Segunda, 10 de Agosto de 2020
   
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A Importância Prática de Crescer no Conhecimento de Cristo

Pastoral

Uma das figuras criadas pelo apóstolo Paulo e mais conhecidas é aquela que fala que o crente se despiu “do velho homem com suas práticas” (Cl 2.9). Essa figura evoca, basicamente, a ideia de alguém que tirou as roupas velhas que o cobriam e se livrou delas. Despir-se tem, pois, nessa imagem, o sentido de despojar-se, separar-se de algo. Certamente, com essa ilustração, o apóstolo queria criar na mente dos seus leitores a imagem do batismo, ocasião em que o crente se despia antes de entrar na água, cobrindo-se depois com outras vestes. Sendo esse o caso, é óbvio que Paulo usa essa linguagem para conectar o batismo à conversão e ao início de uma vida nova (Rm 6.3,4). Isso porque, nos tempos dos apóstolos, a conversão e o batismo ocorriam de forma quase simultânea (At 2.41; 8.12, 36-38; 16.33, etc.). Daí a forte associação entre ambos (1Pe 3.21).

De qualquer modo, o item central da figura de Paulo é a expressão “velho homem”. O apóstolo usa essa expressão somente em outros dois lugares: Romanos 6.6 e Efésios 4.22. Em todas as ocorrências, a imagem se refere, basicamente, à natureza corrompida que domina os descendentes de Adão. Os crentes foram despojados dessa natureza quando se ligaram a Cristo (Cl 2.11,12). Por isso, mesmo que a “lei do pecado” ainda se insinue em sua vida (Rm 7.23), eles não vivem mais cobertos pelos trapos ou envolvidos nos farrapos da natureza adâmica a ponto de serem vistos como molambos ou maltrapilhos morais iguais aos incrédulos.

O “velho homem” de que Paulo fala tem “suas práticas”, ou seja, realiza as obras que lhe são próprias. É fora de questão que a pessoa sem Cristo tem uma maneira típica de agir e de lidar com as questões comuns da vida (Rm 8.5-8). O modo como essa pessoa “funciona” a leva a se corromper cada vez mais, numa prática constante de atos que Deus reprova (Ef 4.22; 2Tm 3.13; Ap 22.11). Ao despir-se do velho homem, o crente se libertou também desses seus feitos, sendo, portanto, inaceitável que agora novamente caminhe trôpego, sob o fardo de uma vida de pecados.

Assim, do mesmo modo que, ao ser batizado na água, o crente tirou suas vestes e se cobriu com outras, ao se associar a Cristo pela fé, o convertido se revestiu do novo homem (Cl 2.10). Esse novo homem é a natureza regenerada, o caráter do próprio Cristo que passa a envolver o cristão, refreando suas inclinações e incluindo-o a uma nova humanidade. Segundo Paulo, esse novo homem ainda não está pronto. Antes, “está sendo renovado", ou seja, está crescendo num processo contínuo de renovação, no qual a forma antiga e corrompida é substituída, aos poucos, pela nova (Gl 4.19; Ef 4.11-13; Fp 1.6; Cl 2.19).

Basicamente, conforme realça Paulo, essa natureza regenerada do crente se desenvolve na medida em que caminha rumo ao “pleno conhecimento”. Os falsos mestres dos dias de Paulo ensinavam uma antítese entre o mundo material e o espiritual. Os proponentes desse falso ensino se apresentavam como conhecedores dos mistérios ligados a essa suposta antítese e diziam que a salvação dependia do conhecimento pleno desses mesmos mistérios. Para eles, portanto, a salvação pertencia a uma classe privilegiada de pessoas, detentoras de informações secretas acerca de realidades insondáveis e inacessíveis aos homens comuns (1Tm 6.20).

De acordo com Paulo, porém, o “pleno conhecimento” era algo disponível a qualquer indivíduo que recebesse o Salvador (1Co 1.5,6). Segundo o apóstolo, Cristo renova o modo de viver de quem crê, aperfeiçoando-o a cada dia na medida em que a pessoa cresce rumo à “gnose” (conhecimento) completa e verdadeira. O objeto desse conhecimento capaz de renovar o homem é “o mistério de Deus, a saber, Cristo. Nele estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento” (Cl 2.2,3).

Essa verdade, afinal, mostra como o cristão pode amadurecer sua nova e santa natureza, fazendo-a frutificar. Paulo explica que não há como o crente prosseguir na renovação de seus hábitos se não crescer no conhecimento da Pessoa e da vontade de Cristo (Cl 1.9,10). À parte do conhecimento dele, não é possível desenvolver o caráter maduro e santo do homem novo (2Pe 1.3,4,8). Por isso, um dos alvos supremos do cristão deve ser crescer no conhecimento do Senhor, sabendo que isso gerará reflexos na construção de uma vida marcada por conduta e valores magistrais (Ef 1.17; Fp 3.8; 2Pe 3.18).

Você tem buscado o conhecimento de Cristo — sua Pessoa, sua vontade, seus propósitos, seus ensinos, sua glória? A grande verdade é que, no universo das realidades cristãs, o anão espiritual é também um homem limitado em conhecimento.

Pr. Marcos Granconato
Força e Fé
Soli Deo gloria

 

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