Quinta, 22 de Agosto de 2019
   
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“Menino Veste Azul e Menina Veste Rosa”

Pastoral

Um dos problemas modernos que mais preocupam os cristãos é a chamada “ideologia de gênero”. Embora o termo não tenha sido criado por seus precursores, ele expressa, basicamente, que o gênero é uma ideia artificial e socialmente construída que pode ser livremente escolhido pelo indivíduo.

A essência da ideologia de gênero tem raízes no idealismo alemão do século 18, que afirma a autonomia do ser humano na busca pelo conhecimento da verdade. Levado às últimas consequências, esse pensamento fez nascer o subjetivismo, pensamento que defende a ideia de que que cada um é criador ou detentor de sua própria verdade, definindo sua própria realidade. Sendo originada nessa linha filosófica, a ideologia de gênero preconiza que cada um pode escolher ser o que quiser: homem, mulher, algo entre os dois, os dois, ou ainda, nenhum dos dois, mesmo que isso negue uma realidade ontológica e biológica. Como se um elefante pudesse dizer “eu sou um flamingo”.

Um marco para os defensores dessa ideologia é a declaração formulada na 4ª Conferência Mundial de Mulheres, promovida pela Organização das Nações Unidas (ONU), em Pequim, 1995, quando se utilizou pela primeira vez, em caráter oficial, o termo gênero em vez de sexo (masculino e feminino). A partir daquele momento, o conceito de diversidade de gênero passou a ser livre e imperativamente propagado nos meios de comunicação e nas escolas, já que se tornara um documento oficial assinado pelos países integrantes da ONU.

Passadas as décadas de 1990 e 2000, as crianças doutrinadas com essa ideologia se tornaram adultas e começaram a pôr em prática o que lhes fora ensinado. Por exemplo, uma família na Inglaterra virou notícia e exemplo de pós-modernidade ao criar o filho de três anos de maneira “neutra” quanto ao gênero, sob a justificativa de livrá-lo das amarras do que eles chamam de “heteronormatividade”. Então, vestem o garoto com saia rosa e camisa de botão. Fazem o menino brincar com bonecas e carrinhos.

A estratégia dos pós-modernistas de impingir às crianças a ideologia de gênero parte do conhecimento sobre o córtex pré-frontal. Essa parte do cérebro, que só atinge sua maturação próximo da terceira década de vida, é responsável pelo comportamento, personalidade e vontade de uma pessoa. Logo, se o aprendizado sobre a liberdade de gênero entra na cabeça de uma criança, mais difícil será tirá-lo dali nos anos posteriores de sua vida, bem como fazê-la encontrar uma identidade fixa para si.

Apesar de o cenário em que vivemos estar se tornando cada vez mais assustador, o desafio proposto por Paulo, em 2Coríntios 10.4-5, nos encoraja. Enquanto a ideologia de gênero visa a destruir algo criado por Deus e natural ao homem, a teologia de Gênesis é o contra-ataque eficaz nessa luta contra o maligno.

Ao criar o universo, Deus instituiu absolutos eternos e imutáveis, tais como as leis da física (gravidade, inércia e termodinâmica, dentre outros). Ele também estabeleceu absolutos sociais, como o casamento e a vida em comunidade (Gn 2.18,24). Com relação ao gênero, Deus agiu do mesmo modo, constituindo apenas o homem e a mulher.

Ao criá-los, Deus concedeu não somente a vida física ao homem e à mulher, mas também estabeleceu para eles identidades próprias (Gn 1.27; 5.2), e todo ser vivente que surgisse dessa relação (Gn 1.28; 4.1) seria identificado por homem ou mulher. Essa identidade está impressa no DNA humano, que categoriza seres masculinos com os cromossomos XY e seres femininos com os cromossomos XX. Não é possível negar a realidade.

Portanto, a identidade de gênero do ser humano é instituída em sua concepção. Essa dimensão existencial não pode ser modificada ou erradicada por meio de uma simples afirmação contrária. Todo aquele que quiser viver fora desse padrão constituído por Deus padecerá de extrema infelicidade e confusão (Pv 10.8).

Vivemos em um mundo radicalmente subjetivista. Diante disso, os absolutos eternos estabelecidos por Deus devem ser defendidos e divulgados pelos cristãos, de maneira especial às crianças, mesmo que de forma aparentemente pueril, como a declaração “menino veste azul e menina veste rosa”.

Isaac Araújo Pereira

 

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