Sábado, 22 de Fevereiro de 2020
   
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Esqueceram de mim, mas...

Pastoral

Quando eu era menino, um pastor disse no púlpito que no dia do seu aniversário me chamaria para sentar ao seu lado durante as homenagens, já que seu dia natalício era o mesmo que o meu. Eu era um garoto pobre e qualquer coisa me deixava impressionado. Qualquer promessa era grande demais para mim. Cheguei em casa e contei pra minha mãe. Falei entusiasmado da minha glória porvir. Esperei ansioso por aquele dia de me sentar ao lado do pastor numa celebração tão honrosa. E lá na frente, no púlpito!

Nossa igreja era pouco mais do que um barracão de alvenaria, sem nada de especial. Era pequena e muito simples. Mas um garoto como eu via aquela promessa como o evento mais grandioso que poderia vivenciar. Aguardei o dia e o dia chegou. Eu me vesti o melhor que pude e fui à igreja. Sentei-me bem à frente e as homenagens começaram. “Quando será que o pastor vai me chamar?”, pensei.

A realidade é que o pastor nunca me chamou. O culto acabou e ele havia se esquecido. Na verdade, ninguém se lembrou. Nem meus avós que presenciaram a promessa, nem meus pais a quem eu havia contado tudo tão animado, nem ninguém. Eu fui para casa e não disse nada. Fiquei quieto com meus pensamentos. Nunca contei a ninguém sobre a minha desilusão. Outros aniversários vieram sob aquele pastor e ele nunca se lembrou. A cada ano minha esperança se renovava uma vez mais, mas ele jamais me chamou para ficar ao seu lado, até que eu deixei de esperar.

No texto de Mateus 26.26-30, a Bíblia fala de outro pastor que prometeu me chamar para me sentar com ele num grande dia de celebração. A diferença é que esse pastor não vai esquecer. Um dia, quando ele me chamar, eu vou, sim em vou. Mas não vou me sentar de pronto. Antes eu vou me prostrar junto à mesa e vou adorá-lo com todas as forças do meu novo coração.

Hoje eu sou pastor e também posso decepcionar as pessoas muitas vezes, da mesma forma como meu pastor me decepcionou na infância. Temos de ser maduros. Eu tive de entender que aquele pastor era somente um homem idoso. O que eu deveria fazer na época? Rebelar-me contra o evangelho e abandonar a igreja, culpando o pastor? Ora, por favor! Os homens são assim mesmo. Nosso apego ao evangelho não pode ser tão fraco a ponto de uma decepção nos fazer abandonar tudo. Temos de aprender a não esperar muito das pessoas, sejam elas quem forem, pois os homens sempre nos desapontam.

O Supremo Pastor, porém, é diferente. Ele disse que me chamará no dia da grande celebração e eu sei que ele vai me chamar. Então, finalmente, depois da longa espera, eu me sentarei junto ao pastor durante a festa. Não ao lado do pastor da pobre igrejinha (que certamente também estará lá!), mas junto ao pastor do Reino glorioso. Sim, eu me sentarei usando roupas novas, numa mesa nova, num mundo novo. Eu me sentarei ao seu lado, depois de me prostrar em solene adoração.

Ah, Pastor bendito, Pastor divino! Abrevia a minha espera, põe logo a mesa, inicia logo a festa! Já mandaste teus servos sairem pelos caminhos convidando os pobres, os aleijados, os cegos, os mancos e todos já estamos aqui. Abre logo a porta e chama-nos para a tua mesa. Então, finalmente, vamos nos saciar com teu pão e nos deleitar com teu vinho no banquete que não termina, na cidade cujas portas não fecham, no Reino que não passará, no dia que não tem ocaso.

Pr. Marcos Granconato

Força e Fé
Soli Deo gloria

 

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