Segunda, 18 de Novembro de 2019
   
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Orar É Difícil para Você Também?

Pastoral

Recentemente, li em uma postagem do Facebook algo sobre oração que me chamou a atenção. O breve texto dizia que muitos nutrem uma visão “romantizada” da oração, esquecendo-se que o ato de orar, por mais que seja fonte de prazer e conforto para o crente, é também uma batalha contra nossa natureza pecaminosa. Honestamente, nunca tinha parado para pensar na oração sob essa perspectiva.

De fato, quando olhamos para a oração, é muito comum ilustrarmos seu uso e eficácia em nossas vidas a partir da figura de um refresco: quando iniciamos nossa oração, damos o primeiro gole de uma bebida refrescante que desfrutaremos até a última gota, quando falamos “amém”. Ainda que esse refrigério seja realmente experimentado pelos filhos de Deus, parece-me que tal figura não representa toda a realidade da oração, mas somente seu efeito final. Isso porque orar poderia também ser comparado a uma intensa batalha contra nosso próprio ego e contra as pressões do mundo ao nosso redor, sendo a paz e o conforto efeitos da vitória que obtemos ao orar com sinceridade, humildade e desejo de se derramar diante do Pai.

Quando olhado por esse prisma da batalha, entendemos porque orar é, muitas vezes, uma prática difícil. E não se sinta envergonhado em admitir isso! Assim como li naquela breve postagem, precisamos desconstruir esse conceito romântico e hiperidealizado de que a oração sempre será prazerosa ao nosso coração pecador. Como disse anteriormente, orar é difícil. E é possível visualizarmos isso por três motivos destacados a seguir.

Em primeiro lugar, ao orarmos, nosso ego sofre um golpe severo, já que, na oração, lutamos contra nossa própria natureza autocentrada e pecaminosa (Tg 4.3) e confessamos nossos pecados, como Davi faz na oração do Salmo 51. Derramar-se diante de Deus também exige humildade, confiança e gratidão (Fp 4.6), além da submissão à vontade do Pai, exemplificada pelo próprio Senhor Jesus em Mateus 26.39 (cf. Lc 22.42).

O segundo motivo dessa dificuldade é porque orar nos obriga a lutar contra a insanidade de nossa agenda. Com uma rotina cada vez mais apertada e repleta de atividades, a oração passou a ocupar os “buracos” entre os nossos compromissos. Isso precisa mudar em nossas vidas, pois, ainda que Paulo oriente os tessalonicenses a orar constantemente (1Ts 5.17), parece que o crente deve separar algum momento de seu dia para essa atividade, assim como Daniel (Dn 6.10) e Jesus (Mt 14.23; Mc 1.35; Lc 6.12; Jo 6.15). Além disso, Cristo também parece apontar para essa necessidade em Mateus 6.6, ainda que sua ênfase, ali, não seja especificamente na agenda diária de seus servos.

Por fim, a terceira razão pela qual orar constitui uma batalha é porque o conteúdo de nossa oração deve ser ricamente voltado a Deus e não apenas para nossos problemas e angústias, ainda que isso seja essencial ao conforto desfrutado pelo filho de Deus que se derrama diante do Pai (Fp 4.7). Percebemos nos Salmos — um livro dedicado a orações e louvores coletivos ou individuais — que o servo de Deus, ao orar, foca-se em quem Deus é, exaltando os atributos do Senhor (Sl 93) e lembrando de sua obra ao longo da história (Sl 114). Por isso, além de Jesus censurar as meras repetições (Mt 6.7), vemos que os crentes, já no início da igreja, expressavam a centralidade do louvor a Deus em suas orações (At 4.24-31). Isso, sem dúvida, exigirá de nós o profundo conhecimento das Escrituras e a reflexão constante da obra de Deus em nossas vidas.

Por isso, orar é realmente difícil. Entretanto, o crente tem o dever de perseverar na oração, negando, muitas vezes, as impressões do próprio coração. Além disso, não apenas somos encorajados a orar pelos efeitos dessa prática em nossas vidas, mas também pelo fato de que o Espírito Santo, que habita em nós, auxilia-nos em nossas súplicas diante de Deus (Rm 8.26,27). Por isso, não desanime na batalha da oração! Os frutos disso foram experimentados intensamente pelos servos de Deus ao longo da história e, com certeza, serão desfrutados por você também!

Níckolas Ramos

 

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