Quinta, 14 de Novembro de 2019
   
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Aborto, o Mal Sem Igual

Pastoral

A paternidade me deixou muito mais sensível para algumas coisas. É como se, na palheta de cores da vida, novos tons fossem notados. Se você é pai ou mãe sabe bem do que estou falando. Lembro-me como se fosse hoje da primeira vez que ouvi as batidas do coração do meu filho: foi impossível conter as lágrimas. Após cada consulta médica, a sensação era de ter recebido um prêmio riquíssimo. Durante nove meses, eu e minha esposa tivemos de conter a ansiedade, até que o grande dia chegou. O relógio marcava 7h52, hora exata em que ele veio ao mundo, pesando cerca de 3,5 quilos e medindo quase 50 centímetros. Que alegria! Pude, enfim, ouvir seu choro. Quando o peguei no colo pela primeira vez, disse baixinho em seu ouvido: “O papai vai cuidar de você, filho”. 

Infelizmente, nem todos os bebês desfrutam do mesmo amor e cuidado. Muitos são assassinados estando ainda no ventre de suas mães. O aborto, sem sombra de dúvida, é um dos atos mais abomináveis cometidos pelo homem. Especialistas buscam amenizar a brutalidade dessa prática referindo-se ao aborto não como algo realizado contra uma pessoa. Alguns defendem que até a 12ª semana de gestação o embrião é apenas um emaranhado de células em formação e que, portanto, não se trata de um ser pessoal. Tudo isso são maneiras de fazer com que algo bárbaro, como é o aborto, ganhe contornos mais amenos perante a sociedade.

O que causa mais espanto, porém, é saber que existem grupos “ditos evangélicos” que apoiam a descriminalização do aborto. Recentemente, li uma matéria em que um dos integrantes desses grupos dizia: “Não somos a favor do aborto, mas da descriminalização de quem o pratica”.

Essa frase não partiu de ateus, mas de alguém que, supostamente, apresenta-se como sendo da “família da fé”. Notem: essa pessoa não se diz a favor do aborto, mas reivindica que sua prática não seja considerada crime. Em resumo, o próprio filho, ainda no ventre materno, é assassinado e, isso, segundo ela, não dever ser visto como crime perante a lei. Que grande incoerência!

Se, por exemplo, alguém diz não ser a favor do estupro, mas defende que o estuprador é inocente, não estaria, com isso, viabilizando a violência sexual contra a mulher por meio da impunidade contra tal crime? É óbvio que sim! Da mesma forma, quem defende a descriminalização do aborto, consequentemente, é “pró-aborto”. Por isso, a retórica falaciosa comum entre os chamados “cristãos progressistas” não deve confundir o povo santo de Deus.

O aborto é um assassinato, mesmo quando regulamentado pelo Estado. A interrupção da gravidez — como alguns se referem ao aborto — nada mais é do que o assassinato cruel de pessoas indefesas. É evidente que há situações ligadas a esse tema que são complexas e que causam grande sofrimento a todos os envolvidos. No entanto, estou certo de que o aborto não é a solução.

A Bíblia nos ensina que homem e mulher foram feitos à imagem e semelhança de Deus (Gn 1.26), de modo que a vida humana é extremamente valiosa. Afinal, todas as pessoas, sejam fetos em desenvolvimento ou adultos, refletem a imagem do grande Criador do universo. Isso, por si só, deveria ser suficiente para convencer qualquer cristão verdadeiro de que a prática do aborto é uma abominação aos olhos de Deus.

Em Êxodo 21.22-25, o bebê no ventre de sua mãe é tratado como uma pessoa. Isso tanto é verdade que, nesse texto, aprendemos que, caso a mãe ou o bebê, ainda que acidentalmente, sofressem algum mal causado por determinado agressor, a mesma punição deveria ser aplicada àquele que causou o dano (v.23), apontando que tanto o bebê, que ainda está no ventre materno, como a mãe possuem o mesmo valor perante Deus.

No Salmo 139, Deus é apresentado como o doador da vida. Nesse texto, aprendemos que o Senhor cuida de cada etapa do desenvolvimento de um bebê e que seu pequeno corpo é minuciosamente desenvolvido por ele (v.13). Mesmo quando sua condição é a de um pequeno embrião, Deus está com ele, demonstrando todo cuidado (v.16). Diante dessa maravilhosa realidade, não resta mais nada ao salmista senão ficar maravilhado com a soberania e o poder de Deus (v.17-18). É possível ver, claramente, o enorme cuidado que o Senhor tem para com o embrião desde sua concepção, de maneira que tentar contra sua vida ofende imensamente o próprio Deus.

Que nosso Senhor nos dê intrepidez frente a questões tão importantes como essa!

Robson Maciel Alves

 

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