Quinta, 05 de Dezembro de 2019
   
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A Oração do Reino e as Prioridades do Servo

Pastoral

“Venha o teu reino. Seja feita a tua vontade, assim na Terra como no Céu” (Mt 6.10).

O modelo de oração ensinado por Jesus em Mateus 6 é precioso não apenas por sua simplicidade e profundidade, mas também porque coloca as prioridades do servo de Deus no lugar correto. É um grande privilégio e uma enorme responsabilidade suplicar as palavras ensinadas pelo Salvador. Observando-as atentamente, o que a oração de Cristo ensina a respeito das prioridades do cristão?

Em primeiro lugar, é primordial entender que o Reino de Deus deve ser um assunto importante para os crentes porque é importante para Jesus (At 1.3). De fato, foi o próprio Cristo quem “inaugurou” tal Reino durante seu ministério terreno (Mt 4.17). Porém, esse mesmo império ainda não foi “instaurado” de maneira completa na Terra. Isso acontecerá apenas no futuro, na segunda vinda de Cristo (Is 11.3-10; Ap 20.4).

Entretanto, desde já, os crentes são cidadãos dessa nação celestial (Fp 3.20), devendo viver em obediência ao Rei Jesus. Dessa forma, ao orar “venha o teu reino”, o cristão suplica que os valores deste reino sejam cada vez mais presentes em sua vida (Rm 14.17), enquanto também anseia a instauração definitiva desse glorioso governo na Terra. Quão desejoso deve ser para o cristão ver, finalmente, o mal sendo punido com justiça e as nações se sujeitando ao Salvador!

Outro ensino precioso desse pequeno trecho diz respeito à submissão dos crentes ao Senhor. De fato, poucos, hoje, são aqueles que se preocupam realmente em “fazer a vontade de Deus”, buscando viver de modo que o agrade. Pessoas simples, ricos, políticos, homens ou mulheres querem fazer apenas o que lhes apraz, como se não houvesse um rei no universo (Sl 14.1). Trata-se de uma rebelião completa (Sl 2.2-3). No céu, porém, os anjos do Senhor lhe obedecem prontamente (Sl 103.19-20). Há, portanto, um contraste gritante nas palavras de Jesus.

É fato que a vontade de Deus SEMPRE prevalece (Jó 42.2) e, desse modo, o que Jesus destaca aqui não é a possibilidade de a vontade de Deus ser feita ou não, mas, sim, a submissão dos homens a ela. Nesse sentido, o crente deve sempre examinar as Escrituras a fim de conhecer a vontade revelada de Deus e, na prática, orar como o próprio Salvador: “Pai (...) não seja feita a minha vontade, mas a tua” (Lc 22.42). A Escritura garante que tal oração será respondida por Deus (1Jo 5.14-15).

John MacArthur destaca ainda outro compromisso presente nas palavras de Cristo: “Orar ‘seja feita a tua vontade assim na Terra como no céu’ é rebelar-nos (...) contra o impiedoso sistema do mundo (...) Orar para que a vontade de Deus seja feita é orar para que a vontade de Satanás seja desfeita”. Em outras palavras, trata-se de um inconformismo crescente com o pecado e um anseio cada vez maior pela santidade (Rm 12.2).

Assim, o maior alvo do crente deve ser “buscar o Reino de Deus e a sua justiça” (Mt 6.33), em contraste com as prioridades meramente materiais listadas por Jesus em Mateus 6.24-32. Ainda que não seja pecado a busca pelo conforto ou por condições melhores de vida, um crente pode incorrer no erro de envolver-se com o materialismo e viver apenas o “aqui e agora”, esquecendo-se do Reino de Deus. Concordado com C. S. Lewis, “se você ler a história, descobrirá que os cristãos que mais fizeram pelo mundo presente foram precisamente aqueles que mais pensaram no mundo vindouro”. Isso é, na prática, “pensar nas coisas do alto” (Cl 3.2).

Mais do que repetir as palavras de Cristo, comprometa-se a aplicar em sua vida o compromisso presente nessa oração: aumente seu conhecimento e interesse pelo Reino de Deus, submeta cada mínima área da sua vida ao senhorio soberano de Cristo e, enfim, mantenha seus olhos na eternidade enquanto suas mãos estão no presente. Assim, o “amém” dito ao final de cada súplica será não apenas bíblico, mas também fruto de um coração renovado e disposto a servir ao Rei dos reis!

Pr. Níckolas Ramos

Coram Deo

 

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