Domingo, 22 de Setembro de 2019
   
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O Deus de Boas Novas, não de Novidades

Pastoral

É fato que a tecnologia evolui cada vez mais rápido. Uma ótima ilustração disso é o desenvolvimento dos aparelhos celulares, que, em pouco mais de vinte anos, saltaram daquele famoso “tijolão” para os computadores de bolso: os smartphones. Apenas nessa década, estatísticas mostram que a Internet produzirá mais informação do que tudo que já foi feito nos últimos trinta anos! A ciência, por sua vez, sempre divulga novas teorias a respeito de diversos assuntos (umas, muito úteis; e outras, nem tanto), corroborando a tese de que nossa geração é fissurada no novo.

Nesse cenário frenético de mudanças, adquirimos a tendência de buscar constantemente novidades e inovações em todas as áreas de nossa vida. O que, em si, não tem nada de errado. O problema é que essa gana por inovar não existe apenas na tecnologia. As pessoas também buscam a todo instante “novidades teológicas”. E isso não é de hoje. Veja, por exemplo, Atos 17.21: “Todos os atenienses e estrangeiros que ali viviam não cuidavam de outra coisa senão falar ou ouvir as últimas novidades”. 

Esse versículo precede um dos meus discursos favoritos do apóstolo Paulo. Usando de muita perspicácia, ele observa que, no enorme panteão dos deuses gregos de Atenas, existia um altar dedicado ao “deus desconhecido”. Aproveitando-se dessa ilustração criativa, Paulo prega o evangelho a todos os que ali estavam, inclusive aos viciados pelas novidades dos deuses e que desconheciam o Deus verdadeiro.

Se Paulo fizesse o mesmo discurso em uma igreja dita cristã de nossos dias, acredito que, infelizmente, também encontraria “pessoas que não cuidavam de outra coisa senão falar ou ouvir as últimas novidades”. E, dessa vez, não se trata de uma referência aos fofoqueiros. O público ao qual me refiro são aqueles que inventam seus próprios conceitos de Deus e os disseminam pela comunidade da fé, afirmando terem recebido uma nova revelação celestial ou ainda descoberto enigmas secretos da Escritura que finalmente foram decifrados por conta de seu inédito e incrível conhecimento.

Essas “novidades” são diversas em nossos dias, indo desde uma concepção teológica que coloca Deus como mero espectador dos eventos da humanidade (teísmo aberto) até reuniões que reduzem o Espírito Santo a barulho, rodopios e falar enrolado. Isso sem contar as seitas ditas cristãs, que impõem datas para o fim do mundo ou ainda mudam suas doutrinas de acordo com o que é politicamente correto. O “deus” de tais homens é, sem dúvida, um deus de novidades. Mas, definitivamente, não é o Deus das boas novas, anunciado por Paulo em Atos 17.

A Escritura deixa claro que Deus não muda como sombras inconstantes (Tg 1.17), o que exclui a ideia de Deus se transformar ou alterar seus propósitos para com os homens (Ml 3.6). O texto de Romanos 12.6 também aponta que os ensinos que são trazidos à igreja devem estar de acordo com a “analogia da fé”. Essa expressão, especialmente usada pelos puritanos, defende que toda e qualquer mensagem supostamente divina não deve anular ou se opor ao que já fora revelado por Deus anteriormente. 

Portanto, a atitude que o povo de Deus deve ter diante de qualquer mensagem que está sendo pregada é a mesma dos bereanos, os quais “examinavam todos os dias as Escrituras, para ver se tudo era assim mesmo” (At 17.11). E ainda que um anjo proclame uma mensagem diferente da pregada pelos profetas e apóstolos (Ef 2.20), a igreja não deve dar crédito à “novidade teológica” (Gl 1.8). 

Deus não muda ou evolui como os smartphones de nossos dias. Por isso, ao invés de levarmos à igreja qualquer suposta novidade, precisamos, isso sim, levar ao mundo as boas novas salvadoras do evangelho de Deus, exatamente como o apóstolo Paulo fez em Atenas. Para os perdidos, tal mensagem será fonte de salvação e esperança, enquanto para os crentes a certeza da imutabilidade de Deus trará convicção e segurança de um futuro ao lado de nosso Salvador.

Glórias ao Deus imutável pelas boas novas de salvação!

Níckolas Ramos

 

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