Segunda, 23 de Setembro de 2019
   
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O Filósofo do Barril

Pastoral

Na Grécia Antiga existiu um filósofo chamado Diógenes de Sinope. Ele nasceu por volta de 412 a.C. e morreu em cerca de 323 a.C., em Corinto. Diógenes viveu em Atenas, onde era conhecido como uma figura excêntrica. Ele andava com uma lanterna durante o dia, dizendo que estava procurando um homem sincero ou honesto. Também morava num grande barril (igual ao do Chaves) e geralmente é retratado como um mendigo rodeado de cães. De fato, Diógenes vivia assim para realizar o ideal de uma vida livre de futilidades, valores e luxos inúteis.

Diógenes é definido como um filósofo cínico — o tipo de pensador que rejeitava a moral sexual, o valor das autoridades e a necessidade de instituições como o casamento e o Estado. É claro que, como cristão, sou avesso a essas propostas. Contudo, há uma anedota ligada ao folclore em torno da figura de Diógenes que eu acho muito interessante.

Dizem que um dia (quem conta é Plutarco), o filósofo do barril se viu diante de nada mais nada menos que Alexandre, o Grande. O imperador, vendo o filósofo sentado ao Sol, em completa miséria, disse a ele que lhe pedisse o que quisesse. Diógenes, então, respondeu: “Peço que você não tire o que eu tenho”. Alexandre ficou intrigado e disse algo mais ou menos assim (vou parafrasear): “Mas você não tem nada! Como posso tirar alguma coisa de você?”. O filósofo, enfim, retrucou com clareza: “Eu peço que você não fique entre mim e o Sol”. Em outras palavras: “Alexandre, eu tenho, sim, um pedido: dê um passinho para o lado porque você está atrapalhando o meu banho de Sol”.

Gosto dessa anedota porque fico imaginando a cara do imperador naquela hora. Ele se julgava o dono do mundo, o orgulhoso rei da Terra, o grande soberano que podia conceder tudo que lhe pedissem. Então, Diógenes mostrou um desprezo imenso por tudo que Alexandre tinha e ainda disse que ele o estava atrapalhando ao fazer sombra! Para Alexandre, ficou claro que Diógenes o considerava alguém que não tinha nada importante e que, ainda por cima, era um estorvo!

Na minha cabeça de pregador, é inevitável que uma historieta dessas desperte certas analogias. Penso nos incrédulos que conhecemos; penso nas pessoas do mundo com todo o seu orgulho, passando a imagem de que são realizadas, autossuficientes e donas de si; penso nos homens sem Deus olhando para os crentes e vendo-os como infelizes que não aproveitam a vida, privando-se do que existe de melhor; penso nas ofertas dessa gente de vida podre, que chega perto de nós se julgando superior e supondo que têm tesouros a oferecer... Enfim, penso nos Alexandres de coração triste que querem nos ensinar a ser felizes (hehehe).

Depois, eu penso no cristão e imagino a resposta dele a esses tolos: “Há, sim, uma coisa que eu quero de vocês: se afastem um pouco, pois estão impedindo a passagem da luz. Suas conversas, ideias, brincadeiras e apelos atrapalham o meu desfrute completo do Sol. Eu quero andar plenamente na luz e vocês estão fazendo sombra. Por isso, se quiserem mesmo ser legais, fiquem um pouquinho mais para o lado. Na verdade, se puderem ir embora, seria melhor ainda!”.

De fato, o mundo não tem nada que possa completar nossa paz e alegria. Todas as suas ofertas são mentirosas e, quando aceitas, nos desviam do caminho certo, conduzindo para um abismo horrível ao final. Em Cristo, porém, temos tudo de que precisamos para a real felicidade. Nele e por meio dele obtemos perdão, retidão, vida, paz e satisfação (Jo 7.38; Rm 8.6).

De que mais precisamos? De nada! Por isso, vamos olhar para o mundo com todos os seus atrativos enganosos e repetir como novos Diógenes: “Eu ando na luz e quero permanecer assim. Pare de tentar me fazer sombra!”.

Pr. Marcos Granconato
Soli Deo gloria

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