Domingo, 08 de Dezembro de 2019
   
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Não Somos Obrigados a Ouvir

Pastoral

O rei James II da Inglaterra (1633-1701) decretou uma lei chamada Declaração de Indulgência, mais conhecida como Declaração pela Liberdade de Consciência, a qual devia ser lida em todas as igrejas do reino. O efeito dela, na prática, era dar plena liberdade aos católicos — James II era católico —, sem dar a mesma abertura aos protestantes, em especial na Escócia. Os pastores estavam muito relutantes em ler a tal declaração e, algumas congregações, pouco desejosas de ouvi-la. Em um domingo, quando chegou o momento da leitura do documento, o pastor disse à sua congregação: “Ainda que eu seja obrigado a ler este documento, vocês não são obrigados a ouvir”. Dito isso, o povo se levantou e saiu da igreja, deixando o clérigo lendo a lei para os bancos, para os genuflexórios e para as paredes.

Essa é uma parte da história dos nossos antepassados que deve estender suas raízes até os nossos dias. Isso porque muitos discursos e decretos têm se imposto em meio aos cristãos, às suas famílias e à igreja. E, mais que nunca, em nome da liberdade, nossa própria liberdade tem sido tolhida por todos os lados. Em meio a tantos ataques e discursos políticos, os cristãos têm se sentido perdidos diante da confusão dos nossos dias e se esquecido da sua própria identidade. A verdade é que quanto mais os cristãos buscam respeitar grupos diferentes de si, mais esses grupos buscam limitar a liberdade, a identidade e até a existência do cristianismo. Trata-se de um respeito unilateral. Quando isso acontece, temos de voltar aos fundamentos eternos da nossa fé e rejeitar definitivamente os discursos antiDeus que nos cercam. Temos de fechar definitivamente os nossos ouvidos para as mentiras seculares e parar de negociar nossa fé com o mundo.

Por isso, temos de dizer que não somos obrigados a ouvir os discursos imorais do mundo. Todos os tipos de mídia dos nossos dias se rendem a incutir um tipo de mentalidade na qual o sexo seja o centro, a motivação e o objetivo de tudo. As músicas são abertamente imorais. As roupas têm cortes e formatos feitos para exibir o corpo. Programas de televisão têm na indecência o seu roteiro principal. O resultado é que todas as faixas da sociedade estão cada vez mais imersas na imoralidade. E o pior é que nada mais ocorre de modo oculto. Ao contrário, a exibição pública de procedimentos vergonhosos se tornou uma grande honra para o mundo, a ponto de pessoas recatadas serem zombadas em vez de elogiadas. Os heróis da sociedade moderna são os fornicadores, os adúlteros e os pervertidos. Ao contrário de tudo isso, o cristão tem um guia para sua vida moral, que é “a vontade de Deus: a vossa santificação, que vos abstenhais da prostituição; que cada um de vós saiba possuir o próprio corpo em santificação e honra, não com o desejo de lascívia como os gentios que não conhecem a Deus” (1Ts 4.3-5).

Não somos obrigados a ouvir a propaganda em prol do homossexualismo. O que começou como uma luta por garantia de direitos, acabou se transformando, nos últimos tempos, em ações de proselitismo e de inibição de qualquer outra opção ou estilo de vida. Prova disso são ações como a distribuição nas escolas de um guia informativo sobre sexo que incita o homossexualismo, sendo, por isso, chamado popularmente de “kit gay”. Além do mais, há tentativas de manipular a legislação do País de modo a impedir que o cristianismo mantenha e pregue o estilo de vida ensinado nas Escrituras, negando aos cristãos a liberdade e os direitos que os homossexuais buscam para si. Devemos nos lembrar de que Deus criou o casamento para ser integrado por um homem e uma mulher, ao dizer: “Por isso, deixa o homem pai e mãe e se une à sua mulher, tornando-se os dois uma só carne” (Gn 2.24). Quanto ao homossexualismo, o cristão tem a avaliação do próprio Deus, que diz que “até as mulheres mudaram o modo natural de suas relações íntimas por outro, contrário à natureza; semelhantemente, os homens também, deixando o contato natural da mulher, se inflamaram mutuamente em sua sensualidade, cometendo torpeza, homens com homens, e recebendo, em si mesmos, a merecida punição do seu erro” (Rm 1.26,27).

Não somos obrigados a ouvir os ataques da ciência à fé cristã. Desde os dias do iluminismo, o homem tem utilizado os avanços do conhecimento, não para glorificar a Deus pelo que ele fez, mas para lutar contra a própria fé em sua existência. O curioso é que, apesar de se chamar “ciência”, esse combate não é nada científico, visto não poder verificar nenhuma de suas teorias — os tais cientistas parecem nem se importar com isso. Além do mais, nessa tentativa se corrompe a essência do processo científico que é partir da experimentação para chegar às conclusões, pois os profetas do ateísmo partem da conclusão de que Deus não existe e depois passam à pesquisa com a única intenção de corroborar seu conceito prévio. Isso não é ciência, mas uma religião. É exatamente isso que o ateísmo é: uma religião. Mas Deus nos lembra de que ele “tornou louca a sabedoria do mundo” (1Co 1.20) e que somente um “insensato diz no seu coração que não há Deus” (Sl 14.1). A verdadeira ciência é saber, pela fé, que “Deus fez o mundo e tudo o que nele existe, sendo ele Senhor do céu e da terra” (At 17.24).

Não somos obrigados a ouvir as pretensões do pensamento pós-moderno e do universalismo. Cresce no mundo um discurso de que não existem verdades absolutas e que qualquer ideia ou gosto têm mérito e devem ser reconhecidos como válidos. Segundo tal raciocínio, a única forma de alguém cometer um erro é querer limitar a verdade a certas conclusões e realidades, rejeitando outras como falsas e erradas. A implicação religiosa disso é que também não existiria um único meio de servir ao Senhor, mas, ao contrário, todos os caminhos levariam a Deus. Até mesmo igrejas ditas cristãs têm adotado tal discurso, não para glorificar a Deus ou salvar os perdidos, mas para corresponder às expectativas do mundo e granjear aplausos de quem odeia o cristianismo e a mensagem da salvação em Cristo. Esse discurso “politicamente correto” tem negligenciado a maior necessidade dos incrédulos e desfigurado o principal pilar do cristianismo, que ensina que “quem crê no Filho tem a vida eterna; o que, todavia, se mantém rebelde contra o Filho não verá a vida, mas sobre ele permanece a ira de Deus” (Jo 3.36).

O fato é que os cristãos têm perdido sua identidade e vivido sem rumos claros e definidos por causa da confusão ao seu redor e por não defenderem sua fé. Como servos de Deus, devemos, sim, ser respeitosos e, se “possível, quanto depender de nós, ter paz com todos os homens” (Rm 12.18). Mas nunca, nunca mesmo devemos negociar os pilares da nossa fé e prática de vida como cristãos. O mundo já mostrou que não está nem um pouco disposto a negociar conosco.

Pr. Thomas Tronco

 

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