Quinta, 01 de Dezembro de 2022
   
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Colheita Indesejada

Pastoral

“Segundo eu tenho visto, os que lavram a iniqüidade e semeiam o mal, isso mesmo eles segam” (Jó 4.8).

O Brasil ficou estarrecido com um acidente em Santa Catarina que vitimou quase 30 pessoas há algum tempo. Um caminhão e um ônibus que se chocaram e despencaram cerca de 30 metros de uma ribanceira matando 7 pessoas. Entretanto, o que mais surpreendeu e abalou todo o país foi o ato de um caminhoneiro que, querendo fugir do congestionamento causado pelo acidente, dirigiu dois quilômetros na contramão, indo de encontro a pessoas e veículos que estavam socorrendo os feridos. Morreram cerca de vinte pessoas, três vezes mais que no acidente anterior.

É muito triste pensar no que aconteceu às vítimas, mas também é triste pensar no caminhoneiro que causou essa tragédia. Ele, como qualquer um, tinha uma vida normal. Agora terá que carregar a dor de ter matado tanta gente, sem falar nas consequências judiciais. Tudo isso aconteceu por pura imprudente. Aplica-se muito bem a ele aquele dito: “Plantou vento, colheu tempestade”.

Analisando a situação, somos levados a pensar nas conseqüências dos nossos atos. Aquela velha história de “ação e reação”. Para tudo o que fazemos há uma consequência. Muitas vezes ela é ruim, permanente e dolorosa como a do acidente de Santa Catarina. A Bíblia é repleta de relatos de ações que produziram resultados indesejados, como o pecado de Adão (Gn 3.1-6), a indulgência de Eli (1Sm 2.27-29) com seus filhos e a contagem de Israel por Davi (2Sm 24.1-17). Um exemplo explícito desse princípio é encontrado na história de um patriarca.

Gênesis 29 conta que Jacó, ao fugir de Esaú, seguiu para Harã, terra da sua mãe. Chegando a um poço, conheceu sua prima Raquel que o levou para a casa do seu pai, Labão, onde foi recebido com muita alegria. Um mês depois, Labão disse a Jacó que não era justo que trabalhasse sem receber salário e pediu que dissesse quanto gostaria de receber. Jacó pediu que, como pagamento por sete anos de trabalho, lhe fosse dada Raquel, a filha mais nova de Labão, como esposa. Labão concordou e os sete anos se passaram rapidamente aos olhos Jacó.

Chegada a época do casamento, fez-se uma grande festa. Mas ao anoitecer Labão deu a Jacó como esposa Lia, sua filha mais velha sem que Jacó soubesse. Diante dos protestos de Jacó no dia seguinte, Labão propôs que ele recebesse Raquel como esposa em troca de mais sete anos de trabalho. Assim, Jacó foi enganado para que continuasse trabalhando.

É impressionante a semelhança que há entre essa tramóia de Labão e a própria farsa de Jacó ao se fazer passar por Esaú a fim de obter a bênção de seu pai (Gn 27). A Bíblia diz a verdade ao afirmar: “Não vos enganeis: de Deus não se zomba; pois aquilo que o homem semear, isso também ceifará” (Gl 6.7).

Há outros exemplos como esse na Bíblia. Um deles é o do rei Adoni-Bezeque. Ele costumava inutilizar as mãos e os pés dos reis a quem vencia cortando-lhes os dedos. Ao ser capturado recebeu o mesmo tratamento: “Então, disse Adoni-Bezeque: Setenta reis, a quem haviam sido cortados os polegares das mãos e dos pés, apanhavam migalhas debaixo da minha mesa; assim como eu fiz, assim Deus me pagou. E o levaram a Jerusalém, e morreu ali” (Jz 1.7).

O próprio rei Davi sofreu as conseqüências do adultério com Bate-Seba e da morte do seu marido Urias. Deus o castigou dizendo que suas mulheres também seriam possuídas por outro e que sua família sofreria com a espada (2Sm 12.9-12). Isso aconteceu quando seu filho Absalão, em um golpe militar, possuiu as esposas de Davi diante de todos para que não fosse possível uma reconciliação entre eles (2Sm 16.20-22), e nas mortes violentas dos príncipes Amnom (2Sm 13.28-29), Absalão (2Sm 18.14) e Adonias (1Re 2.24-25), filhos de Davi.

Esses fatos devem nos chamar a atenção para a nossa própria vida e para as nossas ações. Temos visto pessoas, famílias e igrejas destruídas porque alguém agiu sem refletir sobre os resultados das suas ações. É claro que para cada atitude errada há uma desculpa tão insensata quanto o próprio erro. E assim, de pecado em pecado e de desculpa em desculpa, a igreja segue colhendo conseqüências que destróem a edificação dos irmãos e anulam o testemunho perante o mundo.

“Porque o que semeia para a sua própria carne da carne colherá corrupção; mas o que semeia para o Espírito do Espírito colherá vida eterna. E não nos cansemos de fazer o bem, porque a seu tempo ceifaremos, se não desfalecermos” (Gl 6.8-9).

 

Pr. Thomas Tronco dos Santos

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