio, como o holocausto nazista. A Europa já foi devastada por terremotos inimagináveis diversas vezes no passado. Enfim, mantenha-se informado a respeito da história para não ser enganado pelas “profecias de Nostradamus” ou pelas correntes de WhatsApp.

Por fim, em terceiro lugar, aproveite o interesse dos incrédulos pelo “fim do mundo” para pregar o evangelho. Sem dúvida, a curiosidade e o senso de autopreservação levam os olhos de qualquer pessoa para o futuro. Portanto, fale a respeito da Tribulação, discorra sobre o Milênio terreno, pregue sobre o grande julgamento do Trono Branco, mas jamais esqueça de mencionar a cruz e o seu significado — um evento passado que muda completamente a nossa visão do presente e garante a nossa esperança para o futuro.

Pr. Níckolas Ramos

Coram Deo

 

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