Domingo, 22 de Setembro de 2019
   
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Eu Estou com Medo!

Pastoral

Os irmãos sabem o que aconteceu comigo nos últimos dois meses. De uma hora para outra, minha vida deu uma reviravolta enorme e eu entrei numa caverna sombria com figuras feias desenhadas nas paredes: figuras de hospitais, sondas, agulhas, curativos, antibióticos...

Nessa caverna vivi dias (duas semanas!) de dor física e agonia emocional. Cheguei ao desespero ao ver que meu estado de saúde não progredia, apesar de todas as medidas médicas. Vi minha esposa vigiar, chorar, implorar o socorro de Deus. Eu mesmo clamei dia e noite com o coração esmagado. Como foi difícil esperar, confiar, lutar! Como foi difícil caminhar fraco pelos corredores do hospital, empurrando o suporte da medicação, levando na outra mão o recipiente cheio de suco gástrico que jorrava da sonda em meu nariz, num esforço físico constante que era essencial para estimular o funcionamento do meu intestino recém-operado.

Finalmente, pela misericórdia do Senhor, comecei a melhorar. Três dias depois dos primeiros sinais de progresso recebi alta e, aliviado e alegre, fui para casa. Agora estou bem. O médico me disse que tudo correu conforme o esperado na cirurgia. Uma biópsia foi feita em amostra recolhida do intestino delgado e nenhuma malignidade foi detectada. Não sinto dores e meu único dissabor é ter que me sujeitar a uma dieta bem leve, com sopinhas mais ralas do que aquelas que dão para os bebês.

Se tudo caminha assim, por que, então, eu disse no título desta pastoral que estou com medo? Bem, eu estou com medo porque os médicos me disseram que a aderência que eu tive e que me levou para a segunda cirurgia no intestino é muito comum em quem faz esse tipo de operação e que eu posso ter outras! Há como evitá-las? Não. Na verdade, essas aderências podem ocorrer várias vezes, sendo necessárias novas intervenções cirúrgicas, caso o tratamento clínico não dê resultados. É verdade que elas podem nunca mais ocorrer, mas não há como prever, nem como se prevenir.

Eis o motivo de eu estar com medo. Eu penso: “O que vai acontecer? Terei de enfrentar tudo aquilo de novo? Serei operado novamente? Entrarei outra vez na caverna cheia de figuras feias?”. Esses pensamentos me perturbam. Se sinto algum desconforto ou ouço um simples ruído no abdômen, eu quase choro pedindo a Deus que não seja nada grave, que ele me poupe de novas provas, que olhe para mim e ouça o clamor da súplica que eu lhe dirijo dia e noite. Ah, meu Deus salvador, transforma essa fase ruim numa velha lembrança, numa imagem arquivada no fundo da mente, incapaz de nublar a alegria dos dias lindos que o Senhor me dá junto à família, aos irmãos, aos amigos... Consolida minha saúde e minha paz, num livramento completo da dor e do medo.

O que devo fazer numa fase assim? Eu sou cristão. Sou um servo de Jesus desde a minha meninice. Creio, portanto, na Palavra de Deus. Logo, é nela que devo buscar alívio e direção. É o que tenho feito e o Senhor me faz recordar o seguinte:

“Eu sou pobre e necessitado, porém o Senhor cuida de mim; tu és o meu amparo e o meu libertador; não te detenhas, ó Deus meu!” (Sl 40.17).

“Não vos inquieteis com o dia de amanhã, pois o amanhã trará os seus cuidados; basta ao dia o seu próprio mal” (Mt 6.34).

Pedi, e dar-se-vos-á; buscai e achareis; batei, e abrir-se-vos-á. Pois todo o que pede recebe; o que busca encontra; e, a quem bate, abrir-se-lhe-á. Ou qual dentre vós é o homem que, se porventura o filho lhe pedir pão, lhe dará pedra? Ou, se lhe pedir um peixe, lhe dará uma cobra? Ora, se vós, que sois maus, sabeis dar boas dádivas aos vossos filhos, quanto mais vosso Pai, que está nos céus, dará boas coisas aos que lhe pedirem?” (Mt 7.7-11).

“Não andeis ansiosos de coisa alguma; em tudo, porém, sejam conhecidas, diante de Deus, as vossas petições, pela oração e pela súplica, com ações de graças. E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará o vosso coração e a vossa mente em Cristo Jesus” (Fp 4.6,7).

Seja a vossa vida sem avareza. Contentai-vos com as coisas que tendes; porque ele tem dito: De maneira alguma te deixarei, nunca jamais te abandonarei” (Hb 13.5).

Lições velhas e ainda tão novas! Lições que repito há quase trinta anos em cada visita, em cada conselho, em cada trato com corações cansados como o meu. E ainda agora elas brilham cheias de verdade, trazendo o calor do consolo, renovando a esperança murcha, dando-me forças para continuar.

Essas lições me fazem lembrar que, afinal de contas, o Senhor é infinitamente bom. Em seus desdobramentos, essas verdades também me indicam que tudo está nas mãos dele. Logo, aquilo que a mim me concerne o Pai celeste realizará com sabedoria e graça. Sim, ele me tomará pela mão na caverna ou fora dela e me conduzirá pelos caminhos que ele mesmo traçou — caminhos incompreensíveis, às vezes, mas sábios, justos e bons... sempre.

Pr. Marcos Granconato
Força e Fé
Soli Deo gloria

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