Quarta, 05 de Agosto de 2020
   
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Jesus a.C.

Pastoral

Toda a história que conhecemos é dividida em a.C. (antes de Cristo) e d.C. (depois de Cristo). A encarnação de Cristo foi, assim, um marco na história da humanidade e, querendo ou não, deixou um legado que não se perdeu no tempo.

Surge, porém, uma questão: Jesus iniciou sua atuação somente depois da encarnação? Em outras palavras: se Jesus é eterno, o que ele fazia antes de seu ministério terreno? Será que ele estava no “banco”, apenas esperando para “entrar em campo”?

Pode não parecer, mas dependendo das respostas dadas a essas questões, teremos problemas com nossa fé e, consequentemente, a teologia bíblica será comprometida no tocante ao que pensamos sobre nosso Salvador.

Os “X” da questão, portanto, são: como era e o que fazia Jesus a.C.?

Os cristãos comprometidos com a verdade revelada nas Escrituras concordam com a doutrina da eternidade de Cristo. Note bem: eternidade não significa apenas que ele existia antes de seu nascimento ou mesmo antes da criação, mas sim que ele sempre existiu, eternamente. As Testemunhas de Jeová creem só na preexistência de Cristo, mas não em sua eternidade. Essa heresia foi disseminada por Ário de Alexandria nos tempos da igreja antiga, mas o povo de Deus sempre a rejeitou, pois reconheceu que proteger a eternidade de Cristo é muito importante.

Para se ter uma ideia de quão importante é a doutrina da eternidade de Cristo, basta lembrar que se ele não é eterno, então não existe Trindade e Jesus não é totalmente divino. O resultado lógico disso seria a perda da eficácia de seu sacrifício. Além disso, se Cristo não é eterno, então ele mentiu quando afirmou isso sobre si mesmo (como será visto a seguir). Ora, se Jesus mentiu nessa área, pode muito bem ter mentido em outras. Junte tudo isso e verá que a base de sua fé deixará de existir. É por isso que é tão importante a doutrina que ensina que Jesus é eterno.

A Bíblia afirma claramente a eternidade de Cristo e oferece evidências suficientes para isso. Uma delas é a forma como ele está unido a Deus Pai, sendo ambos da mesma essência. Isso demonstra a eternidade do Filho, já que Deus Pai é eterno (Jo 10.30; 14.9,10). Além disso, o autor de Hebreus diz que Jesus, o Filho, é a representação exata da natureza do Pai (Hb 1.3), ou seja, ele sempre teve atributos divinos, incluindo a eternidade. O texto de Isaías 9.6 anuncia a vinda do Messias chamando-o de “Pai da eternidade”. O próprio Jesus afirmou ser eterno quando usou a fórmula “EU SOU”, em João 8.58. De fato, ele não disse “eu era”, o que poderia indicar que existia muito tempo antes de Abraão, mas sim “eu sou”, o que implica eternidade. Essas evidências são suficientes para solucionarmos o primeiro “X” da questão. Sabemos assim quem era Jesus a.C. — era Deus, o eterno... E assim é ainda hoje.

Jesus era eterno, já existia antes da encarnação. Por que, então, não se vê Jesus atuando nas histórias do Antigo Testamento? Será que sua eternidade foi inerte até a hora da encarnação? Claro que não! Jesus sempre esteve em constante atuação. Desde antes da criação, ele esteve em dinâmica atividade (Jo 1.3; Cl 1.16; Hb 1.2).

Sabe aquela expressão “Anjo do Senhor”, tão comum no Antigo Testamento? Pois é, muitos estudiosos acreditam aplicar-se a Jesus. De fato, o Anjo do Senhor, muitas vezes, é uma clara manifestação de Yahweh, pois ele fala como Deus, se apresenta como Deus e afirma ter as prerrogativas de Deus (Gn 16.7-14; 21.17; Êx 3.2; 2Sm 24.16).

Tudo isso mostra que nos tempos a.C., Jesus já atuava na história, embora não revelado como a segunda pessoa da Trindade. Ele não estava, portanto, esperando a hora de “entrar no jogo”. Antes, sempre esteve em divina e constante atuação.

Podemos, pois, confiar nesse Jesus que atua em toda a história da humanidade. Ele não mentiu acerca de sua eternidade, nem em nenhuma outra coisa. Jesus Cristo era Deus a.C. e continua sendo Deus d.C., devendo ser servido e honrado em todas as eras.

Eduardo Pereira
Bacharel em Teologia
IBR São Paulo

 

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