Quinta, 06 de Agosto de 2020
   
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A Noite da Carne

Pastoral

O homem que fica muito tempo trancado num recinto escuro, quando sai não consegue suportar a luz do dia. A claridade incomoda seus olhos que, envoltos em trevas por um longo período, se sentem agredidos pelo brilho intenso. Quem está nessa condição, se quiser vislumbrar a beleza do firmamento, tem de fazê-lo à noite, naquelas horas em que as sombras cobrem o esplendor do Sol.

Desde o fatídico dia em que Adão caiu em transgressão, toda a humanidade foi lançada no recinto escuro do pecado, sendo incapaz de contemplar a fulgurante glória de Deus (Rm 5.12). Tanto é assim que, certa vez, quando o Senhor desceu no Sinai, os israelitas ficaram tão aterrorizados com aquela visão que temeram pela própria vida, suplicando que Moisés se interpusesse entre eles e aquele Deus tão grandioso (Ex 20.18-21). É que, como já dito, os olhos humanos, debilitados pela treva da natureza corrompida, não podem olhar para a face de Deus sem serem acossados pelo mais intenso terror.

Essa foi uma das razões pelas quais Deus, quando quis se revelar plenamente, se fez homem e veio aqui. Nossos olhos não podiam contemplar diretamente o Sol fulgurante da glória divina. Por isso, o Filho se manifestou a nós envolto na noite da carne. Então, a glória de Deus foi vista pelos homens (Jo 2.11). Não, porém, em meio a trovões e nuvens flamejantes, mas na face suada de um carpinteiro (2Co 4.6) que ensinava o povo humilde nas ruas, nas praças e até nas colinas; que aliviava milagrosamente o fardo dos fracos, tristes e doentes; que, finalmente, sangrou para obter a nossa redenção (Ef 1.7).

Foi, portanto, na humilhação amorosa que Deus mostrou sua glória aos homens que viviam nas trevas, ensinando, assim, aos que o temem que essa é a “grandeza” que eles devem buscar e demonstrar ao mundo.

Pr. Marcos Granconato
Soli Deo gloria

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