Quinta, 06 de Agosto de 2020
   
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O 'Software' da Mentira

Pastoral

A tecnologia não se cansa de nos surpreender, tanto com as possibilidades que existem atualmente para automatizar até as mais simples tarefas, como a criatividade dos criadores de programas e aparelhos que facilitam a vida dos usuários. Eu, particularmente, sou um grande fã dos equipamentos eletrônicos. Minha esposa reclama, algumas vezes, que eu só dou a ela presentes que são necessários “ligar na tomada”. Bem, ela tem razão; faço isso com muita frequência.

Entretanto, li hoje, em um portal que trata de notícias e inovações tecnológicas, que uma empresa de telefonia criou um software para celulares que será útil a quem quiser se livrar de conversas ou situações chatas e embaraçosas. Funciona assim: no meio daquela conversa da qual o usuário tenta fugir e não consegue, basta ele dar leves batidas no seu aparelho celular para que, depois de um tempo previamente configurado, o telefone toque, apesar de não haver qualquer chamada real acontecendo. Nesse momento, o usuário desejoso de escapar da conversa, atende seu celular e “finge” estar falando com alguém. Ele pode, então, com a mais tranqüila expressão, dizer às pessoas ao redor: “Sinto muito, tenho que atender essa ligação; depois nos falamos”.

Isso é algo que, certamente, requereu de seu inventor muita criatividade. E seria muito útil a todos, caso não houvesse algo de errado no meio do processo: “É preciso mentir”. O usuário do programa finge que atende uma ligação e passa a simular uma conversa. Demonstra, no meio dela, preocupação com supostas informações, faz gestos bruscos com as mãos e expressões de desagrado e, para encerrar o ato, acaba por dizer algo do tipo: “Tudo bem! Estou indo para aí agora”. Após esse gran finale, digno de aplausos de pé, ele se vira aos seus interlocutores e, desculpando-se pela inesperada contingência, deixa para traz a desagradável conversa que o constrangia.

Minha pergunta é: “Será que os crentes vão usar esse novo software quando quiserem encerrar uma conversa incômoda?”. Apesar de meu desejo ser ouvir um sonoro “não”, suspeito, pela experiência, que eu mesmo serei alvo, algum dia, de uma dessas manobras por parte de algum irmão. Sou pessimista? Às vezes sim, mas, nesse caso, sou testemunha, nos últimos anos, de loucas atuações “teatrais” de irmãos que dizem coisas em uma ocasião e mudam a história quando interpeladas por outras pessoas.

É interessante, para não dizer “triste”, ver como as pessoas são criativas quando se pede conta do que falaram ou fizeram. Como tenho o hábito de procurar pessoas que agem de forma errada falando-lhes claramente sobre o problema, já vi grandes “peças teatrais”. Eu até já procurei uma pessoa que me agredia diante de outros irmãos e lhe disse: “Vim para que se resolvam os nossos problemas”. Surpreendentemente, a resposta foi: “Mas não há problema algum entre nós”.

O prejuízo, nessas circunstâncias, é duplo. Em primeiro lugar, os crentes acabam por utilizar um expediente diabólico, visto que o diabo é o “pai da mentira” (Jo 8.44), além de terem sua palavra destituída de credibilidade, quando deveria ser “o sim, sim e o não, não” (Tg 5.12). Em segundo lugar, quando a verdade não prevalece, não há os necessários acertos dentro do Corpo de Cristo. Onde deveria haver perdão (Mt 5.23,24), permanece a discórdia (Mt 5.25). Onde deveria haver união (1Co 1.10), o partidarismo é conservado (1Co 1.11-13). Onde deveria reinar a paz (Gl 5.22,23), há a manutenção da ira (Gl 5.19-21).

Que nossa nova natureza pela regeneração que houve por meio da fé em Cristo nos motive a tornar vivo o ensino bíblico quanto ao que devemos falar:

Por isso, deixando a mentira, fale cada um a verdade com o seu próximo, porque somos membros uns dos outros” (Ef 4.25).

 

Pr. Thomas Tronco
Soli Deo gloria

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