Segunda, 10 de Agosto de 2020
   
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Carta a um Testemunha de Jeová

Pastoral

Caro Américo, já há algum tempo temos estudado o seu livrete O que a Bíblia realmente ensina e resolvi escrever esta carta diante de tudo que vimos. Primeiro aprendemos sobre a pessoa de Jesus Cristo. Ambos concordamos que ele é o Messias prometido no Antigo Testamento. Textos como Miqueias 5.2; Isaías 7.14; Oseias 11.1 e Isaías 40.3 não deixam dúvidas quanto a isso.

Concordamos também, caro Américo, que, antes da vinda de Cristo, ele estava no céu com Deus. João 3.13; 6.38, 62 e 17.5 deixam isso muito claro. Concordamos ainda que Jesus é o modelo que Deus nos deu e que devemos imitá-lo, seguindo seu exemplo de obediência e humildade (Jo 13.15; Hb 12.2-3; Fp 2.5-8). Também acreditamos que ele é o filho unigênito de Deus e que todas as coisas foram criadas por ele (Jo 1.3; 3.16; Cl 1.16-17).

Entretanto, Américo, apesar de ambos concordarmos nesses pontos, divergimos em vários outros. O seu livrete afirma que Jesus Cristo é uma criatura espiritual. Afirmar isso equivale a dizer que Cristo não é eterno, pois, se ele foi criado, houve um tempo em que ele não existia. Essa afirmação é heterodoxa (pra não dizer herética), pois as escrituras afirmam que Cristo é eterno. Miqueias 5.2 diz que o Messias existe “desde os dias da eternidade”. Em Isaías 9.6, o profeta declara que seu nome seria “Pai da Eternidade”. Em João 8.58 Jesus disse: “Antes que Abraão existisse, EU SOU”. Essa afirmação atesta sua eternidade, pois, caso quisesse falar apenas da sua preexistência, teria dito “eu era”. Finalmente, em Apocalipse 22.13 Jesus diz ser o “Alfa e o Ômega”.

Quem nega a eternidade de Cristo acaba negando também a sua divindade — outra crença heterodoxa. Em Romanos 9.5, porém, Paulo diz que Cristo é “Deus bendito eternamente”. Em João 10.30, Jesus afirma ser da mesma substância do Pai. Em Colossenses 2.9, aprendemos que em Cristo habita toda a plenitude da divindade. Em Mateus 18.20, o Mestre afirmou sua onipresença, um atributo incomunicável de Deus. Marcos 2.1-12 mostra Jesus oferecendo perdão eterno, algo que só Deus pode dar. Ademais, em 1João 5.20, o apóstolo diz: “Sabemos também que o Filho de Deus já veio e nos deu entendimento, para conhecermos aquele que é verdadeiro; e estamos naquele que é verdadeiro, isto é, em seu Filho Jesus Cristo. Este é o verdadeiro Deus e a vida eterna”. O simples fato de Jesus ser eterno já evidencia sua divindade, pois existe apenas um Deus eterno (Sl 90.2).

Américo, muito antes do Charles Taze Russell (fundador das Testemunhas de Jeová [1852-1916]) nascer, existiu um homem que disseminou uma cristologia muito semelhante à de vocês. Seu nome era Ário (250-336).

Ário foi um presbítero da igreja de Baucalis e, influenciado pelos ensinos de Luciano de Antioquia e, parcialmente, de Orígines de Alexandria, chegou à conclusão que Jesus Cristo não é Deus. Ele acreditava que, por Deus ser eterno, único e imutável, não poderia ser divisível. Logo, tudo que existe foi criado do nada por Deus. Entretanto, antes de criar todas as coisas, ele criou o Logos, e por intermédio dele, criou todas as outras coisas. O Logos, segundo Ário, é anterior e superior a todas as criaturas. É a primeira e mais importante de todas as criaturas de Deus, mas não é eterno, pois teve um início, e nem é superior ou igual a Deus. O ensino de Ário pode parecer bastante coerente, mas é herético. O arianismo teve muitos adeptos, bispos de igrejas importantes aderiram à corrente ariana.

Um dos combatentes do arianismo foi Alexandre de Alexandria (?-326). O mais incisivo de seus argumentos foi dizer que os arianos negavam a imutabilidade do Pai, pois, afirmar que houve um tempo em que Cristo não existia, consistia em dizer que houve um tempo em que Deus não era Pai.  Isso faria com que ele não fosse imutável. Alexandre demonstrou sua preocupação com o ensino herético de Ário, pois sabia que a divindade de Jesus era um importante pilar do cristianismo — e negá-la seria opor-se a todo o ensino apostólico.

Ele estava certo. Diante disso tudo, caro amigo, preciso dizer que você crê e ensina doutrinas falsas que têm aparência de piedade e verdade, mas são contrárias aos verdadeiros ensinamentos da Bíblia. Aliás, a Bíblia que vocês utilizam está parcialmente adulterada e isso faz com que vocês tenham concepções errôneas a respeito de verdades importantes da Palavra de Deus.

Vocês mesclam a verdade com a mentira, a ortodoxia com a heresia e, assim, demonstram uma verdade pregada por Irineu de Lião (?-202) que dizia que os falsos mestres misturavam leite com gesso. O leite é bom, saudável e gostoso, mas se está contaminado, tudo deve ser descartado. Você está num caminho de destruição, ensinando doutrinas falsas e induzindo outras pessoas ao erro.

Vocês creem num falso Cristo e, como já disse o Pr. Paulo Romeiro, quem crer no Jesus errado, embarca em uma salvação errada, e pode desembarcar no céu errado”. Por isso, meu caro Américo, eu o aconselho a sair desse caminho e a crer em Jesus Cristo, o Deus-homem, que é um com o Pai e que é a nossa única esperança de salvação.

E não há salvação em nenhum outro, pois debaixo do céu não há outro nome entre os homens pelo qual devamos ser salvos (At 4.12).

Williams Araújo

 

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