Terça, 22 de Outubro de 2019
   
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Provérbios 24.28,29

  

Provérbios 24.28,29

“Não testemunhe sem motivo contra o seu próximo nem use os seus lábios para enganá-lo. Não diga: ‘Farei com ele o que fez comigo; ele pagará pelo que fez” (Pv 24.28,29 NVI).

Desde 1928, centenas de cartas difamatórias foram escritas para os habitantes de Robin Hood’s Bay, uma aldeia de oitocentos habitantes na Costa Leste da Inglaterra. Como cada destinatário achava que ele era a única pessoa que estava recebendo as cartas, quase ninguém as mencionou até 1948, quando se soube que quase todos os aldeões tinham recebido um bom número delas. Todas as cartas eram abusivas e vulgares e, sem justificativa alguma, acusavam as pessoas da vila de delitos e crimes, incluindo prostituição, infanticídio e incesto. Por mais de duas décadas estas notas espalharam grande infelicidade pelo vilarejo e foram responsáveis por três pastores de uma igreja da cidade chegarem ao ponto de pedir demissão e partir. A identidade do escritor das cartas maliciosas ainda é desconhecida.

O problema do falso testemunho é um assunto recorrente em Provérbios. Salomão parecia ter uma habilidade dada por Deus para reconhecê-los, mas nem todos podem distinguir entre um testemunho verdadeiro e um falso. Eis a razão do seu perigo e de o escritor se preocupar em alertar as pessoas para que não ajam desse modo. Os versículos 28 e 29 podem ser analisados separadamente, mas visto que seguem uma seção sobre juízes, eles parecem compor uma pequena seção sobre as testemunhas. Nesse sentido, é dito: “Não testemunhe sem motivo contra o seu próximo”. Quando diz “sem motivo”, ele quer dizer que não há necessidade de um testemunho condenatório por não haver nenhum ato que mereça condenação. Isso significa que a mentira não é um recurso a ser utilizado pelo servo de Deus. Por isso, ele completa: “Nem use os seus lábios para enganá-lo”. A palavra de um homem deve sempre ser verdadeira, mesmo quando haja um custo para tanto.

Porém, se na primeira parte ele trata de uma mentira “sem motivo”, na segunda, ele fala de outra cujo motivo é a vingança: “Não diga: ‘Farei com ele o que fez comigo; ele pagará pelo que fez”. Nesse caso, o pecado é duplo, tanto pelo falso testemunho — se for o caso — como pela motivação corrompida. O homem de bem deve agir corretamente sempre, independente das circunstâncias e das pessoas com quem tenha de lidar. Essa não é uma tarefa fácil, pois muitas vezes temos de tratar com pessoas que realmente agiram mal, cometeram injustiças terríveis e merecem, de fato, punição. Entretanto, na própria lei de Moisés o Senhor já havia instruído o povo, dizendo: “Não procurem vingança, nem guardem rancor contra alguém do seu povo, mas ame cada um o seu próximo como a si mesmo. Eu sou o Senhor” (Lv 19.18). Em suma, o servo de Deus deve abrir mão de fazer justiça com as próprias mãos, especialmente por vias erradas, e entregar seus casos a quem de direito, sendo eles bons ou maus, sabendo que se a justiça não for feita pelos homens, certamente será feita por Deus.

Pr. Thomas Tronco

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